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Cientistas desenvolvem protótipo de defletores para futuras naves interplanetárias

Uma das partes chatas da exploração espacial é que o Universo, apesar do que dizem os fundamentalistas, não foi feito pra humanos. Ele é claramente hostil, e um dos maiores problemas é radiação. Felizmente há gente trabalhando nisso…

04/07/2013 às 6:11

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Como Khan descobriu orbitando Regula 1, escudos são importantes, e a ausência deles pode acabar com seu dia. mas há uma função para escudos em uma nave espacial que vai além de proteger contra torpedos lançados por James T. Kirk, renegado e terrorista (estou numa vibe klingon hoje): Desviar partículas de radiação cósmica.

NOTA AOS PURISTAS: EU SEI que a rigor escudos são usados para combate e que a proteção contra detritos e radiação é feita pelos defletores, mas não vamos complicar desnecessariamente.

Em verdade radiação no espaço é um problema bem maior que os Borg, pelo menos enquanto estão no Quadrante Delta. A dose ANUAL de radiação que recebemos do Universo na superfície da Terra é de 0,4 mSv. Depois que saíram da proteção de nosso campo magnético, os astronautas do projeto Apollo foram expostos a 1,2 mSv. POR DIA.

1 mSv ainda é muito pouco, trabalhadores na indústria nuclear por Lei não podem ser expostos a mais de 50 mSv por ano, o que significa que 50 dias no espaço não causariam problema, mas a maioria das missões durará bem mais que isso, e as doses podem aumentar, o Universo é meio imprevisível.

isso não é bom. Radiação ionizante em geral é ruim, e tira um pouco o entusiasmo de chegar a Marte, sabendo que você tem poucos dias de vida ou, na melhor das hipóteses vai ter filhos esquisitos.

Um dos meios de proteger uma nave contra esse tipo de risco é kibar a Terra (conheço um blogueiro que osgarmou ao ler isso) e criar uma magnetosfera, que funciona como um escudo defletor. A líder na área é a Dra. Ruth Bamford, do Rutherford Appleton Laboratory, no Reino Unido.

Em um trabalho ela e sua equipe (cuidado, PDF) estudou a formação de mini-magnetosferas na Lua, capazes de desviar vento solar e formar redemoinhos na superfície do satélite. Extrapolando os resultados criaram um experimento em um túnel de vento de plasma supersônico onde um objeto era eletrostaticamente carregado, defletindo as partículas ionizadas atiradas em direção a ele.

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Qualquer semelhança é mera coincidência, a forma do objeto foi escolhida aleatoriamente, claro.

Esses escudos protegeriam os astronautas da maioria dos raios cósmicos, mas nada poderiam fazer contra as partículas de altíssima energia, como a Partícula de Ai Meu Deus, observada em 1991.

Viajando a 0,9999999999999999999999951 c; é a coisa mais próxima da velocidade da Luz já registrada, fora luz. Sua energia era 100 milhões de vezes maior do que qualquer coisa que nossos aceleradores de partículas conseguem produzir. Em termos de energia cinética, ela era –lembre-se que falamos de uma partícula subatômica- equivalente a uma bola de tênis viajando a 100 km/h.

Nesse caso, esqueça escudos, a única coisa capaz de proteger o astronauta é uma Bíblia. De chumbo, com algumas dezenas de metros de comprimento. Felizmente essas partículas são raras, tanto que ninguém na Terra nunca foi atingido por uma. E não, nossa atmosfera não nos protegeria também.

Fonte: O lab.

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