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O perigo dos dias que virão

03/12/2007 às 11:15

Algumas tecnologias são inerentemente ruins. Napalm, Gás mostarda, karaokê, assim que inventados a gente já sabia que não iria dar em boa coisa. Outras são inventadas com propósitos nobres, mas têm seu uso desvirtuado, como a energia nuclear e a dinamite.

No caso das molduras digitas, temos uma tecnologia que veio para resolver um problema que ninguém tinha. Quando escolhemos uma foto para decorar nossa casa, ou nossa mesa de trabalho, é sempre uma foto especial, que gostamos de olhar. E ninguém tem 50 fotos especiais. Mesmo que tenha, você passa a ter uma chance em 50 de olhar para a moldura e ver sua foto preferida, entre outras.

Quando essas coisas se popularizarem (e já há versões "nacionais", da Leadership/Goldship) prevejo um futuro tenebroso, com paredes cheias desses trambolhos, mesas com fotos mudando continuamente, em uma sinfonia distorcida de pura poluição visual.

Sem esquecer que a maioria toca MP3 ("Aperte para ouvir o primeiro choro do Cléverson Carlos") e vídeo ("O Parto da Clarice") ou algo assim.

A explicação aqui é científica. O olho humano é atraído por movimento. Isso vem do tempo em que qualquer sombra se mexendo podia ser um predador que iria comer a gente. Muito movimento é estressante, não dá para relaxar em uma sala cheia de imagens mudando nas paredes. Duvida? Coloque um notebook passando um filme, em silêncio, no limite da sua visão periférica, e tente se concentrar na televisão.

Então vejamos: Popularização de câmeras digitais + consumidores sem-noção + molduras digitais com preço acessível = Inferno na Terra.

É só esperar.

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