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Star Wars: foguete comunista soviético atinge satélite equatoriano

Azar pouco é bobagem. Lançado dia 25/4 primeiro satélite do Equador é atropelado, sem a menor cerimônia, por restos de um foguete soviético...

26/05/2013 às 21:57

Confesso, esse iria ser um texto sacaneando o Equador, afinal é fácil fazer piada com um país do tamanho da cozinha do Eike Batista e com PIB que vem em vale-transporte, mas depois que a gente começa a ver a história por trás do evento, fica com pena.

O país tem um PIB menor que a cidade de São Paulo, é cercado de gente que não é muito fã, tem problemas com guerrilhas e até se meteu num arranca-rabo com o Peru que o Brasil teve que entrar no meio e mandar todo mundo pra cama sem sobremesa.

Mesmo assim eles se estão correndo atrás e investindo em ciência. Parte desse investimento foi aplicado no NEE-01 Pegaso, o primeiro satélite equatoriano. Não é nada revolucionário, não vai tornar a ISS obsoleta, mas ainda assim foi um marco para eles.

O Pegaso é um nanossatélite, um cubo de 10 cm de lado, com painéis solares, câmeras de luz visível e infravermelha, foi lançado dia 25 de abril por um foguete chinês. Criado pela Agência Espacial Civil Equatoriana, com verbas governamentais, o bichinho virou sensação na mídia local, escolas no país todo fizeram eventos para as transmissões, e os vídeos então… OK, tema de 2001 é meio exagerado, mas eles fizeram algo que pouca gente fez:

Transmitindo vídeo de órbita, com o hino nacional em loop, o Pegaso teve vida curta. Foi alvo de um covarde e não-provocado ataque por parte da União Soviética. Sem que os responsáveis equatorianos soubessem, seu pequeno satélite estava em rota de colisão com os restos de um foguete soviético S-14, usado para lançar sabe-se lá o quê (dica: Space Cowboys) e que estava desde sabe-se lá quando orbitando a Terra, em uma nuvem de lixo.

Essa nuvem atingiu de raspão o pobre Pegaso, que começou a girar sem controle e não responde mais a comandos de terra. Como não conta com propulsores além de rodas de reação, é improvável que ele consiga se estabilizar de novo.

Os russos, claro, não tomaram conhecimento, deixando o programa espacial equatoriano chupando dedo.

Mesmo assim nossos nobres irmãos latino-americanos não ficarão parados. O gêmeo do Pégaso, o Krysaor já está pronto e será lançado em agosto. Ironicamente, da Rússia. Boa sorte pra eles, que preferiram levantar, sacudir a poeira e seguir em frente, ao invés de ficar inventando desculpas, como certos programas espaciais que conheço…

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