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Onde estão e para onde vão os designers ?

13/11/2007 às 1:53

Não sou designer. Começar o artigo assim pega até mal, dá a impressão que estou simplesmente querendo fugir das típicas piadas que tanto perturbam os designers e arquitetos. Na verdade estou apenas me justificando caso os designers lendo este artigo encontrem alguma pequena (ou grande) falha.

Desde a popularização da internet o design gráfico de muitos sites tem sido feito com muita eficiência (ou talvez não) pelo filho do vizinho.

O que um designer precisa realmente saber para fazer bem seu trabalho ?

- Entender o efeito psicológico das cores e combinações de cores sobre os indivíduos 6-web-designer

- Entender o efeito psicológico das formas e combinação de formas sobre os indivíduos

- Entender o efeito psicológico das fontes de letra sobre os individuos

- Entender o efeito psicológico do alinhamento, tamanho e organização dos blocos de texto sobre o indivíduo

- Saber utilizar o conhecimento acima para atingir o objetivo de uma empresa/site

ZéMané : Mas afinal isso é um designer um um doutor em psicologia ?

Dennes : Pois é, quem mandou estudar ? Se não estudasse podia até ser presidente...

Simples, não ? Observe ainda que deixei de lado as questões sobre bom gosto e dom artístico até mesmo para fugir um pouco das famosas piadas neste artigo.

Ok. Um designer precisa saber disso tudo. E dai ?

Parece óbvio, mas o designer precisa saber juntar isso tudo e gerar o seu trabalho final, o design. Há alguns anos isso era muito simples : Papel e caneta (lapis, ou etc) na mão e o trabalho era gerado. Bem fácil.

Então veio a web. Além de trazer conceitos novos que o designer precisa compreender (fazer o design de um cartaz publicitário não é o mesmo que o design de uma página web) a web trouxe coisas como HTML, DHTML, CSS e problemas Cross-Browser.

Desenhar em papel (ou photoshop) deixou de ser suficiente. Era necessário fazer o design criado se transformar em uma página web. Por algum tempo os programadores aceitaram receber o design e fazer o trabalho pesado com a tecnologia, mas isso foi se afastando cada vez mais. HTML, CSS, problemas Cross-Browser e até um pouco de DHTML para tornar a página interativa se tornaram tarefas que nenhum desenvolvedor gosta de assumir e que espera-se que um bom WebDesigner (já mudou o nome, viu ?) seja capaz de fazer.

Mas ficou nisso ? De forma alguma. A questão complicou-se, e muito. Vamos analisar os atuais elementos desta complexa equação :

DHTML

Quase forçou os designers a terem que aprender programação. Mas salvos pela santa Macromedia ganharam de presente o FireWorks, capaz de produzir efeitos DHTML de forma "automática", sem muito esforço.

Flash

Este nem é uma novidade mais. Mas sim, visto como tarefa de designers. Programador mexendo em Flash ? Blargh! Ah, mas tem o ActionScript ! Pois é, tudo interligado com a interface e o design gráfico, trabalho de designers.

Então agora um designer tem que programar ?

ASP.NET

Trouxe recursos como User Controls, Master Pages e Themes, fora o uso de WebControls com características próprias para design gráfico.

Depois de alguma briga com designers, foi criado o CSS Adapter Toolkit, que se utiliza do complexo conceito de control adapters do ASP.NET para alterar a forma como os webControls são renderizados (pois é, renderização, mais uma questão com a qual os designers precisam lidar), fazendo com que o designer precise analisar cuidadosamente quando utilizar ou não o CSS Adapter Toolkit e as consequencias do uso ou não para a montagem do design.

Mas não se desespere, ainda, eis a solução : Microsoft Expression Web Designer. Como os concorrentes da área gráfica não conseguiam acompanhar a evolução na mesma velocidade, então eis que surge o Expression Web Designer. Com o trabalho focado em ASP.NET, parece a solução para os WebDesigners, pelo menos quando chegar a versão 2 : A versão 1 dá um tiro no próprio pé ao não suportar o trabalho com Themes.

Mas precisa de tudo isso ?

