Meio Bit » Baú » Internet » Para surpresa de ninguém a Internet é um negócio como qualquer outro.

Para surpresa de ninguém a Internet é um negócio como qualquer outro.

Oligopólios dominam a audiência e os lucros: a internet estaria enfrentando a estagnação típica de um modelo de negócios capitalista decadente?

07/08/2013 às 7:47

johnd

A Internet vende um “Sonho Americano” onde qualquer um com uma grande idéia pode ficar rico, com milhões de visitantes/usuários, um mundo onde startups competem amigavelmente, longe do vil capitalismo predatório.

Devemos esquecer o tempo dos Capitães da Indústria e suas práticas malignas, nossos bilionários são gente boa, pesquisam foguetes no fundo do mar, criam naves espaciais, exploram a Fossa das Marianas, criam Frankenburguers. Steve Jobs se vestia como gente comum, Bill Gates vai salvar o (3º) Mundo.

Quanto disso é real?

Vejam este gráfico de aplicações mais utilizadas em smartphones:

oligopolio

Notou algo interessante?

Temos Google com 3 posições, Facebook com 3 e Microsoft com uma. Sobram o Twitter e duas apps de nicho, WeChat e WhatsApp. Algum tempo atrás eram independentes o YouTube, o Skype e o Instagram. Todos foram adquiridos em negócios bilionários.

Do mesmo jeito que John Rockfeller comprava as refinarias concorrentes, formando seu monopólio, O cara legal, o Google, matou sumariamente o Reader, quando percebeu que ele não rendia como poderia, pois atrapalhava a exibição de anúncios em blogs e sites. Agora há boatos de que compraram ou comprarão o Feedly, a única alternativa mais ou menos decente ao Reader.

O Facebook pagou US$ 1 bilhão pelo Instagram, mas como quer pressionar a Microsoft, não libera um cliente Windows Phone. O Twitter definiu regras draconianas para desenvolvedores externos, inviabilizando apps gratuitas. Depois comprou o Tweetdeck só para matá-lo e nos forçar a usar aquele site horroroso.

Quem prega uma internet livre de governos e regulamentações sem-querer está fazendo o trabalho desses caras, dando a eles um território estilo Velho Oeste, onde vale a Lei do Mais Forte, que —spoiler— nunca somos nós.

Por mais que seja irritante a forma com que a União Europeia regula seu mercado, no caso da Internet isso acaba sendo um mal necessário. O primeiro fruto do oligopólio é a estagnação, e isso não é bom pra ninguém. Quem viveu o tempo do Netscape sabe bem como é usar um produto que tem 100% do mercado, vários problemas e a solução era sentar e chorar.

Portanto, meninos e meninas, fica a lição: empresários do online não são nem um pouco diferente do pessoal do OFF, demonizar o McDonald's e o Walmart enquanto dá-se carta branca pro Bezos ou pro Brin é colocar nosso bem-estar em mãos erradas.

Há muita coisa positiva a se tirar da Internet, mas nunca devemos nos esquecer que por mais que o sujeito seja legal nas entrevistas e te siga no Twitter, é uma relação COMERCIAL. Eles querem sua atenção/dinheiro/clique e em troca disponibilizam serviços. Pode ser excelente se isso ficar claro, ou terrível se por serem “legais” ganharem imunidade diplomática.

relacionados


Comentários