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Dor de Cotovelo 2.0

Pé na Bunda nunca foi algo legal de se levar, mas com as interwebs ficou pior ainda, com nossa vida social se tornando reality show de desocupados (aka nossos amigos)

14/05/2013 às 8:00

ingratacachorracapachadeguerrilheiro

Antes de começar a ler (ok, tecnicamente já começou) vou kibar o Morri de Sunga Branca e fazer um post com trilha sonora. escolha, abra em uma outra aba, dê play e volte pro texto:

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Escolheu seu veneno? Vamos lá então.

Antigamente era mais simples lidar com um pé na bunda. A gente basicamente rasgava a foto da ingrata, jogava o Neruda no lixo — sem ler — passava a faca no disco do Pixinguinha e botava chumbinho na ração do panda de estimação dela. Os amigos tinham a decência de não mencionar mais o nome, e como as turmas em geral tinham pouca intercessão, a vida continuava.

Muito raramente rolava algum climão, mas a menos que vocês estudassem no mesmo colégio, só seria assombrado por suas memórias. Hoje nem de longe é tão simples.

Uma pesquisa do Departamento de Psicologia da Universidade de Santa Cruz (ex Universidade de Vera Cruz e futura Universidade do Brasil) descobriu que os jovens de hoje são muito mais exigidos ao lidar com desilusões amorosas.

O advento das redes sociais tornou tudo muito mais complicado. Antigamente relacionamentos eram pessoais, hoje são públicos. Não existe mais a praticidade de uma gaveta com todas as cartas, bilhetes, papéis de bombom, folhas secas e outras lembranças acumuladas durante um namoro. Espalhamos nosso infinito enquanto dure pelos 8 cantos da internet. Depois, começa o controle de danos.

A pesquisa mostrou que há basicamente três grupos de pessoas:

Grupo 1 — Tou Nem Aí

O primeiro não está nem aí. Deixa fotos, vídeos, posts de blog, comentários, tudo online. Capaz de nem dar block na desalmada. Esses não ligam se os amigos ficarem perguntando da fulana, não duvido que sequer mudem o status de relacionamento no Facebook, se é que chegaram a mudar quando começaram.

Grupo 2 — Morte Ao Passado

Esse grupo se afasta de qualquer lembrança. Chamam a ex de “Aquela Que Não Deve Ser Nomeada” e apagam sem dó todos os vestígios online de sua existência, na impossibilidade de deletá-la na vida real. Costuma sobrar até para amigos em comum.

Grupo 3 — Reescrevendo o Passado

Os membros do terceiro grupo percorrem suas redes sociais editando e removendo conteúdo, mas mantendo parte dele online. Não ficou claro se eles mantém as boas lembranças e apagam as ruins, ou fazem o contrário.

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O grupo que mantém todo o conteúdo no ar é o que levou mais tempo para se recuperar da separação. Já os que removeram tudo foram os que mais apresentaram arrependimento posterior.

Sendo realista todo mundo acaba fazendo parte dos três grupos, depende da situação, mas a internet complica. Antigamente era possível brigar em private, hoje o sujeito bate boca online, sobe sex tape, sai postando calúnias (ou não) da ex em tudo que é página do feici. Aí se arrepende e não tem como voltar atrás. Mulheres tendem a não curtir muito um bom e velho slutshaming publico fruto de recalque masculino.

Mais ainda: com a interação online não existe mais isso de turma dela e turma sua. Os amigos tendem a se integrar. Antigamente levava anos, dependia de festas e viagens, era normal a namorada nunca conhecer os amigos do trabalho, por exemplo. Hoje você acorda e descobre que a mulher está de papo com boa parte do seu círculo de amizades, e acaba “roubando” parte delas.

Se o rompimento é amigável, beleza, vocês ganharam um novo círculo de amigos, mas se é litigioso, tudo pode acontecer, inclusive amigos seus de anos te darem as costas. Ninguém sabe lidar direito com esse futuro, e é compreensível. Mas aquele traíra canalha ainda vai precisar de um rim…

Do ponto de vista biológico não mudamos em NADA desde os primórdios da Civilização. Nos adaptamos às mudanças sociais mas elas eram demoradas, hoje em menos de 20 anos conhecer namorada na internet deixou de ser notícia de jornal (sério, aconteceu comigo, e não, a notícia não foi “blogueiro arruma namorada”) e se tornou algo absolutamente normal.

Desilusões amorosas são complicadas desde que o mundo é mundo, mas agora pela primeira vez na História elas se tornaram obrigatoriamente públicas. Somos todos astros de nosso próprio reality show, e assim como na vida real, temos que aprender por tentativa e erro, o que é complicado em um mundo que se transforma mais rápido do que conseguimos entendê-lo.

Portanto, meninos e meninas, FIKADIKA: minimize problemas futuros e AO MENOS não tenha aquela idéia infeliz de criar perfil de casal em redes sociais.

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