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Balanço de Branco: os filtros digitais.

28/01/2008 às 22:29

Como já disse em outros textos, muito do que usávamos na fotografia analógica (fotógrafos mais puristas não gostam desse termo) foi adaptado para a fotografia digital. Porém, existem poucos recursos que foram incorporados a essa nova tecnologia que realmente revolucionou o jeito de fazer fotografia tanto para o profissional quanto para o amador. Um desses recursos foi o Exif (recurso de várias utilidades e mal aproveitado) e o outro é o Balanço de Branco (White Balance).

Embora muitos fotógrafos de primeira viagem não saibam de sua existência, ele está presente em todas as câmeras digitais de qualidade. Sua função, como o próprio nome diz, é fazer com que o branco seja representado como branco nas fotos. Achou complicado? Mas, não é. Vamos partir do principio. Para entender esse interessante recurso, que nem sempre é aproveitado, temos que conhecer um pouco de temperaturas de cores. Existem diversos tipos de fontes de luz que irradiam tonalidades diferentes. Nesse contexto uma lâmpada de tungstênio (comum em equipamentos de iluminação de vídeo) vai emitir uma luz de tonalidade diferente de uma luz fluorescente. Essas diferentes tonalidades são chamadas de temperatura da escala de cor. Essa escala é medida em Kelvins (K). Nesse sentido a luz azul dos dias nublados é fria e a amarela das lâmpadas incandescentes (tungstênio e halógenas) é quente. Como explicado por Leo Terra, em um artigo publicado na revista Social Foto Clube (edição de novembro de 2007), "A escala de cores usadas para definir precisamente as cores do Balanço de Branco é a escala criada por Lord Kelvin no século XIX. Diferente do que seria de se esperar, na escala de cores proposta por Lord Kelvin os tons definidos como "quentes" (vermelho, amarelo e alaranjado) são representados por temperaturas de cor mais baixas, enquanto os tons definidos como "frios" (azuis e violetas) são representados por temperaturas de cor mais alta."

Na época do equipamento analógico nós tinhamos que entender muito da lógica de combinação de cores. Ao fotografar em um ambiente iluminado com luz alógena era necessário acoplar um filtro azul a objetiva, para que a combinação das duas cores fizesse com que a foto ficasse mais parecida com a luz do dia. Porém, ao colocar mais um obstáculo entre o a luz e o filme era necessário trabalhar com velocidades mais baixas e maiores aberturas de diafragma, o que acarretava a maior ocorrência de fotos tremidas.

O Balanço de Branco veio para substituir a velha prática de usar filtros coloridos para corrigir a luz dos ambientes e trouxe de quebra esse recurso para usuários de câmeras mais simples. Dependendo da câmera temos níveis de ajustes do Balanço de Branco. Nas câmeras mais simples o processo acontece de modo automático, deixando poucas opções ao usuário. Nas câmeras intermediárias é possível escolher entre deixar no automático ou escolher entre várias opções pré programadas (as categorias principais são luz solar, dia nublado, luz fluorescente, luz de tungstênio ou incandescente, e luz de flash).

Mas, por que esse recurso tem esse nome? Porque a câmera tenta se regular para que o branco seja dessa maneira representado nos diferentes tipos de iluminação. A partir da cor branca todas as outras regulagens vão ser feitas para representação das outras cores. Nas câmeras mais avançadas (algumas prosumers e nas DSLR) esse ajuste é feito apontando a objetiva para uma superfície branca (pode ser uma parede ou outra superfície com a cor branca) e acionando a regulagem. Você está dizendo para a câmera que aquilo naquele ambiente é o branco e ela vai regular as outras tonalidades a partir desse parâmetro. Existem cartões de cor branca que são vendidos em lojas de equipamentos fotográficos para que sejam levados na bolsa para a impossibilidade de achar uma superfície branca no local a ser fotografado.

Embora toda essa informação possa parecer inútil para quem só quer tirar foto do churrasco da família ou das baladas de sábado a noite (claro que esse indivíduo tem uma Sony), o recurso é importante para aquele usuário que deseja colocar em suas fotos a máxima fidelidade das cores, principalmente em locais com luz artificial. Porém, um fator que deve ser levado a sério é que o ajuste automático das câmeras quase nunca acerta nas regulagens. Aconselho a sempre regular de forma manual o Balanço de Branco. Outra possibilidade é dar uma cara diferente para suas fotos. Brinque com as regulagens em um mesmo ambiente e veja as possibilidades de tonalidades. Algumas ficam muito interessantes.

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