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Nós realmente precisamos de mais violência nos games?

Profissional que trabalhou na criação de jogos violentos diz que nunca mais fará um jogo assim e levanta questão sobre o excesso de violência nos games.

23/04/2013 às 13:00

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Ao longo de sua carreira Charles N. Cox esteve envolvido numa série de jogos de tiro, entre eles o SWAT 3, SOCOM 4 e MAG, e num post em seu blog onde não teve o menor receio de expor sua opinião, o game designer, programador e educador resolveu chutar o pau da barraca e se posicionar contra a indústria de jogos violentos, garantindo que nunca mais trabalhará na criação de algo com essas características.

Dane-se, eu estive nesse negócio por uma cheia, tempestuosa e dubitável década e o mundo pode me ouvir alto e claro: Eu nunca mais trabalharei em um jogo de tiro em primeira pessoa, nunca mais. Ponto.

Há uma fantástica quantidade de inovação aguardando em baixo da superfície para ser utilizada – e sim, talvez a violência seja uma parte disso; nós não somos serem simples, mas nós como uma espécie auto-consciente de jogadores – e desenvolvedores – podemos evoluir para uma dieta variada para começar… Estamos prontos para fazer melhor e eu estou preparado para fazer minha pare. Nenhum jogo de tiro em primeira pessoa virá de minha parte.

No texto o desenvolvedor reconheceu a existência de uma forte demanda por jogos violentos e admitiu que também gosta de títulos assim, mas citou como exemplo o caso de um amigo que trabalhava na criação de um jogo com ele e que as vezes precisava levar sua filha para o estúdio, quando o sujeito se via numa situação de tentar esconder da garota o que se passava no game.

De acordo com Cox, ele não saberia dizer se terá coragem de fazer o que fosse preciso para proteger seus filhos de terem contato com mídias cheias de horrores que todos nós sabemos que afetam a humanidade há cada segundo, mesmo sabendo que “no fundo, nós adoramos atirar em pessoas nessas telas gigantes e vê-las caindo na sujeira.

Bom, você pode me chamar de hipócrita, de incoerente ou de uma pessoa sem personalidade, mas o fato é que de uns meses para cá eu venho mudando um pouco a maneira como enxergo os jogos violentos. Eu não sei dizer ao certo se isso tem acontecido devido a paternidade, por ter conhecido opiniões interessantes de algumas pessoas ou simplesmente por ter tido contato com ótimos jogos onde a violência não se faz necessária, como o Journey, mas mesmo sem achar que alguém pode ser tornar um assassino apenas por passar algumas horas jogando Grand Theft Auto, me pergunto se algumas obras não estariam passando dos limites.

Por vezes tenho a impressão de que certos trechos nos jogos são criados apenas com a intenção de chocar o jogador, somente para os desenvolvedores testarem até onde podem ir, sem que haja um contexto para aquilo que vemos na tela e pior é que nesses casos os envolvidos parecem ter perdido uma ótima chance de passar uma mensagem mais profunda ao seu público.

No fim das contas os games não passam de uma forma de entretenimento, assim como filmes, desenhos animados ou livros, com a ressalva de que neles nós somos os autores das ações e não apenas espectadores e por mais que eu não tenha intenção de proibir meu filho de jogar algo como um Call of Duty, fico me perguntando se ele realmente precisa ter acesso a esse tipo de informação, pelo menos até que tenha consciência de que aquilo que verá e executará não passa de ficção e por isso ainda não consegui me decidir sobre o que farei quando o Nicolas passar a se interessar pelos jogos eletrônicos.

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