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Análise rápida: KDE 4 para um usuário do Gnome

13/01/2008 às 23:33

Lançado há exatos dois dias, o código-fonte já pode ser compilado em qualquer distribuição Linux (usuários de distribuições incompletas podem ter trabalho), e é questão de tempo até sua popularização. A safra 2008 de distribuições já terá suporte ao KDE 4 – muitas delas mantendo ainda o KDE 3.5, como o que já acontece no OpenSuSE – para que os usuários desse ambiente desktop possam se adaptar às novidades.

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Porém, existe uma personalização do LiveCD do OpenSuSE Linux que vinha com os BETAS do KDE 4 para os curiosos usuários poderem analisar o desenvolvimento do ambiente desktop, eu mesmo baixei duas vezes. Com o lançamento da versão “final”, também foi disponibilizado o mesmo LiveCD contendo a primeira versão estável do KDE 4, com a mesma finalidade.

Assim, estou utilizando o LiveCD do KDE 4 desde sexta feira no VMware, e escrevi a análise para o usuário recém chegado conferir as novidades. Apesar de ser usuário (e convicto) do Gnome, gostei das novidades e acredito que as próximas grandes versões (KDE 4.1, KDE 4.2...) estarão ainda melhores. Vamos lá?

O novo conceito do Desktop

O KDE 4 é um inovador nato. E como tal, ele tenta lançar um novo conceito de desktop. Nesse conceito, temos o Plasma (o conjunto da obra) que é composto por Plasmoids. Os Plasmoids podem ser várias coisas, widgets, ícones e botões, e podem ficar tanto no desktop quanto no painel, e nessa eu acho que o SuperKaramba dançou. Ao passar o mouse num Plasmoid na área de trabalho, é exibida uma aura transparente com opções de controle, e permite esticar, encolher, mover, girar ou configurar aquele Plasmoid. Demorou (muito) pro KDE permitir essas proezas com ícones SVG, algumas já são possíveis no Gnome desde que eu me entendo por gente. Mas a flexibilidade que isso proporcionou na aliança de Ícones e Plasmoids foi muito interessante.

O antigo Kicker (painel) também foi substituído pelos Plasmoids, ou seja, o Painel agora é um Plasmoid. E o KWin permite nativamente recursos como Exposè (Ctrl + F9) e um Dashboard (Ctrl + F12), que são independentes de um AiGLX/XGL. Nativamente foram inclusos recursos de transparência real e sombras, também direto no KWin, mas não funcionaram adequadamente comigo. Não sei dizer se é um bug ou é por causa do VMware, explico os problemas que tive mais adiante. No canto direito superior da tela também possui um Plasmoid que eu não sei o nome, mas a partir dele adicionamos os outros Plasmoids no desktop. Ele transita de maneira super elegante.

Os drag n’ drops melhoraram bastante (aleluia, né KDE?), e todos os Plasmoids são manipulados assim. Com o gerenciador de Plasmoids – janelinha chamada “Add Widgets” -, é exibida a lista de Widgets disponíveis, podendo ser adicionados ou removidos. Para adicionar um Widget no desktop, basta clicar num, arrastar e soltar onde der vontade, até no Painel. A partir do Dolphin também é possível transformar alguns itens em Plasmoids da área de trabalho. O mesmo widget realmente tem funcionalidade garantida em ambos os locais, desktop e painel.

Os ícones ganharam novo theme, o Oxygen. Assim como no KDE 3.xx, onde os ícones Crystal SVG passavam idéia de transparência, clareza e brilho, os ícones Oxygen transmitem “sensação” de liberdade, vento, oxigênio. Um Briefing interessante, os ícones ficaram muito legais. Até me lembraram do iconset Tango (fanáticos pelo KDE 4 vão querer me matar por causa disso).

