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Trote 2.0: forjar sequestro para bombar na net não está sendo um bom negócio

24/02/2013 às 18:41

No dia 18 de setembro de 2012, o 911* do estado de Western Australia recebeu um chamado vindo de Leederville, um bairro da capital Peerth. A pessoa do outro lado da ligação disse que viu um jovem sair de dentro da mala de um carro e correr para um matagal próximo ao cruzamento de duas vicinais. A vítima parecia um garoto com idade próxima de 14 anos, sem camisa e descalço, com as mãos atadas. Ele teria sido perseguido por um homem de camisa xadrez e boné azul.

A polícia foi acionada e ao chegarem ao local não constataram nada de anormal, nenhum sinal do carro ou dos supostos vítima e sequestrador. Além disso, o trânsito era intenso e ninguém parou para acompanhar qualquer movimentação estranha que fosse. Num comunicado divulgado no dia seguinte à ocorrência, a polícia informou que tudo indicava ser um hoax, mas seguindo o mote "vai que", continuariam a investigação.

Nesta última semana, a polícia informou que cinco jovens serão processados por criar o factóide apenas para subir um vídeo viral no YouTube. Segundo o departamento, os cabeças-ocas, todos na faixa entre 21 e 25 anos, fizeram a polícia "gastar recursos significantes" para correr atrás de um trote que poderia ser real.

Pegadinhas telefônicas existem desde que inventaram o telefone, e muito dinheiro é gasto nessa brincadeira de investigar ocorrências de vapor. Mas a diferença entre o mundo antes e depois da internet era que antigamente, os guris aplicavam o trote pela diversão, pela adrenalina de enganar a polícia ou os bombeiros, ou de fazer o barman chamar em voz alta por clientes de nomes esquisitos. Hoje, com as redes sociais, o prankster torce para que sua brincadeira bombe na net, na esperança de que se torne um viral. Quer ser falado, replicado. E como John Milton dizia, é fatalmente pego pela vaidade.

Foi o caso de Kara Alongi, a garota de 16 anos da foto acima. No dia 30 de setembro ela soltou a seguinte mensagem no Twitter:

Depois disso ela sumiu, desapareceu, escafedeu-se. O tweet recebeu mais de 34 mil RTs, Kara ganhou mais de 95 mil novos seguidores, a hashtag #HelpFindKara entrou nos TTs e a polícia de Clark, Nova Jersey recebeu de brinde uma dor de cabeça colossal na forma de mais de 6 mil ligações.

Ela estava sozinha em casa, e sua família chegou uma hora depois. A polícia foi chamada e de cara não constatou nenhum sinal de arrombamento, nem nada foi roubado. Os policiais começaram a investigar e encontraram uma ligação feita por alguém da casa a uma companhia de táxi no momento em que o tweet foi postado. O taxista depois confirmou que deixou uma garota com os mesmos traços de Kara na estação de metrô próxima. E para completar, câmeras de segurança da estação da cidade de Rahway flagraram ela no dia seguinte, comprando passagens para Nova York:

A partir daí o foco da investigação mudou de "sequestro" para "garota fujona". No dia 2 de outubro ela foi encontrada pela polícia após ligar para 911, chorando e dizendo que teria sido "convencida a sair de casa por um homem negro, por volta de 28 anos". É, eu também achei bem estranho. Kara continuou dizendo que ele a colocou num táxi e depois num ônibus, e não lembrava como chegou onde estava.

Apesar de tudo depor contra ela, Kara nunca admitiu o trote e insistiu até o fim que fora sequestrada. Como a polícia tem mais o que fazer deu o caso por encerrado e, muito boazinha, não repassou a conta para a família da garota-problema. Já Kara sumiu de novo, dessa vez das redes sociais. Penso eu que ela não teria tanta sorte, se o caso tivesse ocorrido no estado da Pensilvânia.

Fonte: Ars Technica

* eu sei que o número da polícia da Austrália não é 911 e sim 000, é só para facilitar o entendimento. 🙂

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