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Yippee-ki-yay, Tim Cook! Bruce Willis ameaça processar a Apple

03/09/2012 às 14:18

brucewillis

Depois que Hans Gruber simulou a própria morte e foi trabalhar em Hogwarts a vida de John McClane andava parada, mas agora nosso herói enfrenta um inimigo que não existia nos Anos 80, quando ele ainda era relevante: O modelo de venda de músicas online.

Por séculos nos acostumamos a possuir fisicamente as músicas. Tínhamos CDs, LPs, discos de 78 rotações, fitas K7, MiniDisc da Sony, cilindros de cera, não importa. Eram nossa discoteca. Hoje isso mudou, como descobriu o ex da ex-Mrs Kutcher, ao tentar passar para as filhas a enorme biblioteca de músicas compradas em uma tonelada de iPads, iPods e iPhones que ele, como todo cara rico e cool possui.

Nos velhos tempos emprestava-se um LP, e se a pessoa gostasse, era só fazer uma cópia em fita K7. A degradação da qualidade impedia uma progressão geométrica das cópias piratas, Com os arquivos digitais, não há perda, e isso assusta gravadoras e músicos. Os grandes distribuidores utilizam tecnologias de DRM para tentar evitar a replicação de conteúdo não-autorizado, o que acaba irritando usuários, e o Bruce Willis.

Mesmo assim a ameaça de processar a Apple pode não significar muito. Por um lado seria excelente, criando uma jurisprudência que se estenderia para todas as outras lojas online, algumas bem mais restritas. Sim, Sony, estou olhando pra você e seus CDs malditos que não tocam nem no player do carro, por causa de DRM.

Por outro lado, talvez seja tarde demais. A própria Apple tem o iTunes match, a Amazon tem seu cloud player e serviços como Grooveshark ficam cada vez mais populares. Se 3G no Brasil fosse algo decente não faria sequer sentido gastar preciosos megabytes com MP3, podem fazer streaming daquela grande discoteca no céu.

O email sofreu uma mudança semelhante. Antigamente as pessoas colecionavam correspondência. Cartas eram patrimônio, em alguns casos publicadas em livros. Hoje não só ninguém mais escreve cartas como emails deixaram de existir no HD, em programas como o Eudora ou Outlook Express.

Hoje nossas correspondências existem em algum lugar, sob controle da Microsoft, do Google, do Yahoo (alguém ainda tem email do yahoo?). Podem ser apagados sem aviso, roubados por hackers e, se morrermos (não que esteja nos meus planos) nossos amigos e parentes jamais acessarão essas mensagens, não sem muito trabalho.

Ao mesmo tempo que é um absurdo você não ter a posse da música que compra, a própria compra de música está para se tornar algo do passado. Possuir álbuns é algo anacrônico, quando o que importa é o conteúdo.

Não há um modelo viável ainda que englobe produtor de conteúdo, distribuidores e consumidores, e isso está complicando a vida de todo mundo, mas no momento em que esse modelo surgir, veremos um boom na geração de conteúdo como nunca se viu.

Até lá teremos que lidar com soluções paliativas, pois mesmo sem DRM, como algumas faixas vendidas pela Amazon, não há nenhum método simples para compartilhar músicas. Esqueça seu conhecimento geek, pense nas pessoas normais. Muito provavelmente mesmo que residissem em plácidas pastas /MP3 nos iPods, Bruce Willis ainda assim não conseguiria passas as musiquinhas pras meninas.

Muito provavelmente ele não dará prosseguimento à ameaça, um processo contra a Apple custaria muito mais que todas as músicas que comprou, mesmo assim é importante a atitude de Bruce Willis, pois chama atenção para um problema real, que vai muito além da Apple.

Fonte: TOI

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