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Escapando do Martelo de Deus

Qual seria o estrago caso um meteoro atingisse o solo de uma cidade brasileira com toda a energia do evento russo?

15/02/2013 às 20:54

Em O Martelo de Deus (que você pode ler aqui) Sir Arthur Clarke conta a história de uma missão para tentar desviar um asteroide em curso de colisão com a Terra. O livro é recheado de informações sobre asteroides, meteoros e suas consequências para a vida na Terra. Em um dos trechos Clarke narra:

“Era do tamanho de uma casa pequena. Pesava 9.000 toneladas e se movia a 50 mil km/h. Ao passar sobre o Grand Teton National Park, um turista alerta fotografou a bola de fogo incandescente e sua longa trilha de vapor. Em menos de dois minutos, ela havia cortado pelo atmosfera terrestre e retornado para o espaço.

Uma mínima mudança em sua órbita durante os bilhões de anos em que vinha circulando o Sol poderia ter lançado o asteroide em direção a uma das grandes cidades do mundo com uma força explosiva 5 vezes maior do que a bomba que destruiu Hiroshima.

A data era 10 de agosto de 1972”

E aqui temos o filme feito pelo turista atento:

A grande sorte nesse dia foi ser um meteoro simpático, lento e no ângulo perfeito para não atingir estado de pressão crítica com a atmosfera. Os russos não tiveram tanta sorte.

Os últimos dados, segundo o Space.com mostram que o meteoro russo entrou no ângulo errado, penetrando (ui!) profundamente na atmosfera. Problema é que a 40 km/s não dá pro ar sair da frente, gera-se um fenômeno de compressão, aquecimento e formação de plasma. O ar literalmente queima.

Se o objeto tem alguma parte oca, com líquidos ou gases, essa parte se aquecerá e da mesma forma que uma panela de pressão, explodirá. Provavelmente foi o que aconteceu hoje, é visível o momento em que o objeto se fragmenta.

E era um senhor objeto. Segundo Peter Brown, diretor do Centro de Ciência Planetária e Exploração da Universidade de Ontário Ocidental, Canadá, múltiplos sensores de múltiplas tecnologias indicam um meteoro de 15 metros, com massa de 7 mil toneladas. A energia total do evento chegou a 300 quilotons, ou 300 MIL toneladas de TNT. Colocando em perspectiva, a bomba de Hiroshima tinha 15kt.

Uma simulação mostra que as primeiras estimativas, com potência de 1 kt seriam suficientes para que um impacto direto do meteoro destruísse toda a Cidade Universitária em São Paulo, mas e se o meteoro de 300 kt atingisse cidades brasileiras?

Nos gráficos abaixo a área vermelha central representa onde a superfície dos objetos será exposta a um mínimo de 20 calorias por centímetro quadrado. A média de energia que recebemos do Sol na superfície de Terra é de 1,95 calorias/cm². A área mais clara é onde não será tão quente, só infernalmente mortal.

Rio de Janeiro:

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São Paulo:

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Brasília:

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Rio Branco (se existisse):

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Foram entre 1.000 e 1.500 feridos, mais de 3.000 prédios danificados em dezenas de cidades, mas mesmo assim, citando Arthur Clarke, a Humanidade teve muita, muita sorte. Até porque, como disse Neil DeGrasse Tyson, “Asteroides são uma forma da Natureza perguntar como vai seu programa espacial”.

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