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Angry Birds Space? A NASA chegou antes

27/08/2012 às 12:03

Nos primórdios da exploração espacial não havia certeza nem se humanos conseguiriam sobreviver por alguns minutos no espaço. Alguns cientistas imaginavam até que como astronautas em órbita estão em queda livre, entrariam em pânico, ao sentir que estavam “caindo sem parar”.

Isso foi parcialmente resolvido com os testes em aviões conhecidos como Cometa do Vômito, que executavam vôos em parábolas (não as bíblicas) e proporcionavam entre 15 e 20 segundos de “gravidade zero”, onde foi possível perceber que não havia tanta desorientação assim.

Parte desses testes envolveram animais, por serem mais frágeis, e portanto reportarem problemas de forma mais evidente do que humanos, ainda mais com a nossa mania de Rambo de dizer “não foi nada”.

Esses testes demonstraram algo óbvio mas que sempre esquecemos: Somos dependentes da gravidade, evoluímos com ela e conviver em um mundo de imponderabilidade significa literalmente reaprender a andar. Mesmo assim, é viável.

Um dos experimentos envolveu… pombos.

Note que não é só questão de perder a orientação, o próprio vôo dos pombos depende muito da gravidade, sem ela eles mal conseguem sair do lugar.

Imagino que esses experimentos não tenham sido muito populares, dada a inevitável quantidade de cocô flutuando.

Já gatos parecem muito mais zen com a falta de peso, veja:

Sem a gravidade o reflexo de cair com as patas pra baixo desaparece, todo o movimento violando as Leis da Física e girando no ar desaparece. Eles não se sentem “caindo”, provavelmente se baseiam nas referências visuais em volta. Não gostam, claro, é algo deselegante e indigno para um gato.

Cachorros parecem não ligar muito também, ao menos é o que transparece nesse vídeo, onde dois sujeitos fazem uma manobra de 1G negativo em um monomotor, provavelmente esquecendo que estão com um cachorro no banco de trás. O Dogão fica meio abobado, mas também não se apavora:

Essa adaptabilidade incrivelmente não é restrita a animais superiores, mesmo “superiores” incluindo pombos. Em 1973 a NASA resolveu testar se aranhas eram capazes de sobreviver em gravidade zero, enviando para o Skylab dois espécimes, Arabella e Anita.

Anita, infelizmente morreu ao chegar, já Arabella permaneceu firme e forte, mas confusa. No primeiro dia só conseguiu tecer uma teia embolada, mas mesmo seu cérebro primitivo e limitado de inseto (eu sei, são aracnídeos, mas adoro irritar o Parker) era complexo o bastante para se adaptar, e ao final do terceiro dia ela já produzia teias tão complexas quanto as terrestres.

Arabella sobreviveu o resto da missão, mas morreu durante o pouso da cápsula Apollo que a trouxe de volta pra Terra. Hoje seu corpo, junto com o de Anita, estão expostos no Instituto Smithsoniano.

Muito tempo em gravidade zero tem efeitos negativos, que vão de perda de Cálcio nos ossos a uma eterna sinusite, pois sem gravidade há acúmulo de líquido nas extremidades. Sim, astronautas ainda por cima têm mãos inchadas. Mesmo assim o maior efeito não foi previsto pelos cientistas: Nenhum imaginou que humanos ADORARIAM flutuar pelo ambiente, mesmo com inconvenientes como bater a cabeça no teto e ter que utilizar algo parecido com um robô marciano só para ir ao banheiro.

Depois da vista da Terra o que astronautas mais sentem falta é da liberdade de flutuar, e olha que nem chegamos a começar a escrever o livro que Arthur Clarke batizou de NASA Sutra.

Talvez a maior prova de que a ausência de gravidade nem de longe é danosa como alguns imaginavam seja o vídeo abaixo. Foi talvez o maior presente da vida de Stephen Hawking. Uma mente genial prisioneiro de um corpo inerte, por alguns minutos foi mais livre que 99,99% da Humanidade, presa ao chão pela gravidade implacável.

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