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Estacionamentos robóticos podem ser a solução para bicicletários e dilema urbano

Cidades desenvolvidas buscam soluções para espaço urbano e melhor armazenamento das bicicletas.

12/06/2013 às 18:03

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Alguns me chamam de ingênuo, outros de otimista demais, mas o fato é que eu ainda sonho em ver (pelo menos) as capitais brasileiras desenvolvidas a ponto de se tornarem amigáveis aos ciclistas, incentivando as pessoas a pedalarem em vez de dirigirem.

No meu ponto de vista, esta é uma mudança que deve partir primeiro dos gestores públicos, com áreas protegidas e satisfatórias para este tipo de transporte, bem como a segurança pública necessária para incentivar a pessoa a deixar o carro em casa. Sim, eu dou total razão aos que me chamam de ingênuo ou otimista demais, não os culpo.

Bem, enquanto isso é apenas um sonho no Brasil, em outras cidades do mundo essa é uma realidade presente no dia a dia de muitas pessoas. Tanto é que isto passou a gerar mudanças nos costumes dos moradores e discussões sobre as melhores formas de lidar com as bicicletas.

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Recentemente o editor da Forbes Frederick E. Allen publicou um artigo sobre isso. O sistema é muito interessante, no qual paga-se uma taxa anual de US$ 95, e que dá direito a utilizar as bicicletas quantas vezes você quiser por dia, desde que cada locação não ultrapasse 45 minutos de duração. Como existem vários pontos de retirada e entrega, principalmente próximos aos metrôs e estações de trem, dá pra pedalar bastante de um lado para o outro e fazer disso o seu principal meio de transporte.

A prefeitura se encarregou de criar novas faixas exclusivas para pedestres e muitas pessoas adotaram o sistema, que é um pouco parecido com o que fizeram no Rio de Janeiro. Mas ao contrário do sistema carioca, as pessoas não roubaram as bicicletas forçando os organizadores a suspenderem o projeto por três meses. 🙁

O sistema atual do Rio passou por diversas alterações, está mais seguro e funciona bem, mas é triste perceber que ainda existam indivíduos que não sabem dar valor aos benefícios que recebem.

Em outras cidades dos EUA, Europa e Ásia, os problemas são outros: A construção civil demanda espaço e os bicicletários estão atrapalhando. Além disso, como a demanda é muito grande, ficou complicado atender todas as pessoas, principalmente pela forma na qual as biciletas são guardadas. Em Washington DC, por exemplo, existem vários deles, em configuração mais antiga, e realmente é muito gostoso pedalar pela capital do país, mas a proporção de vezes que você se decepciona ao não encontrar uma bicicleta disponível é grande.

Por isso, passou-se a discutir meios mais eficientes de armazenamento das magrelas. Bem, em algumas localidades da Europa, Japão e China, o estacionamento de carros em torres verticais e galpões subterrâneos tem sido utilizado há anos, e nos EUA isso tem crescido muito também. É deste modelo que surgiu a ideia de estacionamentos robóticos de bicicletas.

Abaixo vamos conferir cinco projetos com esse intuito, com sistemas inovadores, que ocupam menos espaço no tecido urbano, deixam as incorporadoras imobiliárias felizes, e permitem a retirada e entrega das bikes de uma forma mais rápida e precisa:

Meckenbeuren, Alemanha

A E-Bike Mobility é uma empresa alemã que constrói sistemas robôs de armazenamento de biciletas por toda a Europa. Alguns pontos são alimentados por painéis solares e podem guardar até 112 unidades. São construídas sempre perto de estações de trem e metrô.

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Hradec Králové, República Tcheca

A versão Tcheca da torre robótica armazena até 117 bicicletas por vez, com uma engenharia diferente, com blocos exagonais e encaixe vertical por dentro das estruturas internas. Custa aproximadamente R$ 0,50 para deixar sua bicicleta aqui.

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Jiyugaoka, Tóquio, Japão

Os preços dos imóveis em Tóquio são incrivelmente altos, e há tempos eles implantaram um sistema de manobrista de subsolo. Chama-se Eco-Cycle, no qual os membros pagam uma taxa para fazer uso deste modelo de armazenamento robótico. É como se fosse uma torre debaixo da terra, com quarenta andares e encaixe preciso.

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[youtube http://www.youtube.com/watch?v=tOokxGbyufM&w=640&h=360]

Washington, D.C., Estados Unidos

Este sistema eu já fiz uso e existe na cidade há dois anos. Não é lá uma solução robótica, mas nestas centrais com formato de concha são certamente um passo em direção de algo mais eficiente.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=7bHO62qI1qM]

Seul, Coréia do Sul

Este ainda é um conceito que oferece um sistema de armazenamento vertical, utilizando a estrutura de prédios que já existem. O protótipo venceu uma recente competição sul-coreana que buscava ideias de melhorar a infra-estrutura dos bicicletários do país. Ele é modular, e poderia ser encaixado mesmo entre os menores espaços urbanos. É movido a um gerador de pedal, e os designers afirmam que a manutenção custaria apenas US$ 15 por ano. Segundo os jurados da competição, este é um protótipo que está muito próximo de se tornar realidade por ser de fácil implementação.

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São ideias plenamente aplicáveis e que resolvem os dilemas apresentados. E eu adoraria que eles fossem um problema nas nossas cidades. Quem sabe um dia? 🙂

Fonte: Amusing Planet e Eltis.

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