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Aquecimento Global: Comunicação Unificada - Telepresença.

22/01/2008 às 15:48

Antes de dar continuidade a mais um artigo desta série, queria falar rapidamente sobre a Conferência de Bali e o que esta acontecendo no mundo em torno do tema do aquecimento global.

Creio que vocês viram nos jornais e noticiários a imensa resistência americana em entrar em consenso com os demais países sobre a importância de controlar a emissão de gases. Diz o ditado popular: pimenta nos olhos dos outros é água – ou seria, “refresco”. Precisou Kevin Conrad (delegado de Papua Nova Guiné, um pobre, porém lindo país, que vai ficar sob as águas se as grandes potências não fizerem nada), pedir a palavra e dizer aos americanos: “Se por algum motivo vocês não querem liderar esse assunto, saiam do caminho e deixem isso conosco”. Os aplausos foram longos e historicamente, todos entraram em consenso. Porém será preciso mais que a Conferência de Bali para ajudar a Terra – não que ela tenha sido um fracasso total, pois só o fato de todos concordarem em um projeto piloto para o reflorestamento, já é um bom avanço. Mas ainda há muito a caminhar até algo concreto começar a ser feito em escala mundial.

Mas onde a Conferência de Bali e outros governos mais falam que agem, a Comissão Européia está iniciando um novo projeto sobre como conter os níveis de emissão de gases. Depois de um ano de piloto para que as montadoras de carros se enquadrassem em determinados níveis de emissão de gases em seus carros, a Comissão Européia publicou (em dezembro de 2007) seus planos para cobrar pesadas taxas por produção de veículos fora dos limites estabelecidos para emissão de gases (Economist – Dezembro 2007). Ou seja: brevemente vai doer no bolso.

O plano da Comissão Européia é que em 2012, a média de emissões de gases na Europa não exceda 130g/km por carro, com outros 10g/km de redução vindo de outras fontes como pneus, sistema de ar-condicionado, e maior uso de bio-combustíveis. Ainda vai levar um ano até o projeto virar lei na Europa, mas para as montadoras o tempo já é curto, pois leva em torno de sete anos para projetar e colocar um carro com tecnologia nova em produção. Bom, a lição daqui é: estas imposições vão atingir diretamente outros negócios; as montadoras são somente as primeiras da fila.

Bem, agora voltando à continuação da nossa série, neste artigo quero falar um pouco sobre a Telepresença, uma solução que faz parte do conceito de Comunicação Unificada (Unified Communication). Começo com algumas perguntas: quanto sua empresa gasta em viagens por ano? Por mês? Como você conversa e se reúne com seus times globais? Com sua fábrica de software que esta na Índia, ou na Espanha?

Em grandes corporações, os executivos tendem a fazer reuniões constantes, várias vezes ao ano, em vários países. Consultorias grandes, em seus projetos globais, deslocam profissionais por vários países. Tudo isso gera custos de viagens, hotéis, refeições, per diems, etc. Custos estes que muitas vezes não são medidos e não são recuperados, ou seja, eles não são cobráveis diretamente de um cliente. Ele simplesmente é parte da operação do negócio. Para se ter uma idéia do quanto isso representa, em algumas empresas o custo pode atingir 400 milhões de dólares por ano.

OK, mas o que isso tem a ver com o aquecimento global? Bem, quanto menos profissionais sua empresa desloca, menos viagens são necessárias, sejam elas de carro, avião, ônibus, trem, helicóptero, etc. Porém se você não consegue ver as pessoas, como vai trabalhar com elas remotamente?

Existem varias soluções hoje de colaboração: e-mail, portais e outros; porém quero comentar uma delas: a Telepresença. A Telepresença é uma tecnologia de vídeo conferência que permite conferências em tempo real entre pessoas, e o delay (atraso na chegada da imagem e som) é quase imperceptível ao olho/ouvido humano. Ela não possui o delay que temos hoje em outras soluções de vídeo conferência. Portanto, ela se torna uma ferramenta eficaz para prover a comunicação entres times distantes quando existe a necessidade de reunir todos “pessoalmente”.

Certamente isso não é aplicável em todas as empresas – o custo anual de cada local para ter a Telepresença é de aproximadamente US$ 360.000 dólares/ano; e também certamente não vai resolver o problema do aquecimento global. Mas já ajuda. Como? Menos viagens de avião, por exemplo. Só os aviões hoje são responsáveis por 2.2% de todas as emissões globais de gases. Veja, não estou dizendo que as viagens de avião vão acabar ou devem acabar, ou que a Telepresença é a resposta correta, mas se podemos somente fazer viagens quando extremamente necessário, por que não mudar?

Vamos a outro dado interessante: é fácil imaginar que os profissionais de plataformas de petróleo chegam até elas de helicóptero, certo? Certo. Sabe quanto custa esta viagem por pessoa no Mar do Norte? 1.000 euros por pessoa. Quer saber quanto por ano? 2.4 bilhões de dólares (entre pessoas e suprimentos). Portanto, tem muitas empresas que estão muito interessadas em cortar um pouco deste custo. O que elas talvez ainda não perceberam, é que ao fazerem isso também estarão ajudando a poluir menos o planeta.

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