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Basic? QBasic?

21/07/2007 às 2:08

O primeiro computador que vi era sistema da Cobra, instalado numa sala climatizada, de acesso controlado, na Cemig. Meu pai trabalhava lá e me levou para conhecer. Ainda consigo me lembrar que me senti entrando em outro mundo... nem mesmo WarGames parecia mais fascinante. Havia disquetes de 8 polegadas por todos os lados e fitas streamer aos montes, dando a impressão de que aquele "micrão" ( era mesmo uma monstruosidade ) de 8 bits poderia controlar o mundo.

Não descansei até ganhar meu próprio computador: um Hotbit com infindáveis 64kB de RAM. Em poucas semanas, já havia lido os manuais ( que, àquela época, explicavam cada instrução BASIC do interpretador gravado na ROM ) e vários livros sobre programação. Era muito bom jogar as dezenas de títulos disponíveis, mas nada se comparava ao prazer de fazer seus próprios jogos e programas "utilitários" ( atire a primeira fita cassete quem nunca escreveu uma "Agenda Telefônica" ).

O que me chama a atenção, mais de 20 anos depois, é que o poder de processamento cresceu incrivelmente, ao ponto do meu velho MSX ser emulado num telefone celular, mas a facilidade de criar seus próprios programa foi sacrificada. O último resquício de programação-orientada-ao-leigo foi o QBasic, disponibilizado pela Microsoft até o Windows 95.

Não que nós não tenhamos várias opções de linguagens por aí: de Java a D, mas nenhuma delas me parece fácil o suficiente para uma criança de 9 anos. Imaginem um moleque tentando fazer um "River Raid" em Visual C++ .NET... coisa que, no MSX, TRS-80 e até mesmo, pasmem, no Spectrum era simples e rápido ( mesmo que demorasse uma eternidade para reabastecer ). Essa crescente complexidade tem transformado jovens ( potenciais ) programadores em jogadores, simplesmente.

Outro ponto importante: era mais fácil fazer seu próprio programa que "conseguir" um outro qualquer. Não havia internet e os disquetes não se davam muito bem com os Correios. As fitas-cassete demoravam demais. Ou seja: as limitações dos sistemas nos instigavam à criatividade.

Pensando na dificuldade que as novas linguagens impõem a crianças e jovens programadores, o pessoal do MIT criou a Scratch. Mais que uma linguagem visual, é uma rede social onde a molecada pode trocar seus programas e aprender com os dos outros. Uma idéia muito interessante mas, infelizmente, só em inglês.

Uma outra alternativa é a Hackety Hack. Menos visual que a Scratch, na verdade HH parece mais um "ambiente de ensino" de Ruby, direcionado às jovens mentes do século 21. Vale a conferida.

[via Hackszine]

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