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Os momentos mais emocionantes dos games

Izzy Nobre

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Um dos benefícios garantidos pelo avanço tecnológico nos games é que eles se aproximam mais (tanto no aspecto visual quanto na narrativa) de um longa-metragem do que de uma simples distração eletrônica interativa.

Desde o Nintendinho, lá nos longíquos anos 80, os jogos já tinham história. Acontece que é muito mais fácil se deixar envolver emocionalmente pela história de um jogo quando os personagens em conflito têm mais de 16 cores e vozes com bitrate maior que a das narrações dos jogos de futebol do Super Nintendo.

Alguns jogos utilizam todo o arsenal técnico dos consoles pra bolar situações e personagens com histórias que deixam nós na garganta. Pessoalmente, eu sou muito fã destes momentos – cenas emocionantes nos games mostram que, além das explosões bonitas e da sanguinolência que satisfaz aquele nosso desejo primevo de violência irracional, os videogames também têm alma.

Aqui estão alguns destes melhores momentos.

Antes de mais nada, dois avisos: em primeiro lugar, evidentemente a coluna traz spoilers. Os jogos que menciono aqui são relativamente antigos, mas reconheço que ainda assim há uma chance de que talvez você ainda não tenha jogado Gears of War 2 ou Shadow of the Colossus. Além do fato de que seu currículo de gamer está seriamente desfalcado por não ter zerado estes jogos, esteja também avisado que o texto vai entregar pontos chaves da trama destes games.

Em segundo lugar, eu já sei que alguns fãs de uma determinada série de RPG da Square Enix (na época Squaresoft) vão apontar que eu “esqueci” de mencionar uma certa cena emocionante clássica. Acontece que além de não ter jogado o game na época (eu sei, agora vocês dirão que o meu currículo é que está em falta), as diversas vezes que assisti a cena fora do contexto do game a fizeram parecer engraçada em vez de emocionante. Aquela cutscene que fez tantos de vocês chorarem em 1997 não envelheceu muito bem, e parece literalmente ridícula comparada aos momentos que mais me tocaram.

Então, vamos lá. Aqui estão as cenas de games que mais me emocionaram.

A morte de Maria em Gears of War 2

Gears of War é, indubitavelmente, uma de minhas franquias favoritas. Os jogos têm de tudo um pouco: gráficos bonitos, excelente jogabilidade, multiplayer viciante, e uma história envolvente sobre destruição e perda. E o ponto em que isso fica mais evidente ao jogador é na cena da morte da esposa de um dos personagens principais, o Dom.

No primeiro jogo, fica subentendido que o Dom esteve procurando sua esposa há algum tempo. O planeta inteiro está em guerra contra os seres subterrâneos Locusts, o que complica ao herói localizar sua mulher. No segundo jogo, a busca do cara por sua esposa se torna um ponto focal da trama.

O jogo deixa claro que os monstros estão sequestrando humanos e fazendo neles um misto de experiências científicas com torturas que destroem completamente a psique das vítimas. Um dos personagens capturados pelos Locusts, ao ser libertado pelos companheiros, prefere estourar os próprios miolos a continuar lutando. É outra cena bastante chocante, aliás, que ajuda a deixar claro o tipo de dano que os bichos estão causando.

Um pouco mais tarde no jogo, Dom finalmente encontra sua mulher. O problema é que… Bem, ou você jogou o game e sabe o que acontece em seguida, ou você simplesmente deduziu que a cena do suicídio do Tai tinha um significado maior – o prenúncio de outra tragédia.

http://www.youtube.com/watch?v=ZAuz7HeiOFE
(Vídeo do YouTube)

Eu cometi o erro de jogar Gears of War 2 na frente da minha mulher, que é extremamente emotiva em relação a tragédias românticas. Enquanto eu resisti bravamente aos sintomas de comoção, a menina soluçava do meu lado. A vantagem de usar óculos é que na sala escura eles refletiam o brilho da TV, e assim ela provavelmente não notou que meus olhos estavam marejados.

A “morte” do Aggro em Shadow of the Colossus

A screenshot acima não é das melhores, mas a cena é assim bem acinzentada mesmo (boa parte do game, aliás, é assim), então não há muito o que se fazer.

