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Quem diria, já estamos cultivando hambúrgueres

Pesquisador da Universidade de Maastricht está prestes a servir o primeiro hambúrguer cultivado em laboratório a partir de células-tronco

13/05/2013 às 8:48

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Em 2012 o doutor Mark Post da Universidade de Maastricht, Holanda havia anunciado que dali a um ano, iria apresentar o primeiro hambúrguer produzido de carne cultivada do mundo. Segundo ele, agora estamos "a algumas semanas" de experimentar a curiosa iguaria, em um evento a ser realizado em Londres.

Em entrevista, Dr. Post disse que "vamos fazer uma prova de conceito, e sair do 'não pode ser feito' para 'mostramos como fazer, agora precisamos de grana'". Um dos maiores interessados é a NASA, que vê nessa pesquisa uma forma conveniente de produzir carne no espaço, principalmente na futura colônia de Marte.

A técnica não é nada diferente de usadas para recriar tecidos perdidos ou cultivar órgãos inteiros, como um rim ou uma orelha: células-tronco bovinas são extraídas dos músculos do doador (foram escolhidas algumas da região do pescoço do boi) e são cultivadas numa Placa de Petri com uma solução nutritiva composta por açúcares, aminoácidos e minerais, de modo a ganhar massa. Os tecidos recebem também estímulos elétricos (já que todo músculo precisa de exercícios), e por fim recebe uma adição de gordura também cultivada em laboratório e mioglobina (proteína responsável pela cor vermelha da carne).

O processo todo resulta num hambúrguer que, segundo o Dr. Post, não deve em nada ao natural (ele experimentou uma versão sem gordura e disse que o sabor é OK), a não ser o preço: US$ 325 mil por unidade. O projeto foi bancado por um investidor que não quis se revelar.

Apesar de ainda estarmos dando os primeiros passos, essa pesquisa é importante para o futuro que estamos caminhando, com a Terra cada vez com mais gente e com uma distribuição de comida precária e desigual, sem falar no desperdício. Sermos capazes de cultivar carne é até uma solução ética e a PETA não vai poder reclamar dizendo que estamos maltratando os bichinhos, a extração de células não incomoda mais do que uma vacina.

Apesar de empolgado, o Dr. Post sabe que haverá resistência dos naturalistas que preferem comer "carne de verdade" (pobres coitados, se soubessem do que a carne processada é feita...) a uma produzida em laboratório, apesar dela ainda estar cara pra chuchu. Mas talvez daqui a alguns anos carne e vegetais cultivados em Petri não sejam uma opção e sim a regra, se a produção de alimentos mundial não acompanhar o crescimento demográfico.

Ou você vai preferir comer isto aqui?

Soylent Green

Fonte: NY Times.

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