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Uma visita ao Centro de Design da Electrolux

Visitamos o Centro de Design da Electrolux em Curitiba e contamos porque o lugar está se tornando referência na área.

01/08/2013 às 15:58

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Quando falamos em uma grande fábrica, seja lá qual for o seu ramo de atuação, algo que não costuma passar pela cabeça da maioria das pessoas é a dificuldade em se desenvolver novos produtos e muito menos que podemos encontrar por lá ambientes onde designers sejam tratados com um certo diferencial, mas isso provavelmente porque a maioria não conhece a sede da Electrolux em Curitiba.

Ontem tive a oportunidade de ir a um evento organizado por eles onde apresentariam pela primeira vez o Centro de Design que montaram em 2011 e depois de passar quase o dia todo por lá, pude conhecer todo o equipamento que aqueles profissionais possuem à sua disposição e gostaria de contar um pouco daquela experiência.

Para começar tenho que revelar a minha surpresa ao chegar no lugar. No meio daquele cenário carrancudo típico de uma fábrica está situado o belo prédio construído pela empresa onde todos os produtos – do Brasil e da América Latina - são idealizados. Uma estrutura que chama a atenção por seu estilo moderno e do lado de dentro o impacto é ainda maior, pois pude perceber que de fato o que eles fizeram foi um estúdio de respeito.

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Contando somente aqui no Brasil com cerca de 40 designers que são comandados por Julio Bertola, o diretor revelou que para chegarem a aquele espaço foram muitos anos de negociação com os executivos da empresa nascida na Suécia, mas o resultado impressiona. Além de ficar localizado num ponto privilegiado do terreno, onde pode-se ver boa parte da cidade, ali é possível encontrar livros sobre a área, diversas salas para a elaboração de briefings e a sala de reunião, o principal motivo para estarmos lá.

Naquele espaço é onde ocorrem as principais apresentações do que foi criado pela equipe da Electrolux e o que mais chama a atenção inicialmente é a imensa tela que ocupa toda a parede oposta a porta de entrada. Com a imagem sendo exibida por retroprojeção, temos uma resolução 4K e imagens em 3D estereoscópico, tudo para mostrar os modelos desenvolvidos por eles e é aí que entra a tecnologia que passaram a utilizar.

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Conforme nos foi explicado, com o aumento da necessidade de criar produtos num tempo menor e visando reduzir o custo desse processo, já que o protótipo de um refrigerador pode chegar a custar US$ 100 mil, eles perceberam que poderiam seguir os mesmo passos da indústria automobilística e decidiram investir pesadamente na criação de modelos virtuais mais realista, nascendo então uma parceria com a Autodesk para a utilização do Showcase.

Lizandro Chrestenzen, gerente de design da Electrolux para América Latina, explicou que a fábrica já possuía experiência com a Autodesk, afinal utilizaram o Maya e o Alias por muitos anos, mas era necessário uma ferramenta que lhes garantisse “qualidade de performance e rendering”, por isso optaram pelo mesmo software utilizado nas fábricas de automóveis e que acredite, em conjunto com outros programas é capaz de gerar modelos extremamente realista.

Segundo Bertola, apesar do investimento inicial ter sido alto ele se pagou rapidamente e ver a maneira como eles podem alterar um modelo virtual rapidamente deixa isso claro, pois se antes era necessário construir dois ou três protótipos, hoje só fazem um, aquele mais próximo da versão final e que será usado para medir o interesse do consumidor.

O mais impressionante foi ver a qualidade fotorealista que aqueles refrigeradores, fogões ou demais eletrodoméstico possuem, na maior parte do tempo sendo impossível destinguí-los de um vídeo, mas como se trata de modelos criados no computador, eles nos permitem abrir ou fechar portas e gavetas, encher uma geladeira com objetos que normalmente são guardados nelas ou alterar cores, texturas ou mesmo qualquer outro aspecto (como a localização de logotipos) com extrema facilidade e sempre em tempo real, eliminando assim a necessidade de esperarmos horas para que sejam renderizados.

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Para ter ideia de sua importância, embora a Electrolux possua oito centros de design espalhados pelo mundo, apenas quatro deles contam com uma tecnologia semelhante a esta, um deles na Itália, um na Suécia, outro nos Estados Unidos e por fim o de Curitiba, sendo este o único de toda a América Latina dedicado exclusivamente à linha branca e uma das vantagens de todos os estúdios seguirem um padrão é que os escritórios podem conversar entre si e facilitar todo o processo de criação.

Deixando o lado tecnológico de lado, outro detalhe que me chamou a atenção é um espaço do prédio onde os designers tem à sua disposição uma enorme quantidade de materiais utilizados na produção dos produtos, algo que eles julgam ser de suma importância para que os profissionais possam tocar naquilo que será utilizado nos projetos e que novamente, só é comum na indústria automobilística.

Depois de conhecer melhor os passos necessários para a criação de um eletrodoméstico e ter uma real noção de como a tecnologia fornecida pela Autodesk lhes tem ajudado, a conclusão que tirei da minha visita ao Centro de Design da Electrolux é que o forte investimento que eles fazem no design com intuito de transformar seus produtos em objetos de desejo é algo que sem dúvida deveria ser adotado por mais empresas, assim como a qualidade de trabalho que oferecem aos seus profissionais, pois a sensação mais forte que tive ao sair de lá foi que se trabalhasse na área eu certamente adoraria fazer parte daquela equipe.

Atualização: Foram adicionadas fotos de dentro e de fora do Centro de Design.

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