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A incrível história do caçador de desenvolvedores japoneses e o designer de Castlevania que sumiu

John Sczepaniak anuncia livro com mais de 100 entrevistas com desenvolvedores obscuros japoneses, e relata caso do designer do Castlevania original que permanece desconhecido

03/07/2013 às 9:30

Castlevania

Quando o mercado de games engatinhava no Japão, muitos desenvolvedores e compositores trabalharam criando games e compondo como um trabalho temporário. Muitos não viam futuro na indústria, que era bem incerta e insegura, e alguns desses saíram do meio há muito tempo e não se ouviu falar mais deles.

O mercado de games era visto como um ramo menor e até mesmo não era considerado trabalho pela sociedade japonesa. Muitos sumiram para seguir carreiras tradicionais, e essas estão entre as melhores histórias que o escritor britânico John Sczepaniak está compilando para o livro "The Untold History of Japanese Game Developers", projeto que reunirá mais de 100 entrevistas com desenvolvedores obscuros em 9 anos de trabalho, e cujo projeto ele conseguiu financiar via Kickstarter.

Sczepaniak já coleciona histórias saborosas sobre como conseguiu encontrar alguns desenvolvedores, como o criador do game Kagirinaki Tatakai, Hiroshi Ishikawa. Segundo ele, Ishikawa o criou adolescente, quando a Enix publicava games feitos em casa. O jogo foi lançado para o computadorer Sharp X1 e Ishikawa ainda desenvolveu mais um game, Brain Breaker, e depois desapareceu. Rastreá-lo com apenas o nome e uma foto de mais de vinte anos não foi fácil, mas ele eventualmente chegou a Ishikawa, que hoje é professor universitário. A entrevista estará presente no livro.

Porém a história mais curiosa é uma não concluída: identificar o designer da versão original para NES do primeiro Castlevania. Devido a uma piada da Konami, ninguém foi creditado no game, onde seus nomes foram substituídos por variações de nomes consagrados da literatura e do cinema de terror. A única identificada posteriormente foi a compositora Kinuyo Yamashita, creditada como "James Banana". Castlevania foi seu primeiro trabalho e ela compôs trilhas como as de Mighty Morphing Power Rangers e Mega Man X3, ambos para Super NES.

Sczepaniak diz que devido a essa brincadeira, ele precisou de um contato na Konami para elaborar uma lista de prováveis candidatos. Com isso ele conseguiu rastrear uma patente alegada por um desenvolvedor que trabalhava na Konami na época, e o documento continha um endereço, ainda que sem o CEP. Ele enviou cinco cartas para ele, cada uma com um código de área possível, e não recebeu resposta. Como o endereço tem mais de 20 anos, o mais provável é que ele tenha se mudado há muito tempo.

Ainda assim, Sczepaniak diz que seu trabalho não é tão difícil na maioria das vezes. Como ele já conhece uma boa quantidade de desenvolvedores japoneses, eles o ajudam a encontrar alguns sumidos, além de um amigo que possui uma coleção de revistas dos anos 80, que o ajudou com algumas referências e nomes. Até mesmo quando ele anunciou o livro, vários desenvolvedores o procuraram para serem entrevistados. Mas há todo um trabalho investigativo envolvido, já que o criador de Castlevania e outros permanecem sumidos sem quaisquer pistas, o que é uma pena.

Quem deseja adquirir o livro deverá esperar até o ano que vem quando ele será efetivamente lançado, já que a campanha no Kickstarter já se encerrou.

Fonte: Siliconera.

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