Para o KDE 4, agora também inexiste o diretório ~/Desktop. Arquivos direcionados para o Desktop caem na /home, e as configurações do desktop com seus plasmoids fica na ~/.kde4. Acredito que isso seja uma faca de dois gumes, pois a usuabilidade ficou agradável e estranha ao mesmo tempo. Exemplo, eu copiei um PDF do meu PenDrive para o Desktop, mas inexiste um diretório ~/Desktop... Então virou um (lindo) Plasmoid com o nome do arquivo, eu clico e ele abre no Okular. Mas eu excluo o plasmoid e ele não exclui o arquivo (ou seja, simplesmente um atalho, e ele não criou uma cópia do mesmo na /home), eu tenho que abrir o Dolphin, ir ao PenDrive e apagar o desgraçado do PDF. Então, se eu apagar o PDF no PenDrive, ou simplesmente remover o dispositivo, o Plasmoid não desaparece nem dá uma indicação que o link está quebrado, eu clico e ele dá erro por motivos óbvios. Isso precisa ser melhorado – urgente.

Também não encontrei algumas coisas que deveriam ser óbvias, como um configurador do Painel. Ta certo que o KDE 4 ficou legal em tons pretos. Eu também gosto, mas poxa, justamente na primeira impressão (que é a que... não completarei o resto da frase), ficou semelhante demais ao MS Windows Vista, e eu tentei mudar isso. Mas, simplesmente não achei onde alterar as propriedades do Painel. Nas versões anteriores e no Gnome, bastaria clicar com o botão direito no Painel e ir nas propriedades para fazer a festa (mudar tamanho, textura, cor, transparência, botões, comportamento e etc).

Do resto, o KDE 4 foi tranqüilo e naturalmente intuitivo.

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Eu não entendi...

Fuçando nas propriedades do Plasma Workspace – vulgo Desktop -, é possível alterar o papel de parede e/ou colocar um slide-show, e mais nada além disso. Também existem duas checkboxes, “Align to Grid” e “Show Icons”. A primeira eu não preciso nem explicar, porém a segunda eu quis entender sua serventia. Desabilitei, apliquei OK, e sumiram todos os ícones Plasmoids de programas do meu desktop (o Opera, Dolphin e Kopete). Prevaleceu o PDF que citei anteriormente, e pensei: “Ahh ta, isso só tira os Plasmoids de atalhos pra programas, o resto fica!”. Marquei de novo o checkbox acreditando que meus antigos ícones voltariam, mas não voltaram, oh shit! Quem for testar, cuidado com esses checkboxes, eles são do mal! Tomara que corrijam isso...

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Ainda com relação aos Plasmoids, adicionei um Plasmoid “Lixeira” a partir do Dolphin arrastando o ícone para o Desktop. Funcionou!! Tentei excluir um arquivo da maneira que *eu* excluo (vício do Mac OS X, de arrastar arquivos pra lixeira ao invés de apertar o Delete – argh!) e não funcionou, nada acontecia. Criei de novo, vi as propriedades do Plasmoid e aparentemente estava tudo normal. Cliquei nela e deu erro, não reconheceu o diretório “Trash:/”. Minhas suposições não chegaram num consenso, se isso é Bug do KDE 4 no endereço da lixeira (aconteciam coisas semelhantes no KDE 3.4 do Slackware 10.2), se é um bug DA lixeira ou se o KDE simplesmente não aceita um Plasmoid assim e tenha um Plasmoid próprio pra ser Lixeira. Esperar pra ver.

Os programas GTK (testei o Pidgin e o FireFox) também ficaram horríveis no novo ambiente desktop, mas deixo claro que eu não instalei nenhum aplicativo que pudesse gerenciar os softwares desse Toolkit, como GTK-QT-Engine, GTK-Chtheme ou simplesmente instalar metade do Gnome goela abaixo: Apenas o SuSE com KDE 4 cru. Acredito também que a interoperabilidade deveria ter sido melhorada nesse quesito.

O que tive certeza que é um Bug foi que, se eu abrisse um terminal e digitasse halt (ou telinit 3), ele perdia todas as alterações do Desktop. Também aconteceu com um amigo meu, que compilou o KDE 4 no Slackware 12.

