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O Anel Um da Apple–ou: Mais trabalho, menos boataria

07/04/2013 às 13:11

one-ring-to-rule-them-all Embora o MeioBit seja uma entidade (ehê!) plural com vários pontos de vista diferentes, acho que contaminei o pessoal (no bom sentido) com meu desgosto por boatos. Antigamente era só no mundo Apple, semi-justificado pela ausência de informações internas na empresa, que levavam a infinitas especulações em cima dos menores fatos que vazavam.

Depois a mídia descobriu que era mais fácil inventar do que apurar (ok, o primeiro a descobrir isso foi Gutemberg) e ao invés de cavar matérias, preferiram uma redação onanística em cima de boatos. Alguns especulam até “se” a Apple vai lançar um novo iPhone, e escrevem longas matérias sobre isso.

Outros explicam em detalhes como o novo iPhone será, e na melhor tradição de profetas do apocalipse, quando sai o novo iPhone e não é nada daquilo que disseram, varrem para debaixo dos panos ao mesmo tempo em que inventam OUTRA matéria sobre o novo novo iPhone.

Desde antes do Steve Jobs morrer e reencarnar como um guerreiro-filósofo espiritual já havia o boato de que a Apple lançaria uma TV. Uma rádio online. Depois, inventaram que seria um relógio. Agora, raspando o fundo do tacho, desenterraram um produto-conceito idiota (pleonasmo, eu sei) de 2012, dizendo que seria um anel controle-remoto para a tal Apple TV. Notem que a imagem do anel é a MESMA, mas na primeira matéria é só um conceito idiota criado por um designer desocupado.

Agora, num show de não-jornalismo, é transformado num boato infundado. Nem vou entrar no mérito de um anel como controle remoto ser algo extremamente idiota, a não ser que o sujeito seja “O” Forever Alone. A questão é a boataria.

Microsoft? Vai lançar um Google Glass. Nokia um Street View, e um Tablet. Samsung vai arrebentar com o SV, veja aqui as especificações, conseguidas com auxílio de um endoscópio. Sério, isso cansa.

Não há nada de errado em especular sobre o Futuro, alguns de meus maiores heróis ganharam a vida assim, mas se o cerne do trabalho se torna fazer previsões furadas, apenas para encher matéria, temos um problema.

Existe toda uma produção industrial por trás da indústria de boatos, são designers que criam designs na esperança de ser “descobertos”, são sites que SABEM que é só um conceito mas tratam TUDO como “possível vazamento”, são redatores preguiçosos que não se preocupam em checar nenhum fato ou sequer pensar 5 minutos antes de descrever como será o novo produto, baseado em UMA IMAGEM borrada, não-confirmada vinda de um blog chinês kibador.

Alguma vez acertam? Claro, estatisticamente o sujeito que fizer a última profecia de fim do mundo também acertará. Só que o nível de sinal/ruído é inaceitável. Isso está transformando nosso mercado de mídia de tecnologia em uma grande lata de lixo, o que é péssimo, o leitor deve folhear, não chafurdar.

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