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Pirataria e preguiça

06/08/2007 às 20:35

Outro dia, uma amiga me ligou, digo, me enviou uma mensagem, perguntando onde poderia baixar um CD. Apesar de ser da autoria de um conhecido cantor de MPB, nunca tinha ouvido falar do bendito disco. Fiquei até preocupado: estaria perdendo o gosto pela boa música? O pagode, enfim, teria se entranhado no meu cérebro?

Para o meu alívio, ela disse que era mesmo um disco difícil de se achar, que estava fora de catálogo há anos e coisa e tal... e que a única saída era baixá-lo de algum lugar. E vejam só: não servia mp3, não... "porque mp3 tem perda, né?". "Verdade... mas você comprou um equipamento de som novo?" ao que ela respondeu: "Não... vou ouvir no carro, mesmo...".

"Certo... mas você sabe que isso é pirataria, não sabe?"

"Pirataria nada! O disco já tem mais de dez anos... não tem onde comprar..."

"Mesmo assim..."

"Olha, eu já procurei em tudo que é loja, não consigo achar... e estou louca pra ouvir... me ajuda, vai..."

Antes de cair em tentação, pesquisei por aí e, em 23 segundos, achei o tal cd-fora-de-catálogo sendo vendido online, com frete grátis. Adivinhem o preço: R$ 9,90. Esse valor quase não paga o tempo de deixar o micro ligado baixando os arquivos, mais o CD-R e a capinha! Será possível que a preguiça de procurar seja assim tão grande? E o pior é que não foi um incidente isolado: vários amigos me relataram situações similares, como a de um conhecido aqui do Meio Bit, que queria baixar da internet "... o livro do Harry Potter..." e imprimir. Todas as páginas.

Também há o caso daquele sujeito que, convidado pelos amigos a ir ao cinema, assistir à estréia de um "blockbuster" americano, respondeu: "Bah! Já assisti. Baixei no meu computador... detestei. Cenas escuras... péssimo áudio... se fosse vocês, nem iria...".

Como dizia Rochefoucauld, "temos mais preguiça no espírito que no corpo.". Pensar dói.

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