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Microsoft Remix - Silverlight e a dominação global

03/07/2007 às 17:55

meiobit-silverlight.jpg O negocio é impressionante, inclusive em termos de performance. Nove vídeos rodando ao mesmo tempo, enquanto são aplicados efeitos 3D não é pra qualquer um. O Silverlight .Net, que vem aí então é assustador. 1500 a 3000 vezes mais rápido que o Javascript.

Junto vimos o Expression Studio, uma suíte de aplicações para desenvolvimento de Rich Internet, que (não tão mal) traduzido é "Internet de rico", onde não há "buffering", linha discada ou links de 1MBit que alguém ouse chamar de banda larga.

A idéia de unir designers e desenvolvedores juntos sob o mesmo projeto é excelente, evita muita "refação", assim como evita que os malditos designers estraguem meus lindos códigos "sem-querer". Com o expression o mundo é XAML, todas as ferramentas falam a mesma língua e você pode editar seu código sem ter problemas com os designers, que por sua vez podem fofoletizar sua aplicação à vontade, sem que todo aquele código chato dos programadores idiotas se enfie no meio de seus lindos layouts.

A ferramenta é toda orientada a objetos, tudo pode ser herdado, reaproveitado, usado e abusado, até no nível de controles de interface. Sim, seu designer pode criar uma combo box do zero, e para usá-la o programador só precisa adicioná-la como uma propriedade de sua própria combo. Combo esta que pode fazer parte de uma aplicação criada no Visual Studio. Sim, isso mesmo. Que tal, usar um ambiente completamente familiar a quase todo desenvolvedor, para criar aplicações com essa nova tecnologia?

Isso tudo com um plugin de 1.7MB para Internet Explorer, Firefox e Safári (Mac e Windows)

Só que os demos maravilhosos do Silverlight não contaram o plano por trás. Bill vai dominar o mundo (de novo) debaixo do nariz dos Stallmanzinhos (tm Moardib). Silverlight não é um concorrente do YouTube. É uma tecnologia que pode tornar os próprios sistemas operacionais de desktop obsoletos. Ou irrelevantes.

O Silverlight é uma quebra de paradigma de uma série de paradigmas. Quase todo ano surge algum gênio que diz: "O futuro é o thin client". Corre todo mundo pra montar servidores parrudos, aplicações remotas e modelos de acesso. Então outro gênio diz "O futuro é o desktop". Volta todo mundo pra trás, desenvolve KDEs, Gnomes, programas parrudos, Aeros, Outlooks, tudo rodando local.

Não funciona. Você consegue imaginar um jogo como um Call of Duty ou GTA rodando via Web? Ou um Autocad, um Photoshop? (só para lembrar uma imagem profissional no Photoshop pode ter alguns gigas, não confunda com fotos 640x480 da Bruna Surfistinha que seu primo abriu para colocar um bigode)

O Silverlight consegue associar o poder de processamento local, o acesso e execução off-line E a interatividade com um mundo de webservices, sites, bases de dados remotas, etc.

Pescou?

Imagine isso tudo MAIS a facilidade de ser multibrowser/multiplataforma!

Assim que passar a época dos demos engraçadinhos e surgirem as aplicações sérias, veremos uma ENORME quantidade de programas interessantes. Com a integração com o ambiente .Net e o Visual Studio o desenvolvimento de aplicações Silverlight também está garantido, a base de desenvolvedores já existe, e a menos que a comida aqui do Remix esteja envenenada, essa base já está curiosa e correndo para aprender mais sobre o produto.

Miguel de Icaza está rindo à toa. Seu pet project, o Mono, com o Moonlight (Silverlight rodando em Linux) está se tornando estratégico. Acredito que ele venha inclusive a ser patrocinado pela Microsoft, pois é do interesse deles um mercado multiplataforma completo.

Moonlight - runtime Silverlight feito em Mono no Linux

Notem que em 2008 veremos Silverlight Mobile, só espero que Tio Bill como mobile entenda Symbian, não só Windows Mobile.

A Adobe teve sua oportunidade, quando comprou a Macromedia. Nos tempos do Palm eu já dizia que o Flash poderia ser A aplicação para RAD em PDAs e Smartphones. Uma shell em Flash resolveria a vida de nós, pobres programadores C, faríamos nossos programas em 1/10 do tempo. Eu comecei a portar o player do Flash para o Palm, até que achei uma cláusula na EULA do código-fonte. Éramos proibidos de fazer isso. Bom, né?

Não fizemos, nem a Sony fez (só pro Clié) e nem a Palm fez. Mas a palm nunca fez nada mesmo.

Agora temos outra oportunidade, e o Bill não costuma perder oportunidades. Vide Bluetooth e Internet, duas tecnologias que ele afirmou não darem em nada, mas quando percebeu que estava errado soltou um caminhão de dinheiro e correram atrás do prejuízo.

Desta vez estão saindo na frente. A Adobe com seu apollo AIR vai tentar correr atrás também, mas vai ser difícil brigar com toda uma geração de programadores familiarizados com o Visual Studio e traumatizados pelo Action Script.

Para saber mais:

Tutoriais e demos do Silverlight (inclusive em português)

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