Novos Programas

As primeiras diferenças que alguém vindo do KDE 3 para o KDE 4 irá perceber será o Dolphin. Apesar de existir também pro KDE 3 (não vem por padrão, como o GWenview), no KDE 4 o Dolphin é utilizado para ser apenas um poderoso navegador de arquivos, isolando a navegação Web pro Konqueror. O Konqueror continua sendo total-flex, navega na web, navega em arquivos e visualiza conteúdo de algumas coisas. O Dolphin é leve, agradável e intuitivo.

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Assim como o Dolphin, também não faria sentido que o Konqueror fosse “desmembrado” se as imagens e PDFs continuassem sendo abertos nele. Então, surgiram outros programas para suas devidas funções. Pra PDFs foi criado o Okular, um concorrente à altura pro Evince, e pra imagens foi criado o GWenview, também um concorrente legal pro EOG.

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O Konqueror continua existindo feliz e contente com as mesmas funcionalidades, mas acredito que o pessoal do KDE deseje colocá-lo como navegador oficial do ambiente, aprimorando seus recursos e podendo fazer um concorrente KHTML pro FireFox, assim como a existência do KOffice está para o OpenOffice.

O Konsole também ficou mais “inteligente”, e pareceu ter menos recursos. Gostei da alteração, antes as opções eram excessivas, e eu me perdia quando estava usando, ou esquecia de salvar as alterações, quando reabria o programa estava tudo da maneira tradicional.

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Foi incluído um painel de controle próprio do KDE, o System Settings, que aparentemente substituiu o grande, pesado e confuso KControlCenter (não posso confirmar se substituiu mesmo). Ficou leve e eficiente, sendo possível acessar as configurações do KDE de maneira mais prática e bonita. Ficou parecendo o System Preferences, do Mac OS X.

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Infelizmente, não pude testar o AmaroK 2.0. Instalei-o na máquina virtual, e ele ainda não está completamente pronto. Tive problemas com o VMware, e terei que esperar mais um pouco para isso.

O que ainda esperar?

Como a própria equipe falou, essa ainda é uma versão inicial, que ainda não está bem pronta para uso. Ainda quase não existem Plasmoids disponíveis, exceto os que acompanham o KDE. O KNotify foi incluso meio na gambiarra para existir uma área de notificação, mas também será substituída por Plasmoids com o tempo. Também há o Solid, um novo integrador de dispositivos (como o HAL) e que deverá fazer com que os dispositivos funcionem independentes um do outro e sem limitações do fabricante (aquele widget que ta no meu desktop funciona nele). O aRTS também deverá ser substituído pelo Phonon (aleluia!).

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O KDM que veio na distribuição ainda é o do KDE 3. Já deve existir um KDM do KDE 4, se não existe, acelerem pelo amor de Deus. =)

Problemas que tive

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O animal gênio que fez esse LiveCD com KDE 4 atualizou o Kernel da distribuição, mas (ainda?) não atualizou o Kernel-Headers nos repositórios. Moral da história, eu não pude instalar o VMware Tools – ou até poderia, mas ia ter que recompilar o Kernel para gerar os headers corretamente. Não o fiz, pois instalei a distribuição por cima de uma máquina virtual Ubuntu apenas para testar, não para usar em definitivo. Acabei sem VMware-Tools, e impossibilitado de testar o som, ver efeitos visuais e compartilhar minha /mnt/Mp3 do Fedora. Só deu mesmo pra conferir as novidades.

Conclusões e Agradecimentos

Agradeço ao amigo Vinicius por diversos esclarecimentos dos “novos conceitos” e dicas sobre o desktop. O KDE 4 está extremamente leve, bonito e com outro Look n’ Feel. E, se o Gnome não se cuidar, provavelmente lá pelo KDE 4.1 ou KDE 4.2 eu estarei fazendo as malas!

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