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Tecnologias que não pegam nem no tranco: Parte 1 - O Videofone

16/08/2007 às 18:49

Existe uma ilusão, espalhada por estudantes de sociologia e teóricos marxistas de que o Mercado pode forçar a adoção de produtos, mesmo contra a vontade dos consumidores. Alguns empresários arrogantes acreditam nisso também. Todos quebram a cara. Isso não vale só para tecnologia, vale para todas as áreas. Para manter o exemplo dentro do tópico, lembremos do Microsoft Money, um ótimo gerenciador financeiro que simplesmente nunca "pegou". A Microsoft tentou TUDO, até comprar a Intuit, fabricante do Quicken, seu maior concorrente (o Governo não deixou, viraria monopólio) mas o público simplesmente preferia o Quicken.

Outras tecnologias simplesmente não são aceitas pelo consumidor. São produtos em teoria ótimos, mas onde a real necessidade não existe, ou os problemas sobrepujam as vantagens. No Pior Caso, os fabricantes não acreditam na inviabilidade, e tentam empurrar o produto, sofrendo mais rejeição por causa disso.

Nesta série vou desencavar vários produtos mortos-vivos que se recusam a morrer, ou melhor, são exumados e exibidos na sala, por seus pais orgulhosos.

O VideoFone

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Em quase todo desenho animado e filme de ficção científica dos anos 80 pra trás as telas são multifunção, também são câmeras. Você faz uma ligação, vê a pessoa e ela vê você. A idéia é ótima, é uma evolução natural do telefone. Só que nunca deu certo.

Primeiro foi o problema de banda. Os protótipos iniciais eram analógicos, com telas minúsculas. Com a proliferação da Internet de banda larga, tornou-se mais fácil implementar esse tipo de serviço, mas mesmo assim nunca houve interesse nesse tipo de aparelho. Como a Ficção Científica pode ter errado tanto? Como algo tão "óbvio" pode ser rejeitado por todos?

Seja sincero. Não precisa responder, mas pense: Quantas vezes você já falou ao telefone enquanto tirava meleca? Quantas vezes você já disse que estava enrolado trabalhando, mas na verdade com os pés pra cima lendo uma revista? Você, mulher, quantas vezes atendeu um telefonema com o rosto cheio de creme, pepino no olho, bobs no cabelo, cera no buço?

O videofone não dá oportunidade de seu uso ser planejado. Tocou, você atende. Se é um videofone e você não mostra a imagem, o outro lado vai perguntar o motivo.

Já no uso corporativo, não há nenhuma vantagem específica em ver a pessoa do outro lado, em uma ligação normal. Não falo de teleconferências, teles são úteis, mas ligar pro RH pra pedir uma cópia do holerith não vai ser mais eficiente se você ficar olhando pras fuças do sujeito, e vice-versa.

Há a uma tecnologia muito semelhante, que funciona: São as webcams. A diferença é que seu uso é planejado, você liga na hora que quer. Ninguém que conheço configura o Skype ou o MSN ou o iChat para ativar a câmera automaticamente quando atende uma chamada. Isso aliás seria algo muito perigoso. Há colunistas do MeioBit que escrevem pelados, e chamá-los num IM com câmera no automático não seria uma visão nada agradável.

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A idéia do videofone entretanto se recusa a morrer. Os Smartphones Nokias agora estão vindo com duas câmeras, uma delas na frente do telefone, para "chamadas de vídeo", e é um recurso mais subutilizado que camisinha em carteira de blogueiro.

A Samsung lançou agora mais um videofone, o SMT-i8080. Não é o primeiro da nova safra. Nem será o último. Apostam no mercado doméstico. Vai pegar? Historicamente sou obrigado a dizer que não.

Na próxima edição desta série, outro que nunca deu certo mas nunca deixaram morrer: O relógio com Rádio/MP3

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