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Kodak - a lenta morte do gigante

27/08/2012 às 16:49

Você que hoje está confortável em sua casa com sua câmera digital pode não saber, mas você deve muito ao fundador da Kodak, um senhor chamado George Eastman. Quando a fotografia comercial surgiu, a sua execução era uma coisa muito complicada. Ser fotógrafo implicava em carregar quilos de equipamentos e produtos químicos. Para ter seu retrato estampado na parede era necessário desembolsar uma boa quantia de dinheiro em um ateliê ou estúdio fotográfico. Assim como a pintura, a fotografia estava reservada para as classes sociais mais elevadas, sendo ela também uma prova do poder aquisitivo da pessoa retratada. Claro que os menos abastados também conseguiam o seu retrato de família. Passavam meses economizando para ter em sua residência um único retrato, e por vezes as roupas que usavam nessas fotografias eram cedidas pelo próprio estúdio, mostrando uma posição social que os fotografados não possuíam.

O que George Eastman fez foi romper com esse ciclo. Nas horas de folga de seu trabalho como bancário ele começou a desenvolver o primeiro sistema de filme fotográfico de rolo da história. O que ele fez na realidade foi popularizar a fotografia, fazendo com que qualquer pessoa fosse responsável pelo registro de sua história familiar ou pessoal. Ele trouxe a fotografia para as massas. A câmera era vendida com um filme de rolo com 100 poses. Após as fotos serem batidas, a câmera era entregue na loja onde foi comprada e a mesma era enviada para a Kodak. O filme era revelado e a câmera reabastecida com mais um filme de 100 poses e tudo era devolvido à loja. O slogan da empresa era maravilhoso: “Você aperta um botão e nós fazemos o resto”. Considero essa a primeira grande revolução dentro da fotografia após a sua invenção. A segunda revolução foi, sem dúvida, a fotografia digital, que nos trouxe outro período gigantesco de popularização da arte fotográfica.

Porém, a Kodak perdeu o bonde da história. A empresa sempre foi famosa pela inventividade e por apostar em mercados que estavam surgindo. Foi assim que Eastman construiu o seu império, porém não foi assim com a fotografia digital. Embora tenha tido em seus laboratórios as primeiras experiências com a captura digital, a diretoria decidiu não investir na coisa. Como os primeiros experimentos não mostravam uma imagem de qualidade elevada, os executivos da Kodak acharam que as pessoas não trocariam o filme e o papel pela nova tecnologia. Podemos dizer que esse foi o maior episodio de falta de visão do mundo coorporativo. O resto é informação conhecida por todos. A fotografia digital explodiu e evoluiu de maneira rápida. A Kodak demorou para entrar na produção digital e continuou apostando pesadamente, por algum tempo, na produção de filmes. Agora a empresa se encontra em uma situação desesperadora. Com prejuízo de mais de 600 milhões de dólares no primeiro semestre de 2012 eles já haviam pedido concordata em janeiro e um plano de recuperação da empresa foi colocado em curso. A produção de câmeras fotográficas digitais foi interrompida e os porta retratos digitais também foram eliminados. Vários setores da empresa foram vendidos e existia o plano de vendas de patentes relacionadas à imagem digital.

A última notícia, que chegou a nós no dia 24 de agosto é que a Kodak vai interromper sua produção de filmes e papeis fotográficos. Sim, meus amigos. Esse é o fim. Agora a empresa está totalmente fora de um dos ramos econômicos que praticamente criou sozinha. O próximo passo agora é a venda das patentes de fotografia e imagem digital que a empresa possui. A expectativa dos diretores era arrecadar cerca de 2 bilhões de dólares com elas, mas os possíveis interessados na compra (Apple e Google) garantem que o valor de mercado não passa de 500 milhões de dólares. Vejo poucas expectativas para o gigante. Provavelmente será vendido e desmembrado. Se houver justiça divina o nome deve ser enterrado junto com o passado da empresa que ajudou a formar as bases da fotografia como a conhecemos.

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