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Campus Party Recife: Ean Schuessler ensina como “hackear” a sua cidade

Ean Schuessler da consultoria Brainfood falou na Campus Party Recife sobre Civic Hacking, ou como “hackear” sua cidade aumentando a transparência do governo através de aplicativos, sites, redes sociais e ferramentas de software livre.

21/07/2013 às 8:00

Ean Schuessler no palco da Campus Party Recife

Ean Schuessler, co-fundador da consultoria Brainfood, e um dos colaboradores mais antigos do Projeto Debian, subiu ao palco da Campus Party Recife para uma palestra não técnica sobre Civic Hacking, ou como “hackear” a sua cidade para aumentar a transparência do governo usando sites, aplicativos, redes sociais e ferramentas de software livre. A palestra foi bem interessante, com vários exemplos de hacks (incluindo alguns físicos) criados por pessoas ou organizações que estão interessados em mudar ou melhorar o governo.

No final, o palestrante deu algumas dicas para quem quiser se aventurar em fiscalizar ou até mesmo criar seu próprio aplicativo, mas antes de mais nada, ele recomendou cautela: “Vamos dizer que você quer mudar o governo da sua cidade ou estado. É importante lembrar que os governos são como máquinas grandes e poderosas, e como todos sabem, é perigoso usar uma máquina assim, se você não sabe o que está fazendo.” Ele lembra que os governos mantém a eletricidade funcionando, as águas limpas, as estradas funcionais, os trens funcionando e protegem a população de criminosos (ou pelo menos deveriam fazer todas estas coisas), então se você vai interferir com isto, tenha certeza do que está fazendo, pois pode tornar tudo ainda pior.

O caminho para Schuessler é aproveitar a grande quantidade de dados que os governos produzem, o problema é que pelo seu volume, estas informações são complicadas de entender. Citando a frase “Linus Torvalds, “given enough eyeballs, all bugs are obvious”, ou seja, com um número suficiente de pessoas fiscalizando estes dados, fica mais fácil perceber fraudes, escândalos de corrupção, manipulação de eleições, mas para isso é necessário ter acesso as informações e saber como analisá-las.

O primeiro exemplo citado foi o aplicativo Congress da Sunlight Foundation, empresa que cria software com um único objetivo, promover a transparência em governos. Você pode ver quem é o seu representante, quanto dinheiro foi contribuído para suas campanhas, quais foram as decisões do político em assuntos polêmicos no Congresso dos Estados Unidos. Para Schuessler, “o interessante é que no futuro, praticamente todo mundo terá acesso a aplicativos móveis, e esta é a melhor maneira de acompanhar e fiscalizar o que o governo está fazendo. Os dados são o código fonte dos governos”.

O app 311 mobile da prefeitura de Calgary, no Canadá (terra onde reside o amigo Izzy Nobre) também foi elogiado por Ean Schuessler, com funções como reportar problemas como buracos em ruas, acompanhar o andamento de obras e etc. A prefeitura do Rio de Janeiro tem um app similar, o Portal 1746, com versões para Android, Apple, Windows Phone, Blackberry e até Ovi (será alguém ainda usa isso?). Calgary também dá um belo exemplo com um aplicativo para facilitar a adoção de animais domésticos, que mostra fotos e vídeos de simpáticos bichos e bichanos disponíveis para adoção. A cidade de São Paulo infelizmente não tem nada parecido, apenas um app com dicas de turismo.

Uma das ferramentas mais úteis para quem está pensando em criar algo parecido é o Code for America Commons, uma loja online para aplicativos de open source de inovação para governos. Esta criação de Tim O’Reilly (da O’Reilly Media, conhecida por seus livros de tecnologia), e busca organizar e encontrar as melhores soluções para inspirar outras cidades. Ean citou mais uma frase, esta de Mark Surman, que resume muito bem esta cultura participativa:

“A abertura e a participação criaram uma Internet melhor. Eles também podem criar uma cidade melhor”

Na busca por transparência, o Open Secrets traz informações profundas sobre as contribuições para políticos, total de gastos em lobistas e quem está por trás deles. O National Broadband Map mostra um mapa dos Estados Unidos mostrando a densidade de uso da internet e também a qualidade da conexão disponível por cada região, ou seja, trata-se de uma ferramenta para ver o quanto a inclusão digital está sendo efetiva.

Descrito no próprio site como uma das prioridades do na iniciativa de governo aberto do Obama, o Data.gov mostra dados gerados e mantidos pelo governo federal dos Estados Unidos. O site tem um similar no Brasil, o Dados, um site do nosso Governo que disponibiliza dados e informações públicas.

No Blockee.org é possível tirar fotos de locais na sua cidade e depois pode incluir novos itens ou melhorias para a sua vizinhança como ciclovias, lixeiras ou bancos, e ver como ficaria o resultado. É uma ferramenta boba, mas interessante, pois pode gerar uma discussão que eventualmente viabilize o projeto de verdade. Trazendo o mesmo conceito para o mundo real, o projeto Better Block faz tudo legalmente, pedindo permissão para fechar uma rua, e pintar uma ciclovia temporária ou outras intervenções, que depois são apagadas, mas servem para causar uma impressão nos moradores da cidade.

A Knight Foundation foi criada por um jornalista que acreditava que a fiscalização e a transparência eram fatores críticos para um governo eficiente. Ela ajudou a financiar as já citadas Sunlight Foundation e Code for America, organizações dedicadas, apartidárias e trabalham full time, mas sem fins lucrativos.

Para terminar, Schuessler citou algumas ferramentas para quem estiver interessado em farejar o que os governos andam fazendo. O CKan, ferramenta usada no Dados; o LocalWiki, ferramenta simples que mostra coisas importantes para as cidades, mas que não são grandes o suficiente para a Wikipedia; o Textizen, que permite que você faça pesquisas em pontos de ônibus, que as pessoas respondem por mensagens de texto e o OpenStreetMap.org, descrito pelo palestrante como uma Wikipedia para o Google Maps, um sistema de mapeamento completo criado com software livre. Ean também recomendou o PostGis, o Facebook Graph API e o PhoneGap, que torna simples criar aplicativos em HTML ou Javascript, que depois podem rodar em várias plataformas móveis como iOS, Android, BlackBerry e Windows Phone, basta criar aplicativo e distribuir para todas estas plataformas. O Backbone.js é um sistema de modelagem para quem estiver interessado em criar seu próprio aplicativo. O D3.js é uma biblioteca de ferramentas de visualização de dados. Para ver todos os slides da apresentação de Schuessler, clique aqui.

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