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Ex-diretor da divisão da ISS na NASA fala sobre a ciência em Elysium e a realidade de uma colônia espacial

Em uma época em que já se planeja colonizar Marte, é interessante ver a visão de alguém que entende realmente do riscado.

07/08/2013 às 16:45

Elysium

O filme Elysium, que estreia no próximo dia 16 no Brasil, se passa no ano 2154, quando os ricos vivem em uma estação espacial com todo o conforto possível, enquanto os pobres ficaram na terra, uma grande favela.

A história gira em torno de Max (Matt Damon), que sofreu um acidente e tem apenas 5 dias de vida, caso não consiga por em prática seu plano para chegar à Elysium (a estação espacial que dá nome ao filme) e ter acesso à tecnologia que irá curá-lo. No seu caminho droides militares e um agente psicótico, já que estamos falando de Hollywood e explodir coisas é preciso.

Terra

Tá ruim pra todo mundo, mas na Terra tá pior.

Em uma época em que já se planeja colonizar Marte, é interessante ver a visão de alguém que entende realmente do riscado. Mark Uhran, ex-diretor da divisão da Estação Espacial Internacional (ISS) na NASA, falou sobre o assunto:

Humanos podem se adaptar a orbitar a Terra por curtos períodos de tempo que somam seis meses, por um ano, no sistema de rotação de pessoal que é feito hoje na ISS. O que aconteceria em longos períodos de tempo? Ninguém sabe ainda.

Na Terra a gravidade ajuda a manter o corpo humano em forma, no espaço, sem gravidade, é preciso exercitar-se no mínimo duas horas por dia para evitar a atrofia muscular e a deterioração dos ossos.

A longo prazo, no entanto, o exercício em gravidade zero pode não ser suficiente. Seria necessário produzir gravidade artificial, e a maneira mais simples seria uma estação giratória, que pode causar outros problemas, por causa da Força inercial de Coriolis ou, trocando em miúdos, caminhar em um ambiente giratório contra a força centrífuga.

Outro problema é a radiação, é necessário um escudo feito de água ou chumbo, para evitar uma tripulação literalmente cozida, além do lixo espacial. No caso do lixo é mais fácil, basta manter a estação na mesma órbita hoje ocupada pela ISS, onde é possível prever com 36 a 48 horas de antecedência o lixo em rota de colisão e manobrar para evitá-lo, ou ocupar uma mais alta e com menor quantidade de dejetos.

Levando em conta que a tecnologia evolui muito em 150 anos e esses problemas teriam sido contornados com treinamento apropriado e novos materiais, chegamos no ponto principal, o custo.

Obviamente o filme não se passa em um futuro onde o dinheiro é obsoleto como no universo de Star Trek, já que os pobres ficaram para trás.

Em um estudo sobre a formação de uma colônia espacial feito em 1975 pela NASA, o custo total giraria em torno de 191 bilhões de dólares, equivalentes a quase 830 bilhões em valores de hoje. 150 anos no futuro, é fácil dizer que uma estação gigante (a do filme é habitada por 8 mil pessoas) custaria alguns trilhões.

Isso significa que o "aluguel" para viver lá custaria algo em torno de bilhões por pessoa, algo difícil de se ver todo dia por aí.

Fonte: Slashdot

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