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O Stallman está certo: Programa tem que rodar na máquina

23/11/2007 às 13:34

Uma das coisas que Richard Stallman odeia é a moda da Web2.0, de todo mundo comprar computadores de US$5.000 e usá-los como terminais burros IBM de 1978.

Eu concordo com ele.

Quando poder de processamento era algo caro e raro, fazia sentido ter computadores enormes e distantes, acessados via terminais. Quando os computadores baixaram de preço, e se tornaram poderosos, todo mundo migrou para o desktop, os servidores eram repositórios de dados, não de CPU. Com isso tivemos a Era de Ouro da informática, com Lotus 1,2,3, MS Word, Wordperfect, Ventura, Printshop, e os games.

Os computadores eram isolados, mesmo em empresas. Protocolo de comunicação era o DPLDPC.

As redes trouxeram o melhor de dois mundos: Servidores parrudos cuidando do armazenamento e segurança de dados, desktops parrudos rodando aplicações parrudas, todos rápidos e felizes.

Com a Internet surgiram os primeiros problemas; ao invés de links dedicados, as empresas passaram a usar links genéricos. Com isso você chegava a casos extremos, onde 40 filiais tinham dificuldade em se comunicar com a matriz, pois um corno passava o dia inteiro baixando distros Linux e lotando o link de 512K. (caso verídico, mas ele não vai se acusar)

Mesmo assim, a solução era satisfatoriamente fechada. servidor da empresa, micros da empresa, só o link era de terceiros.

Hoje, a Amazon vende espaço de armazenamento, o Google vende gmail para empresas, e todo mundo acha o ó do borogodó guardar seus documentos no Google Docs, seus emails no GMail, seus filmes no YouTube, suas fotos no Flickr, suas músicas no eMule (sério, tem gente que usa como backup. Sobe um zip, deixa o pessoal baixar por uns dias, depois apaga a cópia local).

Programas locais? Pra quê? O pessoal troca uma aplicação local cheia de recursos por uma on-line, limitada. Desculpe, GMail, mas você ainda tem muito o que crescer para chegar a um Eudora, que você matou. Na parte das planilhas, tente abrir uma planilha de 7000 linhas no Google Docs. Eu tentei. É triste.

Mesmo assim, temos até EDITORES DE VÍDEO na web. Faz favor, mesmo no desktop já é algo complicado, fazer isso num browser? Daqui a pouco teremos uma versão do Apache em DHTML/AJAX rodando no Firefox.

Richard Stallman já se manifestou contra isso. Afinal, você está confiando seus dados pessoais, íntimos e intransferíveis a uma empresa que, a rigor, não tem nenhuma responsabilidade final sobre eles. Leia a licença. São todas igualmente no estilo "tirando da reta".

Stallman diz que se você tirar a conexão de rede, você não tem nada. É verdade. Stallman é do tempo em que computadores se viravam sozinhos, não dependiam de rede para trabalhar. Pombas, de que adianta ter um notebook de US$10K se seus arquivos estão inacessíveis, via um link Internet que acabou de cair?

A idéia de manter cópias online é boa, excelente, mas deveriam funcionar como backups, no estilo Pastas de Sincronização, como o recurso que o Windows 95 tinha e NINGUÉM usava.

Eu sei que em empresas a melhor frase possível é "caiu a rede", pois desce todo mundo pra padaria enquanto um corno tenta descobriu o que aconteceu, mas e o indivíduo? Ao colocar seus arquivos em um servidor remoto, você está ampliando os pontos de falha, e dando mais chances ao azar.

A tendência, felizmente, está se revertendo.

Com as tecnologias "híbridas" como a Silverlight da Microsoft e a Flex, da Adobe, as aplicações estão voltando para o desktop, rodando on e OFF-line. Com isso os dados voltarão também, e mesmo que a "cópia backup" seja a do seu desktop, ainda assim você poderá continuar trabalhando, se sua Internet cair.

Mais ainda, você ainda continuará trabalhando, se o prédio com servidor onde seus dados estão cair.

E se você acha que essas opiniões é típica de um dinossauro com pretensões messiâncias, favor identificar se está falando de mim ou do Stallman.

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