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Retrodesastre

Uma explicação técnica sobre o amarelamento dos plásticos antigos e as reações químicas envolvidas. Além d'uma história de vergonha pessoal.

12/07/2013 às 8:30

Um dia desses fui visitar minha esposa no laboratório da universidade e enquanto ela terminava os ensaios em que estava trabalhando, fui dar uma conferida nos brinquedinhos dela (hey, tire a minha esposa dos seus pensamentos sujos). Coisinhas lindas de laboratório como frascos de tudo que é tipo e tamanho, câmaras herméticas, pipetas, coisas que qualquer cientista louco adoraria.

Aproximei-me de um equipamento que estava pingando uma solução e como um verdadeiro PhD em burrice toquei minha mão na ponta da coisa que parecia pingar água, afinal era transparente. Era ÁCIDO SULFÚRICO. Por sorte a moça é prendada e soube o que fazer na hora para neutralizar a queimadura, mas a lição ficou para o resto da vida: ao lidar com produtos químicos nunca, NUNCA, NUNCA MESMO mexa em qualquer coisa sem ter ABSOLUTA certeza do que aquilo pode fazer.

Essa pequena historinha serve de introdução para deixar claro que alguns dos experimentos relatados nestes posts podem te ferir. Por Deus, algumas PODEM TE MATAR. Estou falando sério. Nem continue a ler se você é do tipo lambão. Aquilo ali acima vai parecer brincadeira de criança perto do estrago que respirar gás sulfúrico faria com seus pulmões.

Eu sei, eu sei...

Eu sei, eu sei...


Vamos começar pela parte simples. O plástico ABS por si só é um copolímero muito estável quimicamente, seria preciso muita pressão ou alta temperatura para ele sofrer degradação e como aprendemos no último artigo, o vilão é na verdade um dos componentes usado na formulação do plástico chamado Bromina. Ao contrário do que algumas pessoas parecem acreditar, a Bromina é adicionada à mistura do ABS como retardante de chamas, não se trata de uma camada que recobre a peça já moldada.

O efeito de amarelamento ou envelhecimento ocorre quando a Bromina reage com o oxigênio e com a radiação ultravioleta, para nossa sorte e azar do plástico, duas coisas abundantes no nosso meio-ambiente. A reação química exata pode ser vista neste artigo, mas para resumir, a radiação UV enfraquece as ligações moleculares entre a bromina e o plástico ABS, criando radicais livres de bromina. Estas moléculas livres reagem com o oxigênio do ar recebendo um elétron dele para ficarem estáveis do ponto de vista atômico. Estas novas moléculas é que dão a cor amarelada ou até marrom em casos muito extremos, para os plásticos velhos.

Não dá pra fazer muito para evitar este processo, uma vez que os componentes químicos que desencadeiam o processo estão dispersos no meio ambiente e mesmo plásticos guardados longe da luz ultravioleta podem sofrer este tipo de ação. Outros ainda que expostos não sofrem este efeito ou mesmo sofrem, mas de uma forma bastante reduzida, o que evidencia que existem diferentes compostos e misturas plásticas que podem afetar o coeficiente de degradação.

Uma boa dica para tentar prevenir o amarelamento seria utilizar protetores de luz ultravioleta nos plásticos. Existem sprays automotivos com esta finalidade, mas devem ser aplicados pelo menos a cada duas semanas, então é de difícil manutenção. Agora vamos à parte divertida: explodir coisas. NÃO, esse é outro experimento. No próximo artigo, vou demonstrar as três receitas que testei na prática para vermos qual delas tem o melhor efeito e qual delas pode nos matar.

Vídeo Meramente Ilustrativo

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