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E se roubassem o seu salário com um clique?

Caso do Megaupload evidencia problemas históricos de uma indústria que não aprendeu a usar a internet.

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Todo mundo sabia. Quem nunca foi ao Megaupload para baixar conteúdo pelo qual não pagou pode atirar a primeira pedra nos comentários. Sei que algumas boas almas nunca entraram no site, mas também posso apostar que pelo menos entre os leitores do Tecnoblog essa era uma atividade recorrente. Enfim, não vai mais acontecer.

Como tem todo tipo de opinião na rede, há de se considerar algumas delas e descartar as menos inteligentes. Dentre os argumentos plausíveis, o menos interessante deles defende que a ação do FBI foi contra a liberdade de expressão.

Pode ser, mas não totalmente. Com certeza havia pessoas que usavam o Megaupload para armazenar seus arquivos próprios. Documentos de trabalho, monografias de faculdade, fotos diversas. Tudo isso foi para o limbo e é uma pena avistar no horizonte a perspectiva de que tais arquivos nunca mais serão recuperados. Aqui mesmo a gente bate na tecla de que backup é importante e a computação na nuvem está aí para isso. Quem seguiu a cartilha do backup online mas apostou nos serviços do Megaupload se deu mal.

Há quem diga que o FBI decidiu mostrar ao mundo como vai ser caso o projeto de lei SOPA entre em vigor. É o contrário. A operação da polícia federal americana com a colaboração de oficiais neozelandeses prova que não há necessidade de SOPA nem PIPA para ir atrás de pessoas que possibilitam a pirataria. Embora em outra jurisdição, o processo contra o Pirate Bay corre por anos e a possibilidade de os responsáveis pelo site irem para a cadeia permanece latente.

“Querem proibir o compartilhamento livre de informação.” Agora sim começamos um diálogo mais acirrado. A internet foi pensada essencialmente para que pessoas do mundo inteiro colaborem entre si, troquem ideias, construam conhecimento. Não há limites para o tráfego dos bits e bytes. Como diz o ditado, “caiu na rede é peixe”. O problema é que as empresas que produzem conteúdo, muitas vezes custando bem caro, ainda não aprenderam a lidar com isso. Se o grupo Warner gasta US$ 100 milhões para colocar um filme nos cinemas, é natural que eles esperem o retorno desse investimento. Quando compartilhamos um filme deles, a boa verdade é que estamos roubando o conteúdo pelo qual não pagamos. Está na lei.

A indústria de conteúdo não soube se reinventar para combater a pirataria. Tudo bem, a Apple veio com seu iTunes para se tornar a maior loja de música do mundo. Muita gente compra música por lá, de modo que passaram o Wal-Mart (maior varejista do mundo) em venda de canções. Não basta.

Ainda faltam meios de distribuir conteúdo de maneira legal que esteja em consonância com o que as empresas querem e os consumidores também. Não sou tolo de dizer que os conglomerados de mídia são os heróis da história. Muito pelo contrário, por décadas exploraram os artistas. E agora parcela do público os explora economicamente ao não pagar pelo conteúdo que escuta, assiste, lê, joga etc. Há de se chegar numa relação equilibrada nessa história, sem extremismo para nenhum dos lados. Há de se pagar pelo conteúdo.

Estudiosos do mundo inteiro buscam uma solução para esse impasse. Já vi quem recomende micropagamentos; já vi quem apoie que as operadoras de banda larga repassem parte de sua receita para as empresas de conteúdo — como o ECAD repassa os direitos autorais para execuções de música no Brasil. Tem de tudo.

Duas coisas são certas.

O trabalho do artista ou produtor de conteúdo deve ser remunerado. Não é justo que a pessoa se envolva na gravação de um álbum ou o que quer que seja para, no fim das contas, descobrir que seu trabalho não foi comercializado e, devido a isso, ele não vai receber um tostão furado pela obra.

E os sites que se dedicam basicamente a isso, ao compartilhamento de conteúdo sem fazer o menor esforço para manter nos servidores somente o que é do próprio do usuário, tendem a desaparecer com o tempo. Novos vão surgir. É natural que aconteça dessa forma, está no DNA da internet. Mas eu torço mesmo para que as pessoas envolvidas na questão dediquem seus esforços a pensar em novas maneiras de comercializar o conteúdo. Isso faz falta nessa economia globalizada, conectada e imaterial na qual nos encontramos atualmente.

Quanto ao Megaupload, já vai tarde. Como eu disse, todo mundo sabia o que se passava naqueles servidores. Qual será o próximo alvo do FBI?

