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Cabo azul: soro na veia do povo

10/02/2007 às 11:18

Lendo o post do luizdu, percebi que não sou o único viciado em internet. Fiquei muito preocupado... Por mim e pelo resto do mundo. Cada vez mais as pessoas usam a internet e cada vez menos as pessoas interagem na vida real.

Pra quê ir à casa do Seu Piragibe (eu só vejo novela quando não tenho o que fazer), lá no Acre (!), se tu podes logar num InstantMessenger, plugar a webcam (quem sabe um microfone) e conversar com o cidadão? Não precisa pagar gasolina, passagem de avião ou busão.

Oh sim, amigos! Isso é um grande benefício que a generosa internet nos dá. Assino embaixo. Mas a grande causa do vício não está nessas coisinhas. É fotolog (era né, saiu de moda), Orkut, MSN, mp3, BBB, RBD etc etc. Para os gamers on-line, a questão é evoluir seu char, dar uns headshots e/ou entrar pro rank. Para os voyeurs...
E vocês, blogueiros safados, nem pensem que escaparão! No caso de vocês, é informação, feeds, informação e feeds também.

Eu li num blog, um dia, que o autor assina mais de 900 feeds. Tenha dó. “Ohô! Eu assino muito mais..” alguém pode ter soltado. Sim, agora você está super informado, você está por dentro de tudo no mundo e seus dedos simplesmente fazem fluir qualquer texto sobre qualquer coisa. Coitados os probloggers, que ficam 8 horas ou mais frente ao monitor. Um dos casos mais críticos.

Qualquer bico de bule tem 300 amigos no Orkut. Qualquer um tem 5 mil recados. Eu tenho quase isso, nos dois casos. Mas duvido que qualquer um tenha realmente tantos na vida real. Aqueles com quem você sempre anda, com quem pode contar. Amigos de verdade. É assim comigo e eu sei que isso acontece com a maioria. Eu tento manter, o máximo possível, minhas amizades na vida off-line. Não converso tanto assim como na internet, talvez devido à distância, falta de tempo e aqueles motivos de sempre.

Certa vez, um moleque de cabelos loiros conversava com um rapaz de touca no ônibus. O piá vinha de uma escola agrícola, com uma placa com o nome da cidade na mão (pra ganhar carona pra casa) e uma mochila no colo. Os dois não se conheciam. Achei interessante a reação do cara de touca quando o moleque sentou do seu lado e começou a puxar conversa. Perguntou onde ele estudava e o cara respondeu que não estudava mais, sem mesmo olhar pra cara do guri. Aos poucos, foram se soltando e quando cheguei ao meu ponto, os dois já conversavam alegremente.

Anteontem estava no shopping aqui da cidade e me deparei com uma placa com os dizeres ‘Agora com sinal WiFi’. Imaginei um sujeito saindo de casa, passando na cafeteria do shopping, abrindo seu note sobre a mesa e lendo uns blogs/e-mails acompanhado de um bom expresso. Uauuu! Os geeks devem ter sentido calafrios! Mas será que até pra fora de casa nós *precisamos* levar internet!? Será que é algo assim tão importante que não podemos viver sem? Até no shopping, mano, onde você poderia estar tomando um chopp com seus hermanos, você tem que usar a internet? Sim, é legal, é novidade, facilita a vida de quem precisa. Mas pô, estamos bancando os individualistas. É horrível conversar com alguém lendo ou digitando alguma coisa, pra ambas as partes.

Outra vez, li que alguém estava desenvolvendo um gadget (desculpem, sou um colaborador preguiçoso e não procurei links) que poderia ser usado juntamente com um InstantMessenger. Para fazer sexo virtual. Até *isso* a gente não vai mais fazer *de verdade*??

O comentário do brunogross, na minha opinião, foi um dos mais relevantes:

To me sentindo anormal demais aqui... Eu tenho namorada e não namorada.jpg... Eu jogo futebol e não Winning Eleven ou CM... Eu vou a boites e bares beber e zoar a mulherada real e não no Second Life... Eu vou ao cinema e não baixo por redes BT os filmes pra ver no pc... Um telefonema dos amigos pra zoeira independente da hora faz eu encerrar qualquer conexão...

Se você está sem internet, desligue o computador. Sério! Não fique fazendo tarefas off-lines rotineiras como scans de anti-vírus, organizar seus arquivos e seus mp3. Saia de casa, ligue pra alguém do sexo oposto (vai de cada um), chame a galera pra sair. Prometi pra mim mesmo que, este ano, farei aulas de violão. Faça coisas diferentes.

Se você lê muito, como eu, separe os feeds preferidos. Não fique lotando sua cabeça com tanta informação. Acredite, não vai fazer falta. Você nem lembraria da maioria mesmo. Leia livros, jornais. Muitos blogueiros por aí demonstram não estar preparados para blogar. Pois é, qualquer um pode ter um blog, hoje em dia. E esse qualquer um pode estar tomando seu tempo com abobrinhas. Prefira profissionais, gente formada, mas não descarte gente criativa que completou o Ensino Médio ano passado, como eu (sarcasmo).

SecondLife o caramba! Sua vida é aqui e agora.

Tome cuidado pra não deixar que o cabinho azul seja teu único sustento. Internet é legal. Quer bater um papo com alguém? Faça pessoalmente, quando puder. Uma prosa, de vez em quando, faz bem.

*Cabo azul é só uma referência à internet em si. Não estou interessado em saber se você é chique e usa wireless, ou satélite ou qualquer porcaria que inventem. Se você usa discada, meus sinceros sentimentos de pesar.

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