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Tradutor fala sobre processo de trazer o EarthBound para o ocidente

Responsável pela tradução do Mother 2/EarthBound conta alguns segredos do processo e revela dificuldades encontradas.

26/07/2013 às 16:00

earthbound_25.07.13

Na minha longa lista de clássico que não joguei ou que joguei pouco, um dos que mais lamento é o EarthBound. Para muita gente este é um dos melhores RPGs já criados, mas infelizmente conseguir um cartucho pode lhe custar um rim e como a Nintendo infelizmente só resolveu lançar uma versão digital para o Wii U, continuo por aqui torcendo para um dia ter a oportunidade de conhecer o game mais profundamente.

Porém, mesmo sendo tão elogiado, a produção do jogo ainda guarda algumas peculiaridades que permanecem desconhecidas da maioria e ao conversar com o pessoal do Game|Life, o tradutor Marcus Lindblom trouxe várias histórias interessantes sobre a dificuldade de se localizar o RPG que no Japão é conhecido como Mother 2.

O maior desafio que tivemos foi como lidar com as referências culturais. A coisa realmente esquisita sobre o EarthBound foi que eu estava tentando traduzir a visão de alguém de fora sobre os EUA - alguém que, obviamente não é americano. Eu precisei adotar uma visão exterior dos EUA e transformar isso em algo que todo mundo aqui pudesse jogar e entender. Essa foi uma das coisas mais difíceis de se fazer.

Outra coisa que tentamos fazer – e não fomos sempre 100% bem sucedidos – foi suavizar muitas referências às propriedades intelectuais. Nós olhávamos para elas e dizíamos, ‘Ok, a arte neste caminhão parece demais com o logo da Coca-Cola, precisamos mudar isso.’

Outras alterações marcantes, segundo Lindblom, foi mostrar café onde antes havia bebida e a remoção de imagens religiosas, assim como personagens que pareciam fazer parte da Ku Klux Klan, mas como Shigesato Itoi, um dos principais responsáveis pela criação, não participou da localização, o tradutor teve liberdade para fazer as correções como achava melhor, mesmo fazendo questão de dizer que fez o possível para se manter fiel ao enredo original.

Por fim, um dos detalhes mencionados pelo entrevistado e que eu não conhecia é que o EarthBound não teve um bom desempenho comercial, algo que Lindblom afirma já esperar na época, muito por causa do preço elevado do jogo – que se justificava pelo belíssimo manual que o acompanhava – mas também porque visualmente o RPG não se encontrava no mesmo patamar de outras grandes superproduções, parecendo muito mais uma versão melhorada daquilo que víamos na geração anterior.

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