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Problemas no paraíso: OpenDocument Foundation abandona ODF

05/11/2007 às 15:01

Para quem acompanha de fora parece que a briga para definir os formatos-padrão de documentos Office é entre o OpenXML da Microsoft e o ODF, do "resto do mundo", mas não há tanta unidade assim no "resto do mundo".

A OpenDocument Foundation, um dos maiores divulgadores do formato ODF anunciou que está rompendo todos os laços com o ODF, e passará a defender o formato baseado em XHTML, proposto pelo World Wide Web Consortium.

A razão da separação está na posição radical defendida pelos outros participantes do projeto ODF, para o tratamento de componentes de formatação não-reconhecidos.

Segundo os padrões propostos, um documento alienígena, quando aberto em uma aplicação ODF, teria seus elementos mapeados e traduzidos. SE um elemento de formatação não-identificado aparecesse, ele seria eliminado. Digamos que o CardosoOffice 3000 tenha uma tag <iLe>, de Itálico para a Esquerda. Como nenhum formato de documento no mundo reconhece isso, há dois caminhos:

1 - Elimina-se o elemento de formatação. O texto cardoso se vestirá de <iLe>Stallman</iLe> dentro do formato traduzido se tornaria cardoso se vestirá de Stallman. Caso você salve o documento e exporte-o para o formato original, a tag <iLe> estaria perdida.

2 - Cria-se uma tag para identificar elementos não-reconhecidos. O texto viraria algo como cardoso se vestirá de <unknowformat oritype="cardosooffine"><iLe>Stallman</iLe></unknowformat>.

Dessa forma o programa saberia que a tag <iLe> é alienígena, não deveria ser interpretada, mas deve ser mantida como referência ao formato original, e se o documento for exportado para ele, a tag estaria lá.

Aparentemente o pessoal não gostou muito, preferiu manter a pureza do formato ODF, mesmo à custa da compatibilidade. Isso é ruim. Quem não lembra das primeiras versões do StarOffice, que abriam (teoricamente) arquivos de Word, mas melecavam TODA a formatação, e salvar significava destruir horas de trabalho alinhando parágrafos, tabelas, etc?

Importar um formato pela metade é ruim, mas importar pela metade, mantendo o que não entendeu e permitindo que isso seja recuperado é bem melhor que a alternativa.

resta agora ver se o formato do W3 Consortium vai ser o azarão do páreo, ou se a Microsoft vai usar essa saída da OpenDocument Foundation da jogada para apontar o dedo no estilo Nelson Muntz e dizer: "A-HA!"

Fonte: eWeek.com

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