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Cientistas usam moldes de nanopartículas para "capturar" vírus

Pesquisadores suícos desenvolvem técnica que imprime moldes de vírus em nanopartículas para capturá-los e conseguem eficiência de 88% em laboratório.

02/04/2013 às 10:00

Virus

Fato: vírus são agentes do caos. Essas coisinhas minúsculas são capazes de causar estragos gigantescos nos seres vivos. Uma vez que entram no organismo, o sistema imunológico dispara o alarme e fabrica anticorpos para combater a invasão (exceto no caso do HIV, que ataca justamente o sistema imunológico). Novos remédios são lançados, mas como os vírus são altamente mutáveis, com o tempo eles criam resistência e o ciclo continua.

Porém alguns pesquisadores tiveram uma ideia simples para lidar com isso: ao invés de destruir o vírus, vamos capturá-lo usando um molde dele próprio.

Patrick Shahgaldian e seus companheiros da Universidade de Ciências Aplicadas e Artes do Noroeste da Suíça desenvolveram uma técnica que consiste do seguinte: os vírus são presos a uma nanopartícula de sílica (ou dióxido de silício para os íntimos) através de ligações químicas (o processo é feito em laboratório pois essas ligações são muito tóxicas). O espaço entre os vírus e a nanopartícula é então preenchido com um polímero, e por fim, a partícula é exposta a ultrassom para "desatarrachar" os vírus. Pronto, temos um VIP (virus imprinted particle).

Processo de criação do molde para os vírus

Shahgaldian e sua equipe testaram os VIPs numa solução de sangue humano infectada com vírus. Após apenas 30 minutos de exposição às nano-pokébolas, cerca de 88% dos vírus numa concentração de 65 picomolar (10^-12) haviam sido capturados. O artigo foi publicado na Nature, e você pode acompanhá-lo aqui.

Segundo Shahgaldian, o próximo passo é usar os VIPs como ferramenta de diagnóstico e só então, após todos os testes e definir uma quantidade segura de nanopartículas que pode ser injetada num paciente por vez, serão produzidos em massa. Mas dado o resultado com uma ideia tão simples, eu diria que estão no caminho certo.

Fonte: Nature via Ars Technica.

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