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Calma leitores do G1, vamos todos morrer horrivelmente, mas não hoje.

Vamos todos morrer terrivelmente em meia hora por causa de uma supertempestade solar?

08/02/2013 às 16:56

WEAREALLGONNADIE

Em 1º de Setembro de 1856 dois astrônomos britânicos fizeram a primeira observação de uma explosão solar. Uma chama de proporções gigantescas causou uma ejeção de massa coronal, um nome bonito para uma explosão tão grande que ultrapassa a velocidade de escape da superfície solar e emite bilhões de toneladas de plasma para o espaço.

Naquele dia tivemos o azar de estar no caminho da explosão, e 17,6 horas depois a onda nos atingiu. Apesar da proteção do campo magnético da Terra, fomos pegos em cheio e nossa civilização só escapou com menores danos por sermos na época extremamente primitivos. Eletricidade ainda era uma novidade e a grande forma de comunicação era o telégrafo.

Mesmo assim postes e fios pegaram fogo, fios faiscavam e em alguns casos mesmo desconectados da fonte de força, os telégrafos continuavam a funcionar, havia tanta energia ionizando o ar que os equipamentos viraram transmissores de rádio. Seria prático se os operadores não tomassem choques ao tentar transmitir mensagens.

Tempestades solares dessa magnitude são muito raras, pois além da potência fora do normal, ainda precisam estar apontadas para nós. Ainda bem, pois nos dias de hoje seria desastroso, perderíamos satélites mais antigos e muitos quipamentos essenciais no solo. Mesmo a tempestade geomagnética de 1989 foi suficiente pra causar blecautes em Quebec.

Por outro lado os efeitos visuais são lindos. Essas tempestades causam auroras de rara intensidade. Em 1859 elas chegaram até o Caribe. Nas Montanhas Rochosas mineiros acordaram mais cedo achando que estava amanhecendo. A luz era mais forte que a Lua Cheia. No NE dos EUA era possível ler um jornal na rua, de noite, sob a luz da aurora não mais boreal.

Quais as chances de uma tempestade dessas ocorrer HOJE? Muito pequenas. Historicamente algo tão grande ocorre uma vez a cada 500 anos, mas segundo o G1, nesta matéria alarmista, VAMOS TODOS MORRER EM MEIA-HORA.

O título é de uma irresponsabilidade jornalística digna do History Channel: “Supertempestade solar pode atingir a Terra a qualquer momento”. Citam um “estudo” da Academia Real de Engenharia, no Reino Unido. Não linkam, claro, afinal portal é Mestre em Usura, então eis o link.

O artigo não é menos alarmista, mas mais adiante muda o tom e explica que a tal supertempestade é “inevitável” no sentido de que o Big One, o grande terremoto da Califórnia, é inevitável, ou que o Supervulcão de Yellowstone é inevitável, e a reversão dos pólos magnéticos da Terra é inevitável, ou que a MORTE é inevitável. VAI acontecer, mas não há NENHUM indicador de quando, e individualmente as chances são mínimas.

O Sol é absurdamente monitorado, no SpaceWeather temos informações em tempo real do clima no nosso Astro-Rei (que brega!). Neste momento por exemplo o Vento Solar “sopra” com uma velocidade de 456,7 km/s e uma densidade de 1,2 prótons por centímetro cúbico. As chances de chamas solares são de 10% para as próximas 24h, e tempestades geomagnéticas, 25%.

Sondas como a SOHO orbitam o Sol contribuindo dados em tempo real continuamente. Não dá pra ser mais atualizado que isto:

latest

Mais informação em tempo real? Que tal estes indicadores de vento solar, animados (no site oficial)?

vu3d

Para não dizer que o Sol está morto, dois dias atrás Ele soltou uma labareda, mediana, corriqueira, e sequer em direção à Terra, mas mesmo assim, um fenômeno lindo de se ver:

A variedade é conhecida como Explosão Negra (ou sombria, ou afro-brasileira, para agradar os chatos politicamente corretos), pois é composta de plasma bem frio, na casa de 20.000K, enquanto o ambiente em volta pode chegar a 1.000.000K. A diferença faz com que o plasma apareça escuro em nossos instrumentos, mas fikadika: não encoste nele.

Achou impressionante? então veja esta ejeção de massa em 2011. Compare com o tamanho da Terra, na imagem de abertura do artigo. Se estivéssemos no caminho deste bicho, aí sim, mon ami, o bicho ia pegar.

Mas não hoje, OK, G1?

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