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AmargoeAzedo
E se roubassem o seu salário com um clique? Mas, roubassem EXATAMENTE como a pirataria faz! Você coloca seu salário num .torrent e deixa o mundo inteiro levar, vamos dizer como exemplo: R$4000,00. E no final do dia, milhares de pessoas teriam R$4000,00 em suas contas bancárias! E o melhor! Você não perdeu NADA! Ainda tem os R$4000,00. Me parece um mundo melhor!
Renoir de Paula Faria dos Reis
exato, eu por exemplo fazia downloads piratas, porém também havia arquivos pessoais como documentos de trabalho e faculdade. Gostaria de deixar claro que após o fechamento do megaupload pensei sobre e adotei serviços de filmes online como o NetMovies
Renoir de Paula Faria dos Reis
Com toda essa reviravolta agora eu aposto no netmovies que possui um preço que cabe no bolso e me oferecer vários filmes sem peso na cabeça, porém eles precisam de aumentar o acervo de filmes, creio que isso acontecerá agora que várias pessoas que assim como eu passaram a assinar esse tipo de serviço para assistir a filmes.
@MarcosOrdonha
O problema que ocorreu neste servidores foi que além do compartilhamento de certos conteúdo não autorizados, eles, os servidores, criaram contas especiais para lucrarem com isso. Uma atitude um tanto "óleo de peroba" que enraiveceu muita empresa.
eu
Eles ganham dinheiro e muito tendo ou não pirataria Se tiver é melhor pq mais pessoas podem ter possibilidade de conhecer o trabalho de certos artistas e assim mais fãs irão atras de seu trabalho, internet e pirataria funciona mais como divulgação do que qualquer outra coisa, uma divulgação que sai GRATIZ para eles, se vc ve algo na internet e gosta de verdade vc compra o original, senão não compra, quem é o idiota que joga dinheiro no lixo no mundo que agente vive hj, ainda mais gente pobre, baixar uma musica na internet mesmo que seja por varias pessoas não é para eles como é para nós perder um salario, é como se eu perdesse 1 real na rua, não tem nem comparação, brasileiro é pobre. Fechar o megaupload foi sacanagem, e tomara que apareça algo melhor ainda e pior para eles E o FBI que se foda, va atras de terroristas bando de f.d.p.
@niikmaisdanii
Não por nada, mas ao meu ver se o megaupload foi fechado realmente por acusações de distribuição de conteúdo ilegal isso não vai melhorar em nada as vendas das gravadoras e produtoras. Pra mim, hoje o maior foco disso ainda está no compartilhamento via .torrent, e aí como vão fazer com isso? Fechar o megaupload, foi só um "se eu quiser eu fecho tudo nerds", vai lá e fecha 4shared, mediafire, rapidshare, e tantos outros. Aproveita a caminhada e vê uma forma de evitar o compartilhamento p2p também. Isso não vai dar em nada, assim como não deu em nada o fechamento do Napster.
Rey
Vamos fechar os correios no mundo todo também. Todo mundo sabe que é enviado conteúdo ilegal por ali. E "já vão tarde".
Thássius Veloso
Interessantíssimo. Obrigado por compartilhar aqui.
@ivansc
Sejamos honestos, sabemos que muitos artistas ficaram prejudicados mas a culpa não é do megaupload e sim de quem a coloca o produto, por causa deles é que o megaupload foi fechado, muitos artistas poderiam usar para divulgar o seu trabalho sem precisar das gravadoras e tem muita gente que possui arquivos pessoais, como a radio que eu to participando que tinha arquivos de audio salvos lá.É tudo relativo
Murilo Azevedo
Thássius Veloso, Vim comentar apenas para compartilhar este link com você e com os leitores, vale a reflexão: http://www.dicas-l.com.br/arquivo/courtney_love_does_the_math.php#.TyFWDcVSRQ4
Lucas
"saiba que sou graduado" seu argumento se tornou inválido aí.
Henrique Pinheiro
"E antes que vc me taxe de ignorante sem nenhum fundamento saiba que sou graduado pela"
Rafael
Enquanto existir essa bosta de imposto que o Brasil tanto aplica aos produtos originais, nunca vai dar lucro mesmo. Tanto é, que o Brasil era o segundo maior cliente da Megaupload, atrás apenas da França. Eu prefiro produtos originais, eu gostaria de pegar pelos meus filmes, minhas músicas, mas não preços absurdos, gostaria de ter a praticidade da pirataria, como fazer download facilmente, sem burocracia, MAS, PAGANDO PELO QUE EU ESTOU PUXANDO. O que mais atrai na pirataria hoje em dia, é a qualidade, que não deixa a deseja quanto a pirataria (estou falando sobre músicas e filmes) e a facilidade para ter tal material.
Misterio
“O trabalho do artista ou produtor de conteúdo deve ser remunerado.” Como se eles não recebessem nada por isso não é? Não concordo com a atitude tomada, se perderam U$ 500 milhões, podem continuar perdendo muito mais. A ganância sega, e deixa burra a pessoa envolvida. A saída era a parceria com o site e não o encerramento do mesmo. Sou a favor do Megaupload. Votaria para que voltasse.
Erick
Existe outro lado pra isso também. Cantores populares, do tipo forró, funk, sertanejo, brega e etc, lucram um bocado e muitos nem tem gravadoras e álbuns pra vender em lojinha. Suas músicas são vendidas nos camelôs dos piratas e eles não se importam, o que vale é a divulgação para que mais pessoas sintam-se à vontade para contratá-los. Claro que isso nem se compara com os cantores mais famosos, está mais pra um mercado de nicho. Mas talvez a saída seja algo parecido.
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