Início / Arquivos / Curiosidades /

Wi-Fi de hotel adiciona código “extra” a páginas que hóspede acessa

Thássius Veloso

Por

Notícia
Achados do TB Achados do TB

As melhores ofertas,
sem rabo preso 💰

Na próxima vez que você for viajar, pense duas vezes antes de ligar o seu computador à rede do hotel em que está hospedado. Um engenheiro americano verificou que pelo menos uma importante rede de hotéis dos Estados Unidos mantém a curiosa prática de adicionar código adicional a páginas da internet sem om consentimento do publisher do conteúdo ou do próprio usuário.

Justin Watt ficou no Courtyard Marriott, em Manhattan, Nova Iorque. Ao se conectar à internet, percebeu que um espaço em branco aparecia no topo do seu blog. O mesmo acontecia em diversos sites, alguns conhecidos como o GigaOM. Depois de dar uma espiadinha básica no código-fonte dos sites percebeu que um JavaScript estava rodando ali, pronto para posicionar propaganda mesmo sem autorização dos donos das páginas.

Em entrevista ao blog Bits do New York Times, Watt  comparou a situação aos “correios ou Fedex abrirem suas caixas da Amazon e adicionarem panfletos dentro dos pacotes” (frase traduzida livremente).   Realmente, não dá para imaginar que, em algum momento, alguém aprovou a modificação das páginas sem consentimento nenhum.

Hotel da rede Marriott

O código-fonte faz referência ao serviço Revenue eXtraction Gateway, que se presta a gerar um dinheirinho extra no fim do mês a partir de APs (access points). Para chegar a esse resultado, as páginas solicitadas pelos hóspedes têm parte do código reescrito para incluir um anúncio publicitário. Chamam a prática de “manipulação da experiência web”.

Vamos traçar um paralelo. Uma das fontes de receita do Tecnoblog são as propagandas que exibimos em nossas páginas. Imagine se, numa determinada localidade, o provedor de internet modifica nossas páginas e troca os banners contratados diretamente com a empresa e que financiam o conteúdo do site por outros de um terceiro, sem nada a ver com o site. Ou ainda: posicionam anúncios de terceiros acima do nosso conteúdo, disposto de uma maneira que não foi desenhada pela equipe do TB que monta o layout do site.

De novo, inacreditável.

Há dois pontos, porém, a serem observados. Primeiro e mais importante: a reportagem do Bits não fala sobre os termos de serviço para uso do Wi-Fi. Pode ser que, ali, o hotel deixe claro que usa de artifícios para modificar páginas e gerar receita para si. Segundo: a internet é fornecida em caráter gratuito.

A rede Marriott não se manifestou sobre o assunto.