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Mobile Payment e o jeitinho brasileiro

M-payment: o que pode ser feito para que a tecnologia de pagamento móvel faça sucesso no Brasil?

22/05/2013 às 15:33

Não se fala mais se o m-payment virá ou não para Brasil, mas sim quando e como ele virá. Como acontece com qualquer outra tecnologia, ou inovação, ela precisa ser adaptada para funcionar de acordo com as necessidades e demandas de cada região e população. Já percebemos com outros serviços que simplesmente copiar e colar dos Estados Unidos não costuma funcionar, somos diferentes.

M-Payment

Quando se fala em pagamento móvel, a primeira coisa que nos vem em mente é o NFC (Near Field Communication, ou comunicação por proximidade), aquela maravilha que funciona perfeitamente no Japão e que também está deslanchando nos EUA e na Europa. Você tem seus dados bancários cadastrados no seu celular, de débito e crédito, um aplicativo que gerencia a conectividade desses dados, estabelecimentos credenciados com as maquininhas POS compatíveis com a tecnologia e então é só consumir, encostar seu celular e ir embora. Tudo muito rápido, seguro e prático.

Porém essa tecnologia está engatinhando no Brasil e mesmo em alguns lugares do mundo desenvolvido tem gente que não acredita nela. Entre as restrições para que isso comece de fato a popularizar no Brasil está o fato do tal do NFC estar, a princípio, somente em smartphones de alta gama, não acessíveis a massa da população. Fato que pode ser contornado até com certa facilidade, através do nosso jeitinho brasileiro. Aqui, espera-se que a tecnologia seja implementada primeiramente pelos bancos, emitindo cartões de crédito ou débito já com chips de NFC embutidos (ou até mesmo outras tecnologias de aproximação, como o Mifare, da NXP). Alguns até mesmo falam na possibilidade de uma outra gambiarra: colocar o NFC no SIM-card (famoso chip) das operadoras, dessa forma transformando qualquer aparelho furreba em uma carteira móvel virtual.

Mas nem só de NFC vive o m-payment. Outra forma de pagamento móvel bem sucedida em outras partes do globo é o uso do bom e velho SMS, onde transações e transferências são feitas através de envios de mensagens entre usuários e até estabelecimentos. Essa tecnologia avançada é sucesso no poderoso Quênia, onde a população não costuma ter acesso a bancos e cartões. É interessante observar que no nosso Brasil cerca de um terço da população não tem conta em banco algum, então poder gerenciar seu dinheiro através do celular (que já chegou a 100% da população), é um atrativo pro consumidor e uma grande oportunidade de investimento para as operadoras e também para os bancos. É como se você tivesse simplesmente pudesse pagar suas contas, ou o restaurante, usando seus créditos da operadora.

Parcerias assim já estão sendo formalizadas. A Oi e a Cielo já tem um projeto em andamento de pagamento por SMS e recentemente a Telefônica-Vivo e a MasterCard lançaram uma joint-venture chamada Zuum, que nada mais é que um cartão de débito pré-pago que pode ser recarregado e gerido através do celular, com ele você pode transferir valores e fazer transações bancárias, como o pagamento de contas, por exemplo.

O que todos querem é eliminar cada vez mais o uso da cédula do dinheiro, e também o pré-histórico cheque, formas de pagamento ainda muito usadas nas vendas porta a porta quem acreditem ou não, ainda movimentam cerca de R$30 bilhões ao ano. Pensem na facilidade de uma representante Jequiti (Avon, Natura, Mary Kay e afins) em receber seu dinheirinho através do celular, muito mais controle, segurança e menos calotes e cadernetas de pagamentos fiados.

Outro marco favorável para o m-payment brasileiro decolar foi a regulamentação do pagamento móvel aprovada segunda-feira (20) pelo governo, através da Medida Provisória nº 615, publicada no Diário Oficial da União. Com ela, essa forma de pagamento passa a integrar o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), tudo gerenciado pelo Banco Central.

O pagamento através do celular (smartphone/tablet ou não) com certeza vai vingar. Especialistas afirmam que em até dois anos esse tipo de pagamento já vai corresponder a mais de 50% de todos os pagamentos efetuados. Mas como no Brasil tudo é muito enrolado, talvez seja uma estimativa muito otimista. O brasileiro quer usar a tecnologia, basta colocá-la em circulação, basta ver o crescimento exponencial de brasileiros com contas no PayPal (hoje já mais de 3 milhões de usuários).

Talvez falte um pouco de coragem por parte das grandes companhias. Empreendedores menores como a GoPay e a 2Pay é que estão tomando a frente. Quem sabe depois que alguma delas se sobressair e começar a mexer no bolso dos grandes é que todas vão acordar pra vida, investir e renovar sua forma de pensar.

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