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iPhone de US$800, histeria das massas e mídia de manada

05/08/2012 às 19:43

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Uma das nãotícias da semana foi o boato de que a Apple iria cobrar US$800 pelo iPhone 5. Em poucos minutos o Twitter pegou fogo, com os termos iPhone 5 $800 e #800DollarsForAniPhone aparecendo nos Trending Topics mundiais.

As mensagens gravitavam entre revolta e indignação, as pessoas (e aqui uso o termo de forma bem generosa) pulavam o ponto de replicação da informação, ignoravam a confirmação, e iam direto pra reação. Seguindo a regra de que se está na Internet é verdade, e como complexo de vira-lata é um fenômeno mundial, a rage era imensa.

Xingavam a Apple de tudo que é nome, afinal a idéia de que o iPhone 5 (que a rigor nem existe ainda) fosse custar US$800,00, ao contrário dos US$200,00 do modelo atual era revoltante. Tão revoltante que ninguém se deu ao trabalho de pensar que não faz o MENOR sentido.

Historicamente a Apple sempre manteve o preço do iPhone novo na mesma faixa do anterior. É uma estratégia tão vencedora que cada modelo novo de iPhone vende tanto quanto todas as gerações anteriores combinadas. Qual o sentido de mexer nisso?

Outra: A Apple JÁ vende iPhones de US$800,00. Na verdade, US$849,00, o preço de um iPhone 4S 64GB, sem contrato e portanto sem subsídios de operadora.

“Ah, foi isso a origem da confusão?”

Não, pequeno gafanhoto, foi bem mais constrangedor.

Um monte de sites começou a soltar matérias sobre o boato, legitimando uma acusação imbecil, afinal boato sobre a Apple SEMPRE rende audiência. Deu certo. A retroalimentação fez com que o assunto durasse horas, um feito no nosso mundo com ciclos de notícias de 24h.

“o quê aconteceu afinal?”

Tudo começou quando um sujeito viu um site chinês anunciando pré-venda do iPhone 5 a US$800. Quase o equivalente a um daqueles MP25 do Mercado Livre, ou o tal E71-Mini. Simplesmente não existe iPhone 5, a única coisa que o site fez foi vender “o próximo celular da Apple”, com 100% de chance de ser contrabando, sem contrato. Também 100% de chance de não ser o modelo top.

Uma brincadeira a sério de telefone-sem-fio transformou uma besteira dessas em uma comoção mundial, praticamente dando como certa uma mudança de 180 graus na política de vendas da Apple.

As pessoas em geral não gostam de repassar informação falsa, não há malícia envolvida. A função dos meios de comunicação seria justamente combater a informação falsa com a Verdade, mas é complicado, quando os sites populares entram na histeria amplificando o boato, e os sites sérios se calam.

Aqui cabe um raro mea culpa. Nessa e em outras ocasiões assumimos um ar de superioridade, considerando a situação tão idiota que não havia necessidade de escrever sobre o tema. Assumimos que nosso leitor jamais passaria adiante tal bobagem, o que provavelmente é verdade, mas ao não escrever na hora, desarmando a bomba inexistente, privamos o nosso leitor da arma mais eficiente: Informação de qualidade. Seu único argumento para demonstrar a falsidade da alegação era o bom senso, e na Internet isso nunca é suficiente.

Pedimos desculpas, achar que estamos “acima” de determinados assuntos é uma atitude arrogante, e arrogância do pior tipo: A que não beneficia ninguém. Há um meio-termo entre ser popular no mau sentido e blindar o leitor de toda e qualquer informação que não seja elitista. É esse ponto que pretendo mirar agora.

Até porque, ser avestruz enfiado na terra ou ser mídia de manda, dá no mesmo.

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