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O dia em que a Apple valorizou mais o marketing do que os consumidores

21/05/2012 às 16:56

aiooooooosilver

Normalmente quem manda nas empresas de tecnologia é o marketing, daí decisões de lançar tablets com GPS não-funcional, celulares com acelerômetro sem nenhum meio de acessar via software e outras barbaridades. Em outras quem manda é o pessoal da engenharia, e aí temos aparelhos amados por nerds mas impossíveis de ser usados por gente normal.

A Apple é uma rara exceção, onde o pessoal de design e usabilidade tem a palavra final. Foi assim no tempo dos primeiros Powerbooks, quando a Apple bateu pé e foi a única empresa do mundo com as logos “erradas” nas tampas de seus notebooks.

A marca da empresa na tampa é um instrumento de divulgação, a maçã iluminada foi uma excelente sacada, que atraiu o pessoal de Hollywood, afinal “Macs Ficam Bonitos Na Tela”. Assim quando a Apple não pagava o merchã, o pessoal da cenografia enfiava um Mac mesmo assim, pois eram cools.

Só que a maçã estava de cabeça para baixo.

Quase todo notebook da época tinha a logo do fabricante na capa na direção correta, fazendo a devida propaganda quando o sujeito utilizava o bicho. COMO a Apple deu um mole desses?

Fácil: O grupo de Design da empresa descobriu que a maçã invertida confundia o usuário. que tentava abrir o Macbook “do lado errado”. Como o foco deles era usabilidade, inverteram a maçã, fazendo o usuário ganhar algumas frações de segundo.

Isso durou anos, até que Steve Jobs, em um momento TOC percebeu que todo mundo tinha logos na posição normal e para qualquer lugar que olhasse, via maçãs invertidas, erradas.

Embora correto, o raciocínio da Apple era preciosismo. Os usuários não precisavam de uma muleta tão grande, e se o mundo inteiro não havia entrado em colapso por abrir laptops do lado errado, o problema talvez não fosse tão alarmante assim.

macjack

Hoje os Macs aparecem igual a todos os outros computadores na televisão, inclusive aqueles misteriosos notebooks “Windows”, e não consta que donos de Macbooks tenham grandes problemas por causa disso.

A lição é que nem sempre a melhor decisão vem do que é o “correto”. O argumento da Apple era louvável, certo e digno, mas foi uma vitória vazia. Indiretamente chamou o consumidor de retardado, incapaz de aprender que a maçã na tampa estava invertida, portanto era a posição “normal” para abrir o Macbook.

Não duvido que os outros fabricantes tenham se lixado para a usabilidade, privilegiando o marketing desde o início, mas a Apple não foi melhor que eles, ao defender uma usabilidade que só se justifica com usuários com graves problemas de aprendizado.

O segredo, o complicado é perceber quando essas decisões são bestas, quando são pirraça e quando são visionárias, como o fim dos disquetes e dos CDs nos Macs.Perder a perspectiva é muito fácil quando todo mundo acha que você não erra.

Fonte: TNW

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