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Offshoring, a segunda onda

11/07/2007 às 19:06

Depois de anos realocando empregos para a Índia, empresas de tecnologia estão reavaliando custos e problemas. Um deles é a diferença de fuso horário, mais gerentes de projeto, distância geográfica e salários cada vez mais altos.

Com tantas empresas disputando o mercado de trabalho indiano e o mercado de TI aquecido, os salários na Índia estão inflacionando. Em alguns setores, os salários estão apenas 25% abaixo de cargos equivalentes nos EUA.

Confesso que ao ler o artigo, torci bastante para ler uma menção ao Brasil, mas estamos prestes a perder a segunda onda de offshoring. Para quem não sabe, offshore é o termo usado para descrever um trabalho feito em outro país, como se estivesse no de origem. Essencialmente, escreve-se software com comentários, documentação e interface desejados pelo cliente, mas na Índia, China, Rússia, Brasil, entre outros.

Segundo uma pesquisa recente, os maiores receptores de novos empregos e demandas são China e Rússia. E os quesitos avaliados pelas empresas são habilidades técnicas, risco político, domínio de inglês e custo salarial. As pesquisas também indicam que a China poderá ultrapassar a Índia em 2011.

Procurei o relatório e o Brasil nem é mencionado, sinal de que em termos de indústria de software, estamos fora do radar. É uma pena, mas mostra que é preciso mais investimento. Não basta abrir uma linha de crédito do BNDES e esperar que boa vontade e projetos apareçam do nada.

A Índia tornou-se essa potência na área de software pois foi feita uma reforma completa no ensino, investindo-se desde a base até em centros de pesquisa e formação profissional. Foram 2 décadas de trabalho árduo e não apenas medidas isoladas de governo. A culpa não é do governo atual ou do passado, mas o somatório de decisões e paralisia, falta de visão, incapacidade organizacional.

Se ainda resta alguma dúvida de que queremos uma pedaço desse bolo, a Índia recebeu US$ 39,6 bilhões na exportação de software e serviços em 2006 e o objetivo para 2007 são US$ 50 bilhões. O Brasil havia traçado, em 2003, uma meta de US$ 2 bilhões em 2006, mas ficou muito abaixo, em torno de US$ 350 milhões.

É preciso organizar e modernizar melhor o Estado com reformas tributária e do ensino. Não essas mini-reformas, pseudo-reformas ou reforminhas mixurucas que temos visto, mas algo sério... se o Congresso parar de atrapalhar a vida de todo mundo e começar a fazer algo de útil. Depois disso, governo e empresariado, devem trabalhar sério, livre de ideologias e politicagem.

Ainda há esperança, pois existem empresas investindo e aumentando seu quadro de funcionários. Na América do Sul, o Brasil é o maior consumidor e exportador de software. Temos competência técnica, mas o mercado está carente de pelo menos 20 mil profissionais qualificados. Até o COBOL renasceu das cinzas.

Ou nosso governo acorda AGORA ou vamos continuar comendo poeira por mais uma década, com algumas ilhas de excelência.

Fontes: Forbes, IDC, Serpro, BNDES: Progsoft, Computerworld

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