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Liberdade de opção e jogabilidade

12/09/2007 às 14:28

Existe uma característica na série Hitman que sempre me chamou a atenção. A forma como os produtores conseguiram desenvolver a jogabilidade dos games de forma que o jogador possa realizar as missões da maneira que achar melhor é simplesmente genial.

Para quem nunca jogou, o game foi desenvolvido pela até então desconhecida Io Interactive e nele você é uma espécie de assassino de aluguel, tendo como objetivo eliminar vários alvos diferentes, de chefes da máfia até bandidos de menor expressão. O jogo brilha por sua história envolvente e principalmente por sua jogabilidade.

O protagonista do jogo, conhecido como assassino 47 possui um vasto leque de habilidades, utilizando-as para matar seus alvos. Na primeira missão do segundo jogo você precisa entrar na casa de um poderoso mafioso e acabar com o bandido. Porém, a casa está cheia de seguranças e você precisa descobrir uma maneira de adentrar o local.

Começa aí suas possibilidades, você pode interceptar o carteiro que está indo entregar um buquê de flores na mansão e roubar suas roupas para que os guardas não desconfiem, mas lembre-se de jogar suas armas fora, já que será revistado. No quintal da casa, cabe a você matar algum guardar ou empregado do mafioso e trocar de roupas de volta, mas sem causar alardes, claro.

Continuando na missão, ao chegar ao quarto do alvo, cabe a você decidir matá-lo enforcado, envenenado ou até com uma arma que você já deve ter conseguindo ao eliminar algum segurança. Ahh! E isso é apenas três das opções.

O que descrevi acima foi apenas uma missão de uma série que já está em seu quarto título, portanto você já deve ter percebido que Hitman é um game par pessoas pacientes. Aqui não adianta dar uma de Rambo e sair atirando em tudo que se move. Você terá que pensar. Arriscaria até a dizer que o jogo é quase um puzzle.

O que quis dizer com este exemplo é que sinto falta de mais jogos com tal liberdade na jogabilidade. Quando joguei Hitman pela primeira vez (e lá se vão alguns anos!) achei que mais jogos iriam seguir seu caminho, o fato é que o jogo do careca assassino ainda é uma raridade. Sinceramente não sei se a série vendeu bem, mas por já estar em seu quarto episódio, ou a produtora possui muito prestígio ou as outras empresas não querem apostar em um jogo de ação mais "cabeça".

Deixando a jogabilidade um pouco de lado, tenho que mencionar também os jogos que permitem os gamers tomarem decisões em relação ao desenrolar da trama. É óbvio que neste quesito os RPGs se destacam. Games como Chrono Trigger, Knights of the Old Republic e Fable são provas clássicas disso e sempre me fascinaram por me dar a possibilidade de escolher qual desfecho eu gostaria de ver para a história.

Quero ressaltar o trabalho realizado em Fable. Este game conseguiu dar um passo à frente em relação a liberdade de escolha. Durante todo o jogo você está tomando decisões que modificam de alguma forma o desenrolar da história. No game você poderá, por exemplo, casar, roubar, trabalhar, ajudar as pessoas ou não, comprar casas. Enfim, você poderá realmente entrar no personagem.

Outro título que também segue por esta direção é o fantástico Shenmue. Na época de seu lançamento o jogo chegou a ser considerado um simulador de vida, pois nele você precisava dormir, trabalhar, treinar artes marciais e até jogar fliperama.

Quem promete revolucionar também a indústria é o Bioshock e pasmem, aqui não estamos falando de outro RPG e sim de um FPS. Os produtores garantem que o jogador poderá decidir como progredir no game. Um exemplo seria você botar fogo em um inimigo e quando ele correr para água jogar cabos de eletricidade para matá-lo eletrocutado. Some a isso o fato de que a cada partida os inimigos aparecem em lugares diferentes e uma inteligência artificial apurada e teremos um jogo que se diferenciará dos demais.

Como disse em relação a liberdade na jogabilidade do Hitman, acho que deveria haver mais jogos assim. Jogos onde pudéssemos tomar mais decisões e que nos desse pelo menos a impressão de que estamos no controle do enredo. Jogos assim seriam a definição mais perfeita para a palavra interatividade. Ou quase isso.

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