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PRISM, Snowden e controle de danos

Segundo a Agência de Segurança Nacional (NSA), dezenas de ataques terroristas foram evitados nos Estados Unidos graças ao PRISM.

13/06/2013 às 14:02

Em tempos de Cloud Computing pode-se dizer que toda empresa de tecnologia se tornou uma vítima da delação de Edward Snowden, ao afirmar que a Agência Nacional de Segurança dos EUA monitorava informações com colaboração da Microsoft, Facebook, Yahoo e outros.

A acusação não só coloca as empresas citadas na berlinda, como demonstra uma vulnerabilidade na estrutura em si. Se meus dados estão online em um Datacentre, quem impede que o governo chegue e fuce meus bancos de dados? O efeito-cascata destrói a credibilidade também das empresas associadas a esses fornecedores, em uma bola de mer neve sem-fim.

Apesar da interpretação inicial parece que a monitoração não é geral nem em tempo real. Dada a exigência computacional disso, tendo a acreditar, mas não importa. TODAS as empresas envolvidas negaram veementemente qualquer colaboração com as agências de espionagem fora do âmbito legal e restrito, mas convenhamos, você acredita no Zuckerberg?

Tendemos a desconfiar de gente em posição de poder, ainda mais gente que sabe quem cutucamos no Facebook. Mesmo que as empresas sejam absolutamente inocentes (“ninguém é inocente” — Elektra) ninguém vai acreditar nelas.

Agora a NSA saiu em defesa própria. Testemunhando junto ao Congresso o diretor da agência, General Keith Alexander afirmou que dúzias de ataques terroristas foram evitados com o uso de informações de metadata retiradas de monitorações telefônicas.

É uma afirmação ousada, mas inútil. MESMO que ele esteja falando a verdade, um ato não-ocorrido não tem o mesmo efeito emocional que um ato ocorrido. Tropeçar e quase cair na frente de um caminhão te faz sentir um idiota mas não afeta como se tivesse realmente caído.

Evitar o próximo 11 de Setembro funcionaria se fosse algo mostrado como um episódio de 24h. Ninguém reclama do Jack Bauer torturador, mas quando toda o risco existe apenas no plano teórico, fica complicado justificar as ações tomadas.

Ninguém gosta de ser espionado, mesmo quem acredita na máxima quem não deve não teme. O desafio é coletar informações sem que essa coleta seja percebida. Isso vale para a CIA, quando instalou uma câmera na máquina de Xerox da embaixada russa em Washington nos anos 70, e vale para a NSA fuçando telefones nos Anos 2010.

Não importa o objetivo, não importam os resultados. Se uma operação de inteligência se torna pública, ela fracassou e deve ser interrompida. sob pena de que os responsáveis caiam em desgraça — ou pior — a Kathryn Bigelow faça um filme da história.

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