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No espaço ninguém pode ouvir você gritar, a não ser que você seja um mega-terremoto

O satélite GOCE conseguiu visualizar a energia que foi dissipada na atmosfera durante o Mega-Terremoto Japonês de 2011.

11/03/2013 às 12:19

GOCE orbit is so low that it experiences drag from the outer edges of Earth's atmosphere. The satellite's streamline structure and use of electric propulsion system counteract atmospheric drag to ensure that the data are of true gravity.</p><br /> <p>Credits: ESA - AOES Medialab

A GOCE - Gravity Field and Steady-State Ocean Circulation Explorer é um satélite, mas chamarei no feminino pois é uma das máquinas mais parecidas com uma nave espacial que já lançamos. Na verdade ela é como uma nave espacial “deveria” se parecer, não um balde glorificado que são nossas cápsulas atuais.

Lançada em 2009 pela Agência Espacial Européia, seu objetivo é mapear com precisão inédita o campo gravitacional da Terra, que não é perfeito, visto que a Terra não é uma esfera no vácuo, só parece uma. Variações como montanhas, depósitos minerais, formações submarinas provocam variações no campo, alterando a órbita de qualquer satélite. Para melhorar a precisão das medições, a GOCE voa baixo, orbitando a 260 km de altitude, onde ainda há ar, em uma densidade desprezível mas suficiente para que a nave seja aerodinâmica e use aletas de estabilização.

O motor iônico de uso contínuo ajuda a manter a GOCE em órbita, e seus 40 kg de Xenônio devem durar até 2014.

Além de cumprir sua missão com perfeição, a GOCE ajudou a provar uma hipótese que muitos cientistas vinham pesquisando: durante o Terremoto de 2011, que criou o Tsunami que varreu o Japão, tanta energia foi liberada que uma onda de choque subiu pela atmosfera, diluindo-se no ar rarefeito até passar pela GOCE. O efeito foi infinitesimal, pentelhonésimos de seja lá qual unidade que usem, mas os acelerômetros ultrassensíveis captaram a distorção na trajetória.

Mais ainda: Ela detectou a onda reverberando quando passou sobre o Pacífico, 30 minutos depois do terremoto. 25 minutos depois, já sobre a Europa, captou de novo a perturbação. A onda se espalhara pelo mundo.

Isso mesmo: Um terremoto gerou uma onda de choque que chegou ao limiar do espaço, sacudindo uma sonda, que mesmo sem ser projetada pra isso virou um detector acústico orbital, captando infrassons.

Agora os cientistas estão analisando os dados da GOCE para ver se deram sorte e registraram a onda de choque do meteoro russo. Mesmo que não consiga, a missão está mais que cumprida, e só seria perfeita se fosse possível dar a GOCE um destino melhor do que queimar na atmosfera em novembro.

Veja o vídeo demonstrando o evento:

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Fonte: BBC.

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