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Engenheiro (sem vida) acha que podemos (não, não podemos) construir em 20 anos uma USS Enterprise

14/05/2012 às 15:26

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O pessoal habituê do MeioBit sabe que eu vejo com lentes cor de rosa (mas sem baitolice) tudo que se refere a exploração espacial, e soltei gritinhos feito uma garotinha (ok, baitolice indefensável) com o anúncio da Planetary Resources em minerar asteróides, mas existe uma enorme diferença entre se entusiasmar com projetos improváveis e colocar esperanças em idéias meramente fantasiosas.

Por isso depois de ler a notícia de que não só um sujeito que se diz engenheiro se propõe a construir uma Enterprise em 20 anos, como tem um site com planos detalhados, estimativas de custo e animações, decidi que minha reação inicial só pode ser representada pelo galante Capitão Jean Luc Picard:

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É até complicado saber por onde começar, mas fazendo uma analogia que todo mundo menos o autor do projeto entenderá, a Enterprise proposta é uma Barbie: Externamente é similar à original mas carece de uma parte fundamental, cuja ausência remove 90% da diversão.

Isso mesmo, ela não tem motores de dobra. O engenheiro mariquinha não quer correr atrás de Conversores de Energia Negativa e outros materiais exóticos para fazer um Motor Alcubierre, então quer construir uma Enterprise que vai singrar o espaço em velocidades rubinhescas, movida por um motor iônico.

A pretensão é tão grande que ele ignorou detalhes como o tamanho. A Enterprise original, comandada por Robert April, depois Christopher Pike e finalmente por James T. Kirk era um cruzador pesado classe Constitution com 300m de comprimento. A joça proposta por “BTE Dan” tem nada menos que 900m ponta a ponta. Modesto, ele:

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Mesmo no Universo Stark Trek naves com 900m não são comuns. Quase 100 anos depois da Enterprise de Kirk a NCC-1701E, Classe Sovereign tem meros 674.4m de comprimento.

Tá certo que hoje qualquer iPhone faz muito mais do que qualquer comunicador mostrado nas séries, mas estamos falando de estruturas no espaço, nossa maior maravilha tecnológica, a Estação Espacial Internacional tem 72.8m de comprimento, 108.5m de largura (a maior parte, painéis solares) e capacidade de manobra limitadíssima. Ela sequer voa, cai com estilo (é isso mesmo, pode pesquisar).

Os comentários no Universe Today estão extremamento hostis contra qualquer um que questione o projeto; dizem que o mundo precisa de sonhadores, que pode dar certo, bla bla bla. Só que sonhadores nunca criaram nada, quem merece o mérito é quem coloca mão na massa. Não foi nenhum sonhador com um projeto de um HAL9000 em cada esquina que tornou o mundo de hoje uma pletora de computadores. Foi esse cara aqui:

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Existem sonhadores que inspiram, como Clarke, Asimov, Bradbury. Eles criam visões do futuro que nos instigam ou nos alertam. Mostram como a tecnologia afetará nossas vidas. Nos instigam a criar essa tecnologia, mesmo não se preocupando com os detalhes.

Já os que se focam na tecnologia pela tecnologia, como o sujeito por trás desse projeto Build The Enterprise está longe de ser um sonhador. O projeto não é um sonho, é um devaneio escapista, uma forma segura de nunca realizar nada e ter a desculpa de ser “incompreendido”. E esse papo de “é só termos vontade” não significa nada. Se todos os leitores do MeioBit tiverem vontade e doarem R$10 cada um eu consigo o clone da Luciana Vendramini que sempre desejei.

Não vai acontecer, embora haja mais chances de meu clone chegar via Sedex do que essa Enterprise sair do chão.

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