Na próxima vez que você for viajar, pense duas vezes antes de ligar o seu computador à rede do hotel em que está hospedado. Um engenheiro americano verificou que pelo menos uma importante rede de hotéis dos Estados Unidos mantém a curiosa prática de adicionar código adicional a páginas da internet sem om consentimento do publisher do conteúdo ou do próprio usuário.

Justin Watt ficou no Courtyard Marriott, em Manhattan, Nova Iorque. Ao se conectar à internet, percebeu que um espaço em branco aparecia no topo do seu blog. O mesmo acontecia em diversos sites, alguns conhecidos como o GigaOM. Depois de dar uma espiadinha básica no código-fonte dos sites percebeu que um JavaScript estava rodando ali, pronto para posicionar propaganda mesmo sem autorização dos donos das páginas.

Em entrevista ao blog Bits do New York Times, Watt comparou a situação aos “correios ou Fedex abrirem suas caixas da Amazon e adicionarem panfletos dentro dos pacotes” (frase traduzida livremente). Realmente, não dá para imaginar que, em algum momento, alguém aprovou a modificação das páginas sem consentimento nenhum.

Hotel da rede Marriott

O código-fonte faz referência ao serviço Revenue eXtraction Gateway, que se presta a gerar um dinheirinho extra no fim do mês a partir de APs (access points). Para chegar a esse resultado, as páginas solicitadas pelos hóspedes têm parte do código reescrito para incluir um anúncio publicitário. Chamam a prática de “manipulação da experiência web”.

Vamos traçar um paralelo. Uma das fontes de receita do Tecnoblog são as propagandas que exibimos em nossas páginas. Imagine se, numa determinada localidade, o provedor de internet modifica nossas páginas e troca os banners contratados diretamente com a empresa e que financiam o conteúdo do site por outros de um terceiro, sem nada a ver com o site. Ou ainda: posicionam anúncios de terceiros acima do nosso conteúdo, disposto de uma maneira que não foi desenhada pela equipe do TB que monta o layout do site.

De novo, inacreditável.

Há dois pontos, porém, a serem observados. Primeiro e mais importante: a reportagem do Bits não fala sobre os termos de serviço para uso do Wi-Fi. Pode ser que, ali, o hotel deixe claro que usa de artifícios para modificar páginas e gerar receita para si. Segundo: a internet é fornecida em caráter gratuito.

A rede Marriott não se manifestou sobre o assunto.

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Thássius Veloso
"Simples". Agora explique isso para os usuários leigos, nossos pais e tios.
Thássius Veloso
É um script novo que ainda está em desenvolvimento.
alberto
Simples. Apenas permita conexão com seus sites via SSL.
Micael Silva
E a polêmica que aconteceu com a operadora O2 do Reino Unido quando descobriram que o sistema inseria nos cabeçalhos de HTTP o número de telefone do cliente? A privacidade está em coma mesmo...
@TatoGomes
Bug? "It's all about the money, money, money..." ?? Mentira... Eu não sei de nada e crio teorias da conspiração por impulso. =D
@OttonMoura
Acho ilegal, mesmo que explícito nos termos de uso. Porém acredito que gere uma bos discussão entre advogados.
@mos_axz
A questão Gaius, é que a legislação do EUA é diferente e lá não existe CDC e todo o argumento de seu comentário foi baseado nisso. Com certeza seria algo ilegal no brasil, mas nos estados unidos pode ser somente imoral.
@lucgiovanny
Sei que não tem haver com a notícia, mas qual é a desse 'bug' do Tecnoglog que toda palavra "claro" vira um link?
Breno Caldeira
Caraca! Quando fui a Mountain View fiquei hospedado no hotel Marriot da cidade de Santa Clara. Bom, o acesso é gratuito, mas é restrito, apenas no lobby e não em tooodo o lobby. Antes de acessar vc deve aceitar uns termos que não tive a paciência para ler e... Usar a internet no quarto custa caro, e muito. Se não me engano, 17$/dia. Não incluso na diária de uns 100$. É mole ou esse povo quer lucrar ainda mais? E o preço ainda não inclui café da manhã :S passei fome e nem podia xingar muito no twitter xD
Gaius Baltar
Aqui há um claro abuso de confiança por parte do hotel. E é contra a lei!. Relativamente aos dois pontos levantados pelo Thássius Veloso, penso o seguinte: 1) Mesmo que o hotel deixe claro nos termos de uso que usa essa prática tal aviso de nada vale perante a lei, pois uma empresa pode colocar em contrato de venda que só dá garantia de 1 ano, mas se para aquele produto a lei estipular que a garantia é de 2 anos, de nada vale a empresa em questão ter "avisado". Ora, se entre o anunciante e o site há uma relação contratual de publicidade, um terceiro (o hotel) não pode impedir o site de oferecer o serviço pelo qual foi pago e ao anunciante receber o benefício por aquilo que pagou. Logo a ação do hotel é ilegal e não há termos de uso que a faça ser "legalizada". 2) O fato do serviço ser oferecido sem custos diretos não quer dizer que ele é grátis, pois como NÃO DISSE Milton Friedman (Uma das citações mais divulgadas atribuídas a Friedman, mas que não é de sua autoria) "Não existe tal coisa de 'almoço grátis'." O hotel com certeza já acrescentou o preço da conexão WiFi ao preço da diária. Mesmo que fosse gratuita não dá direito ao hotel entrar na privacidade do cliente e alterar a maneira como visualiza as páginas que quer. Existem outras maneiras de conseguir "pagamento" pelo uso, tais como pedir um "curtir" no Facebook, participar de enquetes ou simplesmente assina uma newsletter.
Yangm
Pior seria se eles modificassem as propagandas já existentes na página por propagandas que dariam lucro a eles. Isso aparecia em página com SSL também?
J Janz
"adicionar código adicional" ... prática realmente ... redundante ... ;)
Yangm
BA DUM TSS
luizalbertotj
Por um instante pensei que fosse uma rede de hoteis do Google...