Sim, precisa. Pois as mesmas regras que valem para a codificação de uma aplicação também valem para o design gráfico. Assim como a codificação de uma aplicação faz amplo uso da orientação a objetos para garantir que a manutenção de uma aplicação seja extremamente rápida, na área de design temos User Controls, Master Pages, Themes e até mesmo os complexos Control Adapters (isso para não citar coisa mais complicada) para garantir uma manutenção tão ágil quanto para o design gráfico de uma aplicação.

Então o designer tem ai todo um novo mundo que necessita dominar, isso sem contar quando o programador gera algo por dentro do código e f... a p... toda precisa chamar o designer para ajudar.

ZéMané : Mas é só eu não usar o ASP.NET e deixo de ter esses problemas todos ! 😛

Dennes : Não vou nem comentar a dificuldade de manutenção no layout que você teria. Vou só deixar um link para mostrar que Rails também usa templates e layouts, conceitos diferentes mas igualmente complexos.

MS Ajax (Update : Não conhece ? Veja em Microsoft ASP.NET Ajax )

A web ainda não havia incorporado os recursos trazidos pelo ASP.NET ainda, deixando as empresas em desespero na hora de lidar com design gráfico, quando surge a era Ajax para f... tudo complicar um pouco mais.

A era Ajax, trazendo a Web 2.0, perde o conceito de páginas. Em muitos sites não temos mais apenas páginas, mas pequenas janelas que não são o velho popup, que aparecem e desaparecem com inúmeros efeitos de animação.

Agora vai explicar para um designer que ele precisa não só planejar mas implementar o layout e os efeitos de animação de uma janelinha que vai aparecer no meio de uma página.

O toque final é o fato de que, ao contrário do ASP.NET, as ferramentas para Ajax retrocedem alguns anos no processo de criação de aplicações web, forçando que (designer ou programador ?) voltem a lidar com o que poderíamos chamar de HTML em baixo nível para garantir que tudo saia certo, isso sem contar com o surgimento de um "novo javascript" (no caso do ASP.NET Ajax).

ZéMané : Mas eu não preciso usar o MS Ajax !

Dennes : Não, pode utilizar qualquer framework de Ajax, mas as necessidades do design serão equivalentes.

Windows Presentation Foundation

Aplicações Windows são coisa do passado, não ?

Claro que não !

Aplicações Windows haviam sido deixadas no passado devido a grande dificuldade de distribuição de software em uma grande rede. Porém com tecnologias modernas de distribuição de software tal como o ClickOnce, as aplicações Windows ganharam uma nova vida.

Eis que surge o Windows Vista. Por mais que uma dezena de pessoas vá dizer nos comentários que o Windows Vista não pegou, vocês duvidam mesmo de que ele será uma grande plataforma a médio/longo prazo, considerando especialmente a evolução já ocorrida com os servidores Microsoft ?

Ok, mas porque eu mudei de assunto ?

A questão é que não mudei !

Vocês acham que os clientes, com todas aquelas telinhas bonitas do Windows Vista, vão gostar de uma aplicação windows com aquela tela cinza horrorosa ? Claro que não, né, santa!?

É neste ponto que entra o Windows Presentation Foundation. A Microsoft levou para o ambiente Windows a separação de código e design existente no ambiente web. Desta forma agora podemos ter o design da aplicação feito como uma escrita chamada de XAML enquanto que o código da aplicação permanece na linguagem que escolhermos. Vejam o vídeo e babem :

A primeira vez que levei o WPF a sério entendi a complexidade do WPF foi em uma apresentação de meu amigo Miguel Ferreira em um TechEd de alguns anos atrás. Quando no meio de uma das demonstrações, Miguel colocou o polegar para cima para rapidamente explicar os truques manuais para realização de cálculos de geometria analitica para desenhos tridimensionais interativos cheguei a conclusão : Isso não me pertence !

Outros programadores que assistiram a apresentação comigo ficaram com a leve impressão de que seriam trocados por designers. Um exagero, claro, mas afinal, quem vai fazer o design gráfico destas novas aplicações windows ?

Por mais que eu ache o WPF legal, divertido e bonitinho, não sou designer e certamente não pegarei nisso profissionalmente, não na área gráfica.

