Início / Arquivos / Jogos /

Brinquei com o PS Vita pela primeira vez e me decepcionei

Nosso colunista Izzy Nobre queria muito o novo portátil da Sony. Quando testou, não gostou muito. Descubra o porquê.

Izzy Nobre

Por

Notícia
Achados do TB Achados do TB

As melhores ofertas,
sem rabo preso 💰

Se você é leitor constante desta coluna, deve saber que eu sou um arauto da tal “revolução gamer portátil”. Pelo menos é assim que já fui chamado por alguns detratores mais gentis; as alcunhas que me dão são, na maioria das vezes, impublicáveis.

Eu noto que há um sentimento de bastante má vontade dos gamers tradicionais em relação ao impacto de aparelhos celulares e tablets na indústria dos videogames. Creio que parte é a rejeição natural do que é novo (seres humanos são inerentemente reacionários a mudanças; os constantes redesigns do layout de qualquer rede social é um lembrete vívido disso), parte é a rivalidade histórica entre jogadores casuais e jogadores “de verdade”, digamos assim.

Como boa parte do que se oferece em aparelhos do tipo são jogos casuais, é até esperado que os gamers hardcore torçam o nariz.

Apesar de já ter declarado algumas vezes que não tenho fé em investidas recentes como o 3DS e o PS Vita, parte de mim quer muito que eles sobrevivam. Sou gamer desde criança e me atraio particularmente por consoles portáteis, por mais que eu bata o pé e afirme que esse tipo de console está com os dias contados, me surpreendi quando percebi que aguardava o recente lançamento do PS Vita com excitação. Eu percebi que, apesar de tudo, queria participar dessa nova geração.

É, eu virei casaca mesmo. Argumentei tanto que consoles portáteis estavam entrando em extinção, e é só vê-los nas prateleiras que bate aquele ímpeto de gamer consumista (uma redundância, talvez?).

Logo que pude brincar com um Nintendo 3DS (que esteve disponível muito antes do Vita), bateu uma decepção tremenda. O bendito efeito 3D me afetou ainda mais do que eu esperava de acordo com a cautela recomendada por resenhas. Cinco minutos de Mario Kart 7 com o efeito 3D ligado me custava entre trinta e quarenta minutos de tontura e mal-estar em seguida. Tentei com o efeito 3D em níveis diferentes de intensidade mas o resultado foi mais ou menos o mesmo. Aparentemente, sou um desses pobres coitados que não conseguem ver efeito tridimensional muito bem.

É uma pena, porque enquanto não estou passando mal com o console na mão, o efeito é bem bacana e aumenta muito mais a experiência do jogo.

Relutante, fui obrigado a aceitar o fato de que eu provavelmente jamais comprarei um Nintendo 3DS. Sim, eu sei o que você vai dizer: eu deveria então jogar sem o efeito 3D, não é?

Não dá. Eu não consigo aceitar isso. 3D está no nome do console, é parte intrínseca da experiência do videogame e é essencialmente o motivo de sua existência. Eu sei que parecerá uma analogia exagerada, mas para mim é como comprar um Xbox 360 e tentar se virar sem usar um dos analógicos. É assim que me sinto quanto sou forçado a considerar comprar um console e simplesmente ignorar uma de suas funções.

E não esqueçamos disto aqui:

Não. Eu não aceito isso aqui.

Esta imperdoável gambiarra serve, por si só, pra fazer até mesmo o mais ferrenho fã da Nintendo esperar pelo menos pelo inevitável redesign do 3DS que trará analógicos.

Voltei minha atenção para o Vita então. Tive que acomodar a fantasia do novo console pra uma etiqueta de preço mais salgada (250 dólares versus 180 do 3DS), mas tudo bem, gastar dinheiro faz parte do processo de adotar um novo console. Mas não queria comprar às cegas, e brincar com o aparelho na loja não nos dá uma perspectiva tão completa assim.

Foi aí que dei sorte: um colega de trabalho chegou no dia seguinte ao lançamento do console com um Vita novinho em folha na mochila. Sendo ele um ser humano muito melhor do que eu jamais fui, ele foi pra casa e me deixou com o Vita na mão, pra brincar o dia todo.

A primeira coisa que notei foi o peso: ele parece bastante leve. Há certamente algum tipo de ilusão táctil em efeito com o Vita, porque ele pareceu mais leve até que o meu PSP-2000 (o que eu sei não ser verdade). Minha teoria é que, como o volume do Vita é relativamente grande, você instintivamente espera um peso equivalente.

As funções extras do Vita não me interessaram nem um pouco. Um aparelho portátil que toque música, rode vídeo e exiba foto não tem mais o mesmo apelo que tinha em 2005 quando o primeiro PSP foi lançado; idem com navegação na internet ou câmeras. O que me interessava realmente eram os games.

E eu devo dizer que estou meio… decepcionado. É elementar que não posso julgar o console inteiro baseado na biblioteca de lançamento, então não pensem que meu ponto aqui é dizer que o PS Vita é uma porcaria porque os três jogos que testei são fracos.

Em primeiro lugar, os gráficos. Talvez eu estivesse com uma expectativa muito alta (e infundada), mas a quantidade de aliasing em jogos como Uncharted é de amargar. Evidentemente, é um jogo de launch lineup: os games hão de melhorar bastante com o passar do tempo. Mas não estamos falando de comprar o Vita daqui dois anos; estamos discutindo a compra hoje. E hoje, o que eu vi não me fez achar que os 250 dólares seriam bem gastos.

Em segundo lugar, o controle. Antes que você se revolte, já experimentou aqueles fabulosos e inéditos analógicos duplos? Se sim, e se você tiver gostado e controlado os bonequinhos virtuais e a câmera habilidosamente, você é um ser humano com mais coordenação motora do que eu.

Os analógicos me pareceram muito pequenos, e oferecem quase nenhuma resistência ao movimento dos seus polegares. Meu Drake encontrava-se frequentemente encarando o chão ou o céu, como se fosse minha mãe tentando manobra-lo. E o D-Pad e botões de ação são estranhamente minúsculos, uma decisão que eu achei bem estranha. Tudo bem que o D-Pad tá perdendo a relevância a cada dia que passa, mas e os botões de ação? Eles precisavam acompanhar simetricamente essa redução de tamanho?

No final de tudo, a sensação que tenho é  de “sei não”. O Vita não é horrível, não é um “fracasso”. Eu ainda tenho esperança que o console se torne mais atraente. É que, diferentemente de outros consoles que experimentei ao longo da carreira de gamer, brincar com o PS Vita não me encheu de vontade de compra-lo imediatamente.

Entre um mini PS3 e ficar vesgo jogando Mario 3D, não sei mais o que escolher. Eu queria adotar um dos dois, mas nenhum me parece uma escolha clara (se é que eu devo optar por um deles pra começo de conversa).

Diga-me você: qual você prefere, caso já tenha experimentado os dois? Não fosse a maldita dor de cabeça e aquele acessório injustificável, o 3DS seria agora uma opção sedutora…

Nota do editor: O PlayStation Vita foi lançado no Brasil em 28/02, de acordo com informações fornecidas pela Sony Brasil. Custa R$ 1.599 no kit com console, estojo protetor, cartão de memória de 4 GB e o jogo Modnation Racers: Roadtrip(Thássius Veloso)

Atualizado em 21/03/2012 às 16h50