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Cielo, Facebook e a Condição Humana

28/11/2012 às 16:03

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Ontem a Cielo fez uma grande coletiva em São Paulo. O MeioBit foi convidado e pudemos presenciar algo raro: Inovação. Em nenhum lugar no mundo há algo como o Cielo Linkci, e é um desafio pensar em integração mais inesperada do que entre o Facebook e uma rede de pagamentos, mas o pior é que faz sentido.

A Cielo faz tempo está trabalhando pra tornar seu nome conhecido do grande público. Hoje a marca da empresa aparece tanto quanto as bandeiras dos cartões associados, mas eles querem mais. Uma forma de aparecer é usar redes sociais, mas como?

São mais de 1 milhão de terminais espalhados pelo Brasil. Todo mundo já comprou alguma coisa usando uma maquininha da Cielo, inclusive aquelas malditas com bateria e conexão GPRS, que continuam funcionando quando rola apagão dentro do restaurante. A capilaridade é imensa. Como aproveitar?

A maquininha é um computador completo, com opção de atualização remota do firmware, rodando Unix. As mais modernas já têm touchscreen e NFC. O problema então é integrar o cliente com algo, usando a maquininha. Que tal… Facebook?

A solução, que levou mais de um ano para ser desenvolvida, é uma espécie de Foursquare Autenticado e um Groupon no bom sentido. O conceito é que você, usuário do Facebook, possa utilizar seu cartão (qualquer cartão) na máquina da Cielo e faça um check-in em um estabelecimento comercial.

Esse check-in apareceria na sua timeline no Feice.

Também é possível, ao finalizar um pagamento, recomendar o bar, restaurante ou loja. Essa recomendação também vai pra sua timeline.

“E que diabos eu ganho fazendo isso?”

Boa pergunta, pequeno gafanhoto. A mesma coisa que você ganha fazendo um check-in no Foursquare: sdruvs. Se você fizer check-in em vários locais bacanas seus amigos ficarão com inveja da quantidade de sdruvs que você acumulou, visitante aqueles lugares.

Sim, pois ao contrário do Foursquare, é preciso estar no local, em pessoa, todos os átomos. Um check-in do Cielo Linkci é um check-in registrado carimbado avaliado.

deseja-recomendar Já a recomendação, vale ouro. Ela só é feita se você realizar uma compra. Como o valor não é divulgado, você pode comprar um copo de água na Daslu (R$50,00) e aparecerá recomendando a loja. Que loucura!

Fora isso há todo um programa de incentivos associado. Os lojistas poderão cadastrar promoções em formato bem flexível. Por exemplo: Um Check-In vale um chopp na próxima visita ao bar. No dia seguinte o sujeito que fez o check-in volta, avisa que quer converter a promoção. Passa o cartão, o sistema reconhece, libera o chopp.

As recomendações também podem gerar promoções. Você recomenda o bar e na sua timeline aparece além da recomendação, um aviso de que os 5 primeiros que clicarem no link ganham uma caipirinha quando forem no bar. O clique irá associar seu usuário do Facebook ao cadastro da App da Cielo, então chegando no bar, é só converter.

Cadastro e Burocracia

Uma das minhas dúvidas quando fui apresentado ao projeto era em relação à segurança de dados. Se digitar número de cartão no Facebook o Mark rouba na hora pra comprar presente pra japa. Felizmente não é necessário.

O cadastro, através da fanpage do Cielo Linkci é espartano em sua simplicidade. Você autoriza a App, informa seu nome, CPF e celular (opcional), e pronto.

“mas como diabos ele associa meus cartões?”

Como bom programador nessa hora fiquei imaginando mil modelos mirabolantes, acessando as bases de dados dos bancos e operadoras de cartão, soltando queries buscando pelo CPF, bla bla bla.

Nada disso. Quando você for em um estabelecimento que faça parte do projeto peça para fazer um check-in. Coloque o cartão. Ele dirá que não há nenhum usuário associado, perguntará se quer criar o vínculo. Você digita o CPF e pronto. Nas próximas compras em qualquer lugar ele perguntará se quer recomendar a loja, e os checkins também não pedirão mais CPF.

“Eu uso um cartão pro crime, não quero que a patroa me veja fazendo check-in no Café Photo”

Então não faça, uai. O Check-in é opcional, assim como a recomendação. Só cabe a você LER a tela e não clicar OK na hora errada. Em último caso, não associe o Cartão do Crime ao Facebook.

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Uma Bud por um like? Tá valendo!

“Agora conta, cadê a facada?”

Nenhuma. Não há nenhum custo envolvido. Nem para o estabelecimento. Você ganha os brindes das promoções E o intangível prestígio da Internet, o estabelecimento ganha mídia grátis ao ser recomendado em sua timeline, e a Cielo ganha por estar na boca do povo.

“Isso não serve pra nada”

Exato, assim como FourSquare, Farmville, Angry Birds e Instagram, só que nessa brincadeira o último mencionado foi vendido por US$1 bilhão para o Facebook, que convenhamos também não serve pra nada.

Essa visão utilitária é ótima em salas de aula de marxismo militante, no mundo real as pessoas adoram badges, estrelinhas do Favstar e rankings. Imagine quando a Cielo abrir a opção de listar entre seus amigos quem vai mais em um determinado bar, ou você poder ver um mapa de seus check-ins e compras.

Imagine uma rede de bares que faça uma Baratona, dando um iPad para o primeiro que recomendar todas as filiais na cidade.

O nome disso é Gamificação e é uma das apostas mais certas que alguém pode fazer, ainda mais quando o processo é todo não-intrusivo. Não é um programa de fidelização que você tem que esperar alguém achar a máquina, ou exige um número que você nunca sabe de cabeça. É UMA tela a mais no processo de pagamento.

O cerumano é uma criatura extremamente competitiva, ainda mais quando não tem que fazer esforço. Por isso nerds preferem Fórmula 1 a Maratonas. E se possível em uma McLaren com ar-condicionado. Mais rankings, mais micro-ostentação (chupa, Sakamoto) é algo que todo mundo quer. Não se engane, a motivação de postar uma recomendação do VIPs é a mesma de postar uma caipirinha no Instagram: Dizer “vejam que legal estou fazendo agora; invejem-me”.

Vai dar certo?

Pelos argumentos apresentados, eu acredito que sim. A Cielo está começando de forma cautelosa. Pela primeira vez lançaram um produto com a chancela de Beta. Não que seja mau agouro, Google e Apple fazem isso. Rolará um testdrive com algumas dezenas de estabelecimentos em São Paulo, com novas lojas podendo se cadastrar neste link. Arestas serão aparadas, input dos lojistas e usuários será ouvido, e depois é basicamente botar a equipe de rua pra vender o peixe.

Como hoje em dia qualquer vendedora de acarajé tem fanpage, Foursquare e Pinterest, não deverá ser muito difícil.

O serviço estará disponível a partir do dia 6/12

Usuários já podem se cadastrar aqui.

A lista de participantes pode ser achada neste link.

O videozinho institucional explicando em 1min tudo isso que eu falei aí em cima. Foi mal Smiley piscando

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