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A grande indústria fonográfica morreu

17/07/2007 às 19:58

A revista Rolling Stone é uma das mais influentes da meio musical. Um excelente artigo escrito em duas partes explica como uma indústria que tem o consumo de seu produto aumentando absurdamente está perdendo dinheiro e falindo.

Baseada em um modelo de venda de pacotes de músicas, em mídias físicas, por praticamente um século, é uma indústria que não inovou seu modelo de negócios, tentou bloquear a tecnologia de todas as formas, matou o Napster, processou pais de crianças de 9 anos e vovós, foi atrás de indivíduos, provedores de internet, usou muito dinheiro e lobby pesado em cima de políticos. Enfim, utilizaram todo o músculo da sua máquina de fazer dinheiro para parar a tecnologia digital e novas formas de distribuição.

O resultado de praticamente 10 anos de luta? A vendas de CDs continuam caindo e apenas esse ano despencaram quase 17%. Nem mesmo os grandes sucessos são fonte de renda garantida mais. A tecnologia atropelou os gigantes da indústria como se fossem barquinhos de papel contra uma tsunami.

E a virada, segundo o artigo, foi justamente na época da morte do Napster. Para quem não tem idéia do que foi o Napster, uma rápida explicação: era um serviço, com servidores centrais, onde pessoas do mundo inteiro e de forma gratuita podiam compartilhar arquivos de música. Os arquivos ficavam na máquina dos usuários do sistema e o Napster apenas mantinha um mapeamento do que cada pessoa possuía. Era muito rápido, pois tudo era catalogado de forma central. A RIAA entrou pesado com processos e o Napster deixou órfãos quase 40 milhões de usuários. Detalhe: a RIAA não foi capaz de substituí-lo e houve um hiato de 2 anos até o lançamento do iTunes.

O resultado desse tempo foi a sofisticação dos programas e redes Peer-to-Peer, ou pessoa-a-pessoa, descentralizado, sem empresas ou servidores centrais. Essencialmente, não havia empresas para serem processadas e a RIAA resolveu atacar os próprios usuários do sistema, numa das piores jogadas de relações públicas da história. A antipatia conquistada da mídia e do mercado consumidor foi enorme, e baixar músicas, mesmo de forma ilegal, tornou-se um movimento de resistência. Quando o iTunes surgiu, o sucesso foi praticamente imediato, mas o controle de distribuição foi entregue a um terceiro, a Apple.

A RIAA defende-se dizendo que processar indivíduos é uma forma de informar que o download ilegal de músicas é ilegal. Parece não ter dado resultado, já que os números têm aumentado. E fica sempre a mesma pergunta no ar: porque esses caras estão falindo? Há interesse no produto, nos artistas e centenas de milhões de aparelhos capazes de reproduzir MP3 estão no mercado. A resposta é fácil: o modelo de negócios está errado.

O artigo ainda vai mais longe, dizendo como as empresas irão sobreviver, através de outros tipos de licenciamento, como filmes, seriados, games, shows, etc.

Anos atrás, praticamente qualquer pessoa ligeiramente mais informada sobre o Napster, sabia que não tinha volta. Mas não é culpa apenas das gravadoras. As grandes redes varejistas e artistas também ameaçavam as gravadoras, com multas sobre perda de lucratividade caso as pessoas conseguissem músicas a preços mais em conta do que em lojas. Resultado de quem remou contra a maré? Artistas que lutaram, ficaram mal vistos com os fãs e continuaram sendo copiados do mesmo jeito. Os varejistas de música? Estão fechando as portas em massa e o fato é fácil de explicar: quando foi a última vez que saímos de uma loja com um lançamento?

Fonte: Rolling Stone: The Record Industry's Decline

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