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A Amarga Maçã de Israel

15/11/2012 às 23:19

Nos últimos dias o bicho está pegando na Faixa de Gaza. Israel resolveu ir atrás do Hamas, e está passando fogo nos sítios de lançamento secretos, fábricas de foguetes disfarçadas e abrigos da liderança militar inimiga.

Não foi uma decisão gratuita. Estão respondendo aos mais de 200 foguetes de médio alcance que o Hamas disparou em cidades israelenses nos últimos 7 dias. Boa parte deles interceptados pelo Iron Dome, um escudo anti-misseis desenvolvido a partir das baterias de Patriots, usadas nas Guerras do Golfo.

Que o Iron Dome funciona, é fato, como todo mundo pode ver nos vídeos no YouTube. E é aí que mora o perigo. Literalmente.

Hamas rockets2

Antigamente artilharia era algo que acontecia às cegas. Você atirava em alvos baseado em informações que tinham horas, às vezes dias. Na Guerra Civil Americana balões, com observadores, lunetas e fios de telégrafo eram usados para observar posições inimigas e repassar a localização dos alvos.

Na Segunda Guerra Mundial observadores avançados eram essenciais, muitas vezes em aviões, se arriscando muito mas conseguindo informações para algo essencial em combate: Correção de tiro.

A matemática é perfeita, mas no mundo real por mais que você tente não vai acertar de primeira. Há variáveis demais. Por isso os primeiros tiros são de calibragem. Um observador avançado anota aonde cada projétil caiu, repassa as informações e você bate com o que seu computador / tabela / ábaco indicou. Com isso é só calibrar e sua precisão aumenta MUITO.

O Hamas não tem observadores em Israel, então seus foguetes são disparados baseados em mapas, Google Earth, essas coisas. Muitos caem em descampados, regiões periféricas ou áreas bem-protegidas. Para acertar as regiões mais “macias” com mais alvos, como escolas e hospitais, precisariam de observadores, mas quem seria traíra ou burro para fazer esse papel pra eles?

Um monte de gente.

As Forças de Defesa de Israel estão implorando para que as pessoas parem de subir vídeos de ataques. Não importa que mostre somente o depois. Quem lançou o foguete sabe quando lançou, então é só fazer as contas.

Com essa informação o Hamas pode mirar com muito mais precisão, além de ter feedback quase instantâneo da eficácia do ataque.

Claro, as chances da população acatar o pedido das IDFs é zero.

A Era da Mídias Sociais mudou as regras de tudo, inclusive da guerra. Não dependemos mais de correspondentes, versões oficiais, imagens desinfetadas e censuradas para não chocar. Hoje temos acesso ao real, ali e agora, e isso é bom.

A Internet é uma proverbial maçã bíblica, o Fruto do Conhecimento, uma metáfora tão perfeita que dói, visto que em praticamente todas as religiões a maior blasfêmia é justamente questionar, querer saber mais.

O conhecimento em si não é bom nem mau, e sim o uso que se faz dele. Por séculos o controle e divulgação de informação ficou sob controle de poucos. Hoje todos somos emissor E receptor, a capacidade de viralização de uma informação independe do tamanho da fonte inicial.

Esse gênio não vai voltar pra garrafa. A Guerra do Futuro não poderá mais depender do segredo, da surpresa, do subterfúgio. Osama Bin Laden foi morto em uma das operações mais secretas dos últimos 60 anos e mesmo assim um vizinho tuitou a invasão.

Ninguém sabe ainda direito como trabalhar com essas novas regras, mas se há algo que não dá certo é tentar impor censura. Não é nem por questões éticas, do ponto de vista prático é impossível bloquear o fluxo de informações. Egito e Líbia que o digam.

Estudiosos debatem como isso tudo afetará a percepção pública, pois guerra é, além de armas, um esforço de propaganda e psicologia, até então bem-entendido. A grande ironia é que o complicador é justamente a participação da população, que todos diziam entender tão bem.

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