Eis que surge então o que há poucos anos seria impensável e intraduzivel : Microsoft Expression Blend Designer, uma ferramenta de design gráfico para criar aplicações... Windows !! Veja a demonstração abaixo :

Se já era difícil para as empresas encontrarem no mercado webDesigners capazes de usar os novos conceitos tecnológicos trazidos junto com o ASP.NET, imagine como será para estas empresas encontrarem WinDesigners capazes de fazer amplo uso do WPF na criação de aplicações ?

ZéMané : Bah, isso só funciona no Windows Vista, só vai ser útil daqui a uns 10 anos !

Dennes : Nada disso ! O WPF precisa apenas do framework 3.0 para funcionar, portanto vai rodar em qualquer sistema a partir do XP SP 2

SilverLight

Para o ZéMané que já estava respirando aliviado e pensando "Eu não desenvolvo para windows mesmo..." eis que surge o SilverLight.

O SilverLight é um plugIn para browsers que permite que um sub-conjunto das funcionalidades do WPF seja executado dentro de um browser. Em outras palavras : É uma concorrência direta com aplicações Flash, adicionando-se o fato de que há uma certa linguagem comum (destaque para uma certa) entre as interfaces desenvolvidas para Windows e desenvolvidas para a Web.

Porém o SilverLight se atreve a almejar ir onde ninguém jamais foi : Criar uma aplicação que rode no browser mas que atue também como aplicação desconectada, permitindo ao usuário trabalhar com dados off-line mesmo dentro do browser e atualizar os dados no servidor quando se conectar. Isso começa a ficar claro com a edição do SQL Server chamada de SQL Server Everywhere, renomeada para Compact Edition. O Silverlight e o SQL Server Compact Edition ainda não atingem totalmente este objetivo, mas já se fala de uma Web 3.0

Um comentário que me chamou muito a atenção foi a observação de que no TechEd americano, durante as demonstrações, era difícil distinguir quando o palestrante estava utilizando uma aplicação windows ou quando o palestrante estava utilizando uma aplicação web.

ZéMané : Bah, isso vai rodar só no Windows, não preciso nem me preocupar em aprender !

Dennes : Pode tirar o seu equino da precipitação pluviométrica. Até no Linux vai rodar. Você pode conferir notícias sobre o Moonlight aqui, aqui e aqui . Update (thks Caravana) : Além disso outros browsers já usam o padrão SVG e você pode ver uma demonstração aqui (não funciona no IE)

Sugiro esta fantástica demonstração do uso do Silverlight

XNA

Com o advento da tecnologia XNA, que cria uma ponte entre programação hardcore em C++ com uso de DirectX ou o uso de engines de criação de jogos, a criação de jogos passa a se tornar algo muito mais popular e mais uma vez temos um novo espaço para os designers trabalharem, um espaço complexo que envolve toda a interatividade de um jogo.

E pensar que a tempos atrás isso /\ seria a sua nave pronta para atirar e destruir as naves inimigas.

Surface

Alguém tem dúvida do volume de trabalho - e complexidade - que ele trará aos designers ?

ZéMané : Eu é que não pago US$ 10.000,00 neste troço. Vou ficar distante.

Dennes : E dai ? Veja o artigo da Fabiane e o vídeo abaixo e vai observar que ficar distante não será algo tão fácil, Update : já que tecnologias semelhantes existem independentemente do produto MS

Update (a pedido do Walacy) : Para aqueles que não conhecem deixo também esses vídeos do Surface :

Conclusão

Além do filho do vizinho, que certamente não tem noção da complexidade que a profissão de designer envolve, provavelmente um grande número de designers e webDesigners ainda não se antenou com as possibilidades que o mercado está abrindo.

Com isso, todas as previsões sobre a escassez de profissionais na área de informática para os próximos anos talvez sejam apenas um décimo do que realmente viveremos se acrescentarmos a isso as complexidades trazidas para as novas áreas de design gráfico.

O relacionamento designer x programador tende a ficar cada vez mais complexo, assim como o relacionamento cliente x programador quando o cliente não entende a necessidade de um designer.

A boa notícia é que os designers que penetrarem (no bom sentido), nestas novas áreas neste momento em que a tecnologia ainda encontra-se nascendo dominarão um mercado muito promissor.

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