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Para onde vai o fixo?

Apesar de já ter sido artigo de luxo, o telefone fixo é cada vez mais algo de nicho no Brasil, com 22 linhas para cada habitante, perdendo e feio para os celulares. Será que hoje em dia existe motivo para manter uma linha fixa em casa?

10/06/2013 às 12:43

Adquirir uma linha de telefone fixo no Brasil já foi sinal de status, pois elas eram caras, raras e disputadas, e mesmo assim pessoas esperavam em filas enormes para comprar o direito de pagar por suas ligações. Tinha gente que até alugava essas linhas como negócio (e era muito lucrativo!) e se você vendesse seu imóvel com uma linha telefônica, ele valorizava bastante. Mas com o advento dos celulares, sua popularização, sua maior abrangência e facilidades, a velha linha fixa está perdendo espaço.

Um estudo realizado no ano passado nos EUA apontou que 35,8% das casas americanas já eram “Cell Only”, ou seja, seus habitantes possuíam apenas celulares. Além disso, outros 17% diziam ter a linha fixa em casa, mas não a usavam, por só realizar e receber chamadas nos seus devices móveis. É mais da metade do país que não tem, ou não usa, telefone fixo. E a tendência é que esse número diminua cada vez mais.

Telefone Sixty Retro da Sagemcom

Os números do Brasil já são bem conhecidos, temos 132 celulares para cada 100 habitantes e apenas 22 linhas fixas para cada 100 habitantes, ou ainda: 261 milhões de linhas móveis contra 44 milhões de linhas fixas. Essa diferença é bastante lógica quando entendemos que, em uma casa com 5 pessoas, temos no mínimo 5 celulares e apenas uma linha fixa, ou nenhuma.

O fato é que o celular popularizou e até mesmo barateou a ligação. Hoje, dessas 261 milhões de linhas, quase 80% são da modalidade pré-paga, que representam um gasto mensal (geralmente) baixo. E mesmo se jogarmos as linhas pós pagas na conta, o ARPU (Average Revenue Per User, ou receita média por usuário) de telefonia móvel no Brasil fica em torno de R$20 mensais por usuário. Se compararmos com a linha mais básica de telefone fixo, o pacote gira em torno de R$29 mensais. O telefone fixo já é até definido por especialistas financeiros como um dos itens que a gente paga mas não usa.

Ainda existem razões para manter o telefone fixo, mais por obrigação do que por preferência é verdade, mas ainda assim devem ser listadas:

  • Economia: Esse é bem relativo, como acabei de colocar acima, muitas vezes o fixo é uma linha que fica parada em casa e pagamos todo mês a franquia sem usá-la. Porém a landline, em comparação com o celular, ainda tem tarifas bem menores para usuários que vivem pendurados no telefone. As empresas de telefonia, vendo que as pessoas estão perdendo o interesse por esse produto, que ainda gera uma boa fatia da receita dessas companhias, começaram a lançar planos mais baratos, com DDD livre, ligações ilimitadas entre fixo e até mesmo benefícios para ligar para celulares, geralmente em parceria com alguma empresa de telefonia móvel. Empresas, consultórios, escritórios e o comércio em geral dependem muito da linha fixa, tanto para entrar em contato com clientes e fornecedores, quanto para receber ligações destes.

  • Combos: Essa prática de certa forma abusiva das companhias de telefonia e internet fixa ainda faz muita gente pagar por franquias sem usá-las, só porque são obrigadas a ter uma linha fixa para poderem ter internet fixa ou TV por assinatura em casa. Você até pode contratar a internet sem o fixo, só que o preço distorcido desse serviço sozinho chega a ser mais caro do que se você aproveitar a super promoção do combo. É um esquema de venda casada, que é proibido pelo nosso Código de Defesa do Consumidor, maquiado para que as empresas não sejam punidas e possam continuar a comercializar seus serviços dessa forma. Acredito que isso só vá mudar se a ANATEL resolver intervir de fato nessa questão, regulamentando preços base para serviços separados, ou quando uma das empresas fugir do esquema de cartel e oferecer só a internet por um preço justo, obrigando as concorrentes a fazer o mesmo.

  • Segurança: Muitas pessoas ainda mantém sua linha fixa porque ela está diretamente conectada ao sistema de alarme e monitoramento da casa. Apesar de já existirem outras formas de conectar esses sistemas de segurança, o mais tradicional e menos caro é usar a linha fixa. E se com todas essas medidas de segurança ainda somos assaltados frequentemente, quem vai se arriscar em desligar o alarme só para economizar no fixo?

  • Conveniência: Uma das razões que mantém muitas linhas fixas ativas é o fato dela existir há muito tempo, ser divulgada amplamente entre familiares, entre esses alguns que moram longe e não possuem contato direto de outra forma. Muitos estabelecimentos utilizam linhas fixas para realizar cadastros, então escolas, médicos, agências de cobrança e de telemarketing usam a linha fixa para te achar, o que muitas vezes é chato, às vezes pode ser importante.

Apesar de não acompanhar o crescimento exponencial do celular, a telefonia fixa ainda tem fôlego para sobreviver por um bom tempo. A tendência é que cada vez mais as casas venham a ser “Cell Only”, principalmente quando os filhos começarem a sair da casa dos pais e não contratarem uma nova linha fixa em sua nova casa. Outro concorrente forte que o fixo pode enfrentar é o VoIP, lá fora muitas casas contrataram esses planos que se mostraram a ser mais econômicos, porém, por depender de uma conexão com a internet, o VoIP não decolou no Brasil.

Vale a pena pegar suas últimas faturas do telefone fixo, ou do seu combo, e analisar qual sua franquia de fixo, ver quanto está sendo utilizado e negociar com a sua operadora algo mais de acordo com o seu perfil. Muitas já comercializam pacotes com uma franquia básica, ou até mesmo sem franquia, onde você paga o quanto usar e se usar.

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