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YouTube, Israel, Twitter e ética em tempos de Internet

18/11/2012 às 21:14

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Quando uma criança é sequestrada ninguém questiona a ética da companhia telefônica, mesmo que os sequestradores utilizem telefones para entrar em contato com os pais da vítima, e há um certo consenso de que para que a empresa rastreie a ligação, é preciso uma ordem judicial.

Ninguém responsabiliza o Correio pelo conteúdo de uma carta ofensiva, ou mesmo uma mensagem extorsiva. A empresa só é responsabilizada quando se recusa a cooperar com a Justiça. Já na Internet os sites são co-responsáveis, respondendo judicialmente por tudo que publicam.

Isso faz sentido em modelos editoriais como o MeioBit ou o New York Times, onde o site produz o próprio conteúdo. Só que quando o site apenas fornece uma plataforma para conteúdo alheio, como o YouTube ou o Twitter, essa responsabilidade se torna nebulosa.

Essa cobrança inclusive não é só Legal. Os próprios usuários cobram posturas dos sites que não são cobradas de outras empresas. Os responsáveis por elas também se sentem na obrigação de assumir posições em causas políticas e sociais, de uma forma que assustaria empresas seguindo modelos tradicionais.

Um excelente exemplo ocorreu com o pega-pra-capar em Gaza. Tanto o Hamas quanto Israel estão usando direto redes sociais, em uma guerrinha online particular. De um lado o Hamas lança foguetes e tuíta anunciando (se falarem BANG eu processo). Do outro Israel faz liveblogging dos ataques, através da conta oficial das Forças de Defesa no Twitter.

Por esses dias a conta tuitou um vídeo do YouTube mostrando a eliminação de Ahmed Jabari, (ex)chefe militar do Hamas:

Até aí tudo bem. O vídeo gerou a polêmica esperada, e desde o dia 14/11 teve mais de 4 milhões de visualizações. Também foi reportado, pelo pessoal defensor da liberdade de expressão desde que expresse a visão deles.

Com isso o vídeo foi tirado do ar pelo YouTube. FAZ PARTE, a remoção é automática, a revisão é feita manualmente e o vídeo volta ou não.

No caso, algo MUITO estranho aconteceu. O redirecionamento do encurtador de URLs do YouTube deixou de apontar para o vídeo correto e passou a mostrar uma montagem tão estranha que é complicado dizer se é contra ou a favor… alguém.

Esse tipo de coisa NÃO ACONTECE. Seria preciso alterar no banco de dados do redirecionador a URL de destino. Geraria desconfiança no serviço, seria péssimo para os negócios. Seria o YouTube assumindo uma posição política em meio a uma crise internacional.

Depois de 3 horas tudo voltou ao normal.

Israel diz que houve um bug no redirecionamento, mas que não consideram possibilidade de malícia ou invasão. O Twitter diz que não tem nada a ver com o caso, e o YouTube não se manifestou.

A Navalha de Hanlon diz que nunca devemos atribuir à malícia o que pode ser explicado pela estupidez, mas algumas vezes a malícia é a única explicação. O que é uma pena, pois um funcionário sozinho falou pela empresa inteira.

SE foi uma tentativa oficial do YouTube em se posicionar, pior ainda. Notem, o YouTube é uma empresa privada, e tem direito de hospedar o que quiser, seja vídeo de Morte dos Céus de um líder terrorista, seja vídeo de mísseis do Hamas decolando rumo a Israel:

A única coisa que o YouTube NÃO tem direito é varrer sua posição para debaixo do tapete, como uma Fox News da vida. Se foi um funcionário rebelde, assumam a falha. Se foi uma posição oficial, assumam e bloqueiem os vídeos que quiserem.

Só não dá é para fingir uma imparcialidade desnecessária e inexistente. Muito menos atribuir tudo a um suposto bug que deixa todo geek do planeta com o desconfiômetro em fundo de escala.

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