Shadow of the Colossus é um jogo ímpar. A ambientação do game é maestral; se eu tivesse que resumir a atmosfera do jogo em uma palavra apenas, eu teria que inventar um sinônimo de uma palavra só pra “obra de arte”. Como não consigo pensar em nenhum, usarei outro sentimento que te acompanha durante o jogo inteiro: solidão.

O mundo dentro do jogo é tão vazio que nem inimigos menores existem; os personagens são essencialmente apenas você e 16 chefões espalhados ao redor de um mundo imenso que exacerba a sensação de estar no fim do mundo, completamente sozinho.

Jogar Shadow of the Colossus solitário em casa durante um longo período de tempo é uma experiênia metalinguística bastante curiosa, aliás. Após algumas horas você sente vontade de sair mandando SMS pra todos os amigos só pra ter com quem interagir.

Bom, na realidade você não está completamente sozinho: o seu cavalo Aggro é, além do seu meio de transporte, um companheiro silencioso que te acompanha durante a aventura. Lá pelo final do jogo você desenvolve um sentimento de estimação em relação ao seu cavalo – o que torna a cena a seguir ainda mais triste:


(Vídeo do YouTube)

Diz-se que em obras de ficção, existem três atos: a introdução, o desenvolvimento e o desfecho. O terceiro ato é geralmente quando os eventos mais dramáticos acontecem, pra enfatizar na mente do espectador que tudo está em perigo e que ninguém está a salvo. O terceiro ato de Shadow of the Colossus faz isso “matando” o seu único companheiro durante toda aquela jornada. Quem passou pela morte de um animal de estimação deve compreender o choque que é a perda de um companheiro de quatro patas.

Digo “matando” entre aspas porque no final do jogo, revela-se que Agro sobreviveu à queda. Infelizmente, o personagem principal “morre” sem saber que seu companheiro sobreviveu. (Pois é, a morte do protagonista é com ressalva também.)

Trailer de Dead Island

Quando uma das maiores críticas de um game é que ele tem muito pouco a ver com o trailer, você pode ter certeza que a prévia do jogo causou grandes expectativas. A esta altura, o gênero de zumbis já está quase que completamente saturado – tanto nos filmes quanto nos games. Dead Island prometeu implicitamente trazer uma novidade pro tema: uma atmosfera mais trágica.

Vamos ao trailer:


(Vídeo do YouTube)

O vídeo passa em ordem cronológica inversa, com pequenos flashes em reprodução normal que preenchem as lacunas da história. A cena abre com uma garota zumbi caída no chão; desafiando a gravidade, a garota se ergue no ar e retorna para um quarto de hotel (reconstruindo a janela do cômodo ao atravessá-la), e encontra um casal lá dentro que luta contra uma horda de mortos-vivos.

Como qualquer obra de arte, a cena funciona em vários ângulos diferentes. Primeiro, ela humaniza e insere uma tragédia familiar no já trivial processo de zumbificação. No começo do vídeo a garotinha é uma antagonista, atacando seu próprio pai. No final (tecnicamente o começo, se você considerar a ordem cronológica), vemos que a menina estava apenas tentando fugir dos zumbis, e fracassou nisso.

Somos obrigados a ver algo que em filmes do gênero parece meio banal: o zumbi recém-nascido atacando os familiares.

Em segundo lugar, o trailer inverte o mecanismo tradicional de expectativa e esperança. Desde o começo sabemos que a luta dos protagonistas fracassou; à medida que o vídeo avança, os personagens parecem mais otimistas em relação à sua sina. Entretanto, o espectador já viu o resultado da cena. Rola uma estranha dissonância cognitiva: ao mesmo tempo que você vê a cena melhorando, você já sabe que os personagens morreram.

E finalmente, a música completa o pacote e pontua de forma sombria o clima da cena. É impossível não se emocionar com a montagem.

Como falei no começo, a resposta dos gamers é que o jogo falhou por não cumprir as expectativas criadas pelo trailer emotivo – o que significa que há, sim, uma demanda por games com tramas que mexam mais com o lado emocional dos jogadores.

E você, que games te fizeram fingir que caiu um cisco